Jornal Mundo Espírita

Maio de 2021 Número 1642 Ano 89

Lições para a vida

Projeto construído em vilarejo de Bangladesh foi premiado

janeiro/2021

Uma construção impressionante foi erguida em Rudrapur, um vilarejo no norte de Bangladesh.

Batizado de Centro Anandaloy, o primeiro andar funciona como um centro de atendimento a pessoas com deficiência. De acordo com o Studio Anna Heringer, responsável pelo projeto, frequentemente, deficiências são vistas como karma pelos habitantes de Bangladesh, impossibilitando sua inclusão na sociedade.

Por isso, centros de acolhida são raros no país e inexistentes em áreas rurais.

A ideia inicial era apenas atender a essa necessidade, mas logo foi ampliada para acolher um pequeno atelier têxtil gerido por mulheres. No espaço, elas podem desenvolver seu trabalho que será comercializado em feiras locais, contribuindo para o desenvolvimento econômico e cultural local.

Mas, mais do que entregar um espaço pronto, o estúdio de arquitetura envolveu toda a comunidade. Os moradores, em sua maioria mulheres, colocaram a mão na massa. Também alguns futuros pacientes do Centro.

Apesar da premiada arquiteta Anna Heringer e sua equipe serem alemãs, a obra foi gerida por construtores de Bangladesh, a partir de parcerias com empresas e trabalhadores locais.

A escolha por bambu e estruturas de taipa levou em conta os materiais disponíveis localmente, criando assim uma arquitetura sustentável, mas também de forte identidade para os habitantes.

A tradicional técnica local de construção em barro permite levantar paredes sem a necessidade de qualquer sistema de cofragem. Tal método possibilita construir paredes curvas com extrema facilidade. Por este motivo, contrapondo-se à maioria dos outros edifícios da região, o Centro Anandaloy é uma estrutura dinâmica, modelada pela maleabilidade do barro. Suas paredes parecem dançar enquanto a rampa serpenteia alegremente até o acesso do edifício. De modo simbólico, a estrutura parece nos dizer que seja bem-vinda a nossa diversidade, descreve a equipe responsável.

Além das paredes de barro, foi usado o bambu no teto e na edificação de pilares. O telhado foi feito ainda com chapas de metal e palha.

O projeto venceu o Prêmio OBEL 2020, uma premiação internacional que homenageia as contribuições arquitetônicas notáveis para o desenvolvimento humano em todo o mundo.

Marcia Sousa
https://ciclovivo.com.br/arq-urb/arquitetura/bambu
-barro-mulheres-centro-deficiencia/

Fotos: Kurt Hoerbst e Stefano Mori

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