O Direito à Vida em Discussão
As estatísticas mostram que a aprovação ao aborto no Brasil não só é baixa,
como inclusive diminui drasticamente. Em 2003 o Ibope mostrou que somente 10% do
povo brasileiro aprovaria a legalização do aborto.
http://www.ipas.org.br/arquivos/ccr_resumo_ibope.doc
Em 2005 o mesmo Ibope constatou que esta porcentagem caiu para apenas 3%.
http://fantastico.globo.com/Fantastico/0,19125,TF
A0-2142-5508-136048,00.html
Em janeiro de 2004 o Datafolha, órgão ligado ao jornal Folha de São Paulo e
especializado em pesquisas de opinião pública na cidade de São Paulo, realizou
uma pesquisa sobre a aprovação ao aborto em São Paulo que encontrou, nas
palavras do Datafolha, uma queda “ABISSAL” da aprovação ao aborto a partir de
1994, tão significativo a ponto de ser qualificada pelos especialistas ouvidos
como um “ATAQUE COLETIVO DE HIPOCRISIA” por parte da população.
Apesar desses dados, “além de pelo menos quatro projetos de lei tramitando nas
duas casas do Congresso para legalizar o aborto em casos de anencefalia fetal,
todos provavelmente a serem votados ainda este ano, além da própria ADPF54 que
tramita no Supremo Tribunal Federal com a mesma finalidade, das Normas Técnicas
do Ministério da Saúde que, além de obrigar os médicos a realizarem aborto em
casos de estupro baseados apenas na palavra da gestante, sem boletim de
ocorrência, também declaram que o médico, exceto quando houver outro médico que
se ofereça para fazer o aborto, poderá ser processado se recusar-se a fazer o
aborto por objeção de consciência, está em atuação a Comissão Tripartite,
constituída pelo Governo Federal para apresentar um plano, ainda em 2005, para a
completa legalização do aborto no Brasil.”
O Jornal da Câmara informou que a Comissão Tripartite constituída pelo Governo
Federal com o objetivo de obter ainda este ano de 2005 a total liberalização do
aborto no Brasil, através da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e
contando com amplo apoio do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,
em parceria com a ONU, o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para Mulher
(Unifem) e com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), promoveu, no dia
24 de maio de 2005, uma série de palestras com especialistas a favor do aborto
para a defesa dos seguintes temas: O aborto e o descompasso do legislador, A
inconstitucionalidade da criminalização do aborto, O aborto como problema de
saúde pública, e Pensando eticamente a maternidade e o aborto.
O evento fez parte de uma série de reuniões pelas quais a Comissão Tripartite
espera poder apresentar ao Congresso Brasileiro, ainda este ano, um projeto de
lei liberalizando totalmente o aborto no Brasil. A Comissão Tripartite já
realizou cinco reuniões nas quais os palestrantes, todos favoráveis à
legalização do aborto, a cada quinze dias estão apresentando aos Congressistas
brasileiros os vários aspectos pelos quais seria desejável implantar
imediatamente a prática do aborto no Brasil. http://200.130.7.5/spmu/main4.asp?Id=325
A diferença entre a reunião do dia 24 de maio e as anteriores é que essa já é
manifestamente patrocinada em conjunto com as Nações Unidas, o Fundo de
Desenvolvimento das Nações Unidas para Mulher (Unifem) e com o Fundo de
População das Nações Unidas (UNFPA), cujos representantes também participaram do
debate.
Como debatedores, somente participou quem é a favor do aborto. Os parlamentares
presentes, que irão dentro em breve votar a legislação a ser proposta, apenas
participaram como ouvintes.
Importante que, na qualidade de cidadãos, manifestemos a nossa opinião,
escrevendo para os jornais e revistas, parlamentares e governantes. Em se
tratando da imprensa escrita, não nos devemos importar se as nossas mensagens
serão ou não publicadas. O importante é que os Editores saibam da posição do
povo brasileiro, a respeito da questão do aborto. Eles a levarão em conta pois
dependem dos leitores para continuarem a existir.
Quando nos manifestarmos, através de cartas, e-mails ou fax, algumas regras são
de importância:
1. dirigindo-se a Senadores e Deputados, escrevamos na qualidade de eleitores
que esperam que eles verdadeiramente representem o povo que os elegeu;
2. dirigindo-se à imprensa escrita recordemos que, para que uma mensagem mereça
consideração e, eventualmente, publicação, ela deve ser identificada com nome,
endereço, RG e e-mail do remetente;
3. dada a importância e gravidade da matéria, pois estamos tratando a respeito
da vida humana, sugerimos se evite mandar uma mensagem padronizada. Ao
contrário, escrevamos com nossas próprias palavras. Isso tem maior peso;
4. na qualidade de espíritas ou participantes de qualquer religião, não
escrevamos como religiosos, defendendo os pontos de vista à luz da Doutrina que
abraçamos, façamo-lo na qualidade de cidadãos ou profissionais;
5. sejamos extremamente respeitosos em qualquer circunstância. Telefonando ou
escrevendo, sejamos educados, defendendo, embora com ardor nosso ponto de vista;
6. se optarmos por remeter e-mail, com cópia a vários destinatários, zelemos
pela privacidade alheia, utilizando a cópia oculta (Cco), a fim de que não
divulguemos os endereços eletrônicos de amigos e colegas, que nos confiaram tais
informações;
7. finalmente, aos que desejem expressar a sua opinião e pedir as providências
corretas aos Deputados do Estado do Paraná, seguem os endereços eletrônicos:
dep.abelardolupion@camara.gov.br;
dep.affonsocamargo@camara.gov.br;
dep.airtonroveda@camara.gov.br;
dep.alexcanziani@camara.gov.br;
dep.andrezacharow@camara.gov.br;
dep.cezarsilvestri@camara.gov.br;
dep.chicodaprincesa@camara.gov.br;
dep.dilceusperafico@camara.gov.br;
dep.eduardosciarra@camara.gov.br;
dep.giacobo@camara.gov.br;
dep.hermesparcianello@camara.gov.br;
dep.irissimoes@camara.gov.br;
dep.joseborba@camara.gov.br;
dep.josejanene@camara.gov.br;
dep.luizcarloshauly@camara.gov.br;
dep.maxrosenmann@camara.gov.br;
dep.moacirmicheletto@camara.gov.br;
dep.nelsonmeurer@camara.gov.br;
dep.odiliobalbinotti@camara.gov.br;
dep.oliveirafilho@camara.gov.br;
dep.osmarserraglio@camara.gov.br;
dep.ricardobarros@camara.gov.br;
dep.takayama@camara.gov.br.
Associação Médico-Espírita do Brasil
Durante o V Congresso Médico-Espírita (MEDNESP), realizado em São Paulo, ao final do mês de maio os Médicos Espíritas elaboraram uma Carta de Princípios, da qual destacamos alguns ítens:
Em relação ao aborto:
Considerando que:
1 - nosso paradigma de bioética é o personalista espírita que contempla a
dignidade ontológica, a partir do zigoto, onde a vida se inicia;
2 - a vida é um bem indisponível, uma doação do Ser Supremo, que se encontra
presente no micro e no macrocosmo, conclusão esta decorrente de pesquisas
científicas sobre a origem da vida que apontam para a existência de um
Planejador Inteligente, bem como de estudos sobre a embriogênese e o psiquismo
fetal. As dificuldades dos cientistas em definir o que é vida e a
impossibilidade de criá-la originariamente em laboratório são alguns entre os
muitos dados demonstrativos da grandeza e da complexidade da Criação Divina;
posicionamo-nos contrariamente a qualquer método que interrompa a vida em algum
ponto do continuum “zigoto-velho”, inclusive ao uso da “pílula do dia seguinte”
e favoravelmente ao Planejamento Familiar, através de métodos não-abortivos,
incluindo, entre estes, o DIU (Dispositivo intra-uterino), desde que utilizado,
no período fértil, em combinação com método de barreira.
Em relação aos fetos anencéfalos:
Considerando que:
1 - o anencéfalo tem preservadas diferentes partes do encéfalo, tais como tronco
encefálico, região talâmica e até mesmo porções do córtex cerebral, possuindo,
portanto, regiões responsáveis pelo controle automático de funções viscerais
como os batimentos cardíacos e a capacidade de respirar por si próprio, ao
nascer;
2 - para distintos cientistas, o tronco encefálico e porções adjacentes de
regiões mais profundas do cérebro representam o substrato de ligação com a mente
e a consciência (postura que sinaliza a presença do Espírito);
manifestamo-nos contrariamente ao aborto do anencéfalo, pois não podemos
reduzi-lo a uma “coisa descartável”, reconhecendo seu direito à própria vida,
ainda que temporária.
Em relação à eutanásia, à distanásia e à morte natural:
Manifestamo-nos:
1 - contrariamente a qualquer meio intencional que antecipe a morte natural do
ser humano, seja pela eutanásia, ativa ou passiva, ou pelo suicídio assistido;
2 - contrariamente à distanásia, por entendermos tratar-se de um prolongamento
inútil da vida, por uma obstinação terapêutica ou diagnóstica, através de meios
artificiais que não trazem benefícios imediatos ao paciente, levando-o a uma
morte agoniada, com muito sofrimento orgânico, psíquico e espiritual;
3 - favoravelmente à ocorrência da morte natural, a que se dá no tempo certo.
Compete-nos respeitar a autonomia do paciente - suas crenças, medos, desejos e
esperanças -, oferecendo-lhe apoio médico, psicológico, religioso e familiar,
que lhe possibilite morrer sem dor e viver, com dignidade, seus últimos
instantes de vida terrena. Compreendemos o processo do morrer como uma fase
importante para o aperfeiçoamento do Espírito, repleto de experiências
enriquecedoras, tanto para o médico, quanto para o paciente, sobretudo, quando
ambos têm os olhos voltados para a realidade da vida imortal.