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08/08/2011
MUNDO ESPÍRITA HÁ 75 ANOS
- 23 DE setembro DE 1935 – ANO IV – 2ª PÁGINA DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS Josué Gonçalves O Espiritismo conta com grandes valores para promover e intensificar a sua propaganda; e sempre que sabemos que um individuo que possue capacidade intellectual reconhecida ingressou na doutrina, e deu seu testemunho publico, ficamos satisfeitos, antevendo os resultados de sua cooperação intelligente e illustrada. Nada mais lógico, visto que o nosso maior desejo é que se processe o esclarecimento de todas as creaturas, o mais depressa possivel. É incontestavel que o Espiritismo em si, como particula da Verdade Eterna, não precisa das creaturas terrenas para fazer a sua marcha triunphal: tambem não é menos certo que todas as intelligencias, que estão ao seu serviço, concorrem para acelerar o seu desenvolvimento: são obreiros destribuidos nos pontos mais proprios, com precisão mathemática, pela intelligencias superiores que dirigem o movimento espirita. Ora, não nos parece muito coherente com as bôas normas de orientação, o exagerado zêlo de distinctos e cultos confrades que, sahindo, mui justamente, a publico para rebater qualquer investida de certos elementos das várias escolas materialistas, contra a nossa doutrina, o façam votando certo desprezo e procurando redicularizar os conhecimentos de taes vultos, chegando mesmo ao ponto de dizer que o Espiritisno não precisa de scientistas, - quando o proprio Allan Kardec e tambem Léon Denis disseram que o “Espiritismo ou seria scientifico, ou não poderia existir”. É de estranhar, ainda, que taes confrades, ao mesmo tempo que afirmam que o Espiritismo não precisa de scientistas, passem a infileirar os nomes illustres de : W. Crookes, R. Valace, Zoellner, P. Gibier, De Roche, G. Delane, G. Geley, O. Lodge e tantos outros scientistas que têm estudado e proclamado as verdades espiritas, para rebaterem aquelles e outros agressores. Isto é o que se póde chamar: “dois pesos e duas medidas”; não nos parecendo muito certo tal caminho. Ninguem, honestamente, poderá contestar o valor extraordinario do que tem realizado na propagação da nossa doutrina, o Prof. Ernesto Bozzano. É opportuno interrogar: qual o campo de luta de tão admiravel trabalhador? Será o campo Evangelico? Não. É só e só o campo scientifico. Aliás, já temos tido occasião de vêr o valor que dão, os ditos confrades, aos factos, dizendo, com justeza, que nada póde melhor comprovar e dar força a uma affirmativa do que um facto. Ora, ninguem mais habilitado para controlar, estudar e tirar conclusões dos factos do que uma creatura que tenha certos conhecimentos das leis physicas, que tenha alguma illustração, enfim. Que importa que entre êsses se encontrem, ás vêzes, creaturas de má fé, e outras que não tenham a coragem de vir a publico dizer aquillo que viram e constataram, depois de tomar as precauções indispensaveis! Os Paulo Gibier, que desassombradamente dizem “preferir o prazer de constatar uma verdade e proclamá-la, á honra de pertencer a uma Academia que, por mêdo ou preconceito, se recusa a tomar conhecimento e estudar factos que são do dominio geral”; os Paulo Gibier, diziamos, são poucos, por emquanto; talvez esteja, porém, bem proximo o tempo em que os vultos de tal tempera se multiplicarão. O que se faz indispensavel é termos muito cuidado; é raciocinarmos com muita frieza, para nos não apresentarmos em publico, exibindo argumentos que contenham “dois pesos e duas medidas”.
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Redação || jornal@feparana.com.br
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