A superprodução cinematográfica “2012”, que aborda a destruição do planeta, com base no calendário maia, está sendo aguardada com grande expectativa em todo o mundo. O que nos diz o Espiritismo a respeito?
Marcos S. C. ...
“Mundo Espírita” responde:
Prezado irmão Marcos,
O psiquismo coletivo da humanidade sempre esteve fortemente influenciado por medos relacionados à destruição do planeta. Há uma década, a crendice popular temia a pseudoadvertência bíblica: “De 1000 passarás e de 2000 não passarás”. Não há uma única frase na Bíblia a respeito.
Passamos do ano 2000, contrariando todas as “profecias” desse gênero.
O filme “2012” é mais uma esperta estratégia de marketing hollywoodiano, deixando a muitos sob imensa tensão até o 21 de dezembro desse fatídico ano.
Nós, espíritas conscientes, orientados pelos benfeitores espirituais e por Allan Kardec, como consta no Cap. III de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, “Há muitas moradas na casa de meu Pai”, sabemos que a época que vivemos é de transição entre o mundo de expiação e provas e o mundo regenerado que nos espera, como tão claramente está no item 19, “Progressão dos mundos”.
Allan Kardec estende a questão em “A Gênese”, cap. XVIII, quando trata do “Julgamento final”.
Com lógica irretorquível, nos diz, no item 64:
“A doutrina de um juízo final, único e universal, pondo fim para sempre à Humanidade, repugna à razão, por implicar a inatividade de Deus,durante a eternidade que precedeu à criação da Terra e durante a eternidade que se seguirá à sua destruição. Que utilidade teriam então o Sol, a Lua e as estrelas que, segundo a Gênese, foram feitos para iluminar o mundo? Causa espanto que tão imensa obra se haja produzido para tão pouco tempo e a beneficio de seres votados de antemão, em sua maioria, aos suplícios eternos.”
Tanto Jesus, ao tratar no “Sermão profético do “Princípio das dores” e da “Grande tribulação” (Mateus 24:1, 3 e 15) e João, ao narrar suas visões em o “Apocalipse”, jamais sugeriram a destruição do planeta e o fim da sociedade.
João, capítulo 21 do Apocalipse, diz que haverá um “novo céu e uma nova terra” e que Deus habitará conosco.
Emmanuel, pelas mãos dóceis de Chico Xavier, tranquiliza, afirmando de forma contundente, em “Alvoradas do Reino do Senhor”, na obra “Há Dois Mil Anos”:
"Trabalharemos com amor, na oficina dos séculos porvindouros, reorganizaremos todos os elementos destruídos, examinaremos detidamente todas as ruínas buscando o material passível de novo aproveitamento e, quando as instituições terrestres reajustarem a sua vida na fraternidade e no bem, na paz e na justiça, depois da seleção natural dos Espíritos e dentro das convulsões renovadoras da vida planetária, organizaremos para o mundo um novo ciclo evolutivo, consolidando, com as divinas verdades do Consolador, os progressos definitivos do homem espiritual" (discurso de Jesus, ao receber os primeiros cristãos sacrificados em Roma).