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LITERATURA ESPÍRITA - XLVII
(Obras de Outros Psicógrafos Brasileiros - I)

Y. Shimizu

Iniciamos aqui o exame sumário e panorâmico das obras de mais alguns médiuns que têm legado textos de autores desencarnados, por meio da psicografia. O presente número será dedicado a alguns baluartes que dedicaram a sua vida ao exercício mediúnico no final do século passado e na primeira metade do atual.

FREDERICO PEREIRA DA SILVA JÚNIOR, conhecido com Frederico Júnior, nascido em 1856, em berço humilde, teve pouca oportunidade de obter instrução formal. Ingressou no serviço público, no qual permaneceu até sua desencarnação.

Teve primeiro contato com o Espiritismo em 1878, passando, de imediato, a desenvolver diversas faculdades mediúnicas, destacando-se dentre essas a psicografia sonambúlica. Foi ele o principal médium do conhecido "Grupo Ismael", da Federação Espírita Brasileira, durante 34 anos.

Da sua pena mediúnica brotaram mais de uma centena de mensagens, inseridas no segundo volume da obra "Estudos dos Evangelhos", de Antônio Luiz Sayão (não mais reeditada), "Instruções Gerais e Estudos Sobre Obsessões" (1893) (ed. FEB, com 48 p.) e os três livros de poemas assinados por Bittencourt Sampaio, naquele seu estilo inconfundível, mantendo uma perspectiva nitidamente roustainguista (posicionamento assumido em sua jornada terrena): "Jesus Perante a Cristandade" (1898) (ed. FEB, com 190 p.) , "De Jesus Para as Crianças" (1901) e "Do Calvário ao Apocalipse" (1907) (ed. FEB, com 267p.) .

ADELAIDE AUGUSTA CÂMARA, mais conhecida pelo seu pseudônimo Aura Celeste, nasceu em Natal - RN, em 1874. Oriunda de família protestante, graduada em Escola Normal, transferiu sua residência para o Rio de Janeiro, onde lecionou até contrair núpcias, em 1906.

Na então Capital Federal, conheceu Bezerra de Menezes, , que a iniciou no labor doutrinário, e, posteriormente, trabalhou sob a orientação de Inácio Bittencourt. Possuía as faculdades de incorporação, audiência, vidência, psicografia, de cura e bilocação. Fundou, em 1927, o "Asilo Espírita João Evangelista", do qual foi presidenta por 17 anos, até a sua desencarnação em 1944. Da pátria espiritual continua ditando numerosas mensagens, através de Francisco Cândido Xavier, Divaldo Pereira Franco e outros medianeiros.

Poetisa, conferencista, contista e educadora, deixou de sua autoria os livros "Vozes da Alma" (poesias), "Sentimentais" (poesias), "Aspectos da Alma" (contos), "Palavras Espíritas" (palestras), "Rumo à Verdade" (palestras) e "Luz do Alto" (crônicas). Publicou, ainda, as obras psicografadas: "Orvalho do Céu", "Flores do Céu" e "Do Além" (em 21 volumes).

ZILDA GAMA, nascida em Juiz de Fora, em 1878. Filha de escrivão de cartório, graduou-se na Escola Normal de São João del-Rei e tornou-se professora primária em Além-Paraíba, onde chegou a exercer, por duas vezes, a direção do estabelecimento em que lecionava. Removida para a capital mineira, continuou a desempenhar suas funções no magistério, aposentando-se em 1938. Transferiu residência para o Rio de Janeiro, onde permaneceu até a desencarnação, em 1969.

Conheceu a Doutrina Espírita por volta de 1912, porém seu desenvolvimento mediúnico atingiu a plenitude somente em 1918. Psicografou dez livros, dos quais seis romances ditados por Victor Hugo: "Na Sombra e na Luz" (1917) (ed. FEB, com 264 p.), "Do Calvário ao Infinito" (1922) (ed. FEB, com 438 p.), "Redenção" (1929) (ed. FEB, com 313 p.), "Dor Suprema" (1939) (ed. FEB, com 542 p.), "Almas Crucificadas" (1946) (ed. FEB, com 362 p.) e "Solar de Apolo" (1964) (ed. LAKE); de sua irmã poetisa Antonieta Gama, "Elegias Douradas"; e, ainda, de outros autores, "Na Seara Bendita", "Na Cruzada do Mestre" e "Diário dos Invisíveis".

Segundo Carlos Bernardo Loureiro, "Zilda Gama foi, no Brasil, a primeira médium a obter do mundo espiritual uma vasta e substancial literatura espírita, tendo causado sensação, quer no ambiente espírita, quer entre os leitores leigos.".


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Esta página foi elaborada em: January 10, 2000