KARDEC É RAZÃO
Y. Shimizu
J. Herculano Pires foi o escritor espírita mais prolífero do
século XX. Escreveu e publicou mais de 15 mil laudas, consubstanciadas em 85 livros, e
quase duas mil matérias inseridas em 12 órgãos de imprensa; e desses, 62 livros e mais
da metade dos artigos e crônicas tratam de assuntos relacionados com a Doutrina
Espírita, (abordados pelo signatário, no "Mundo Espírita" de setembro de
1990).
Dedicou-se, profissionalmente, com paixão e dedicação, à imprensa, tendo sido repórter, cronista, crítico literário, redator e diretor de jornal, sendo considerado por muitos como o modelo do jornalista espírita.
Todavia, a sua atuação não se limitou à de homem de imprensa. Apesar de não apreciar a vida acadêmica, era graduado e pós-graduado em Filosofia, pela Universidade de São Paulo e, durante muitos anos, ministrou a disciplina Filosofia da Educação na Faculdade de Filosofia de Araraquara. Foi, também, diretor do Instituto Espírita de Educação Metropolitano, na capital paulista.
Espírita desde a juventude, conhecia, como poucos, as obras da Codificação, citando-as, com extrema precisão nas conferências e debates, e elaborou um estudo introdutório de alto valor elucidativo na sua tradução de "O Livro dos Espíritos".
Agora, o conhecido jornalista, expositor e escritor Wilson Garcia presta merecida homenagem ao ilustre escritor paulista, com o livro "Kardec é Razão", publicado pelas Edições USE, de São Paulo, com 192 páginas.
Aí, o autor focaliza os pensamentos e considerações do professor J. Herculano Pires, dissecando e interpretando 252 textos desse último, respigados em 28 de suas obras.
Como afirma Wilson Garcia no capítulo inicial de sua análise: "Kardec é o mestre, Herculano, o professor ! Estudar com o professor significa conhecer o mestre e sua doutrina. O professor está integrado com Kardec, e seu desafio é retirar das águas profundas da doutrina o conhecimento, interpretá-lo e oferecê-lo aos alunos. Nisso, poucos conseguiram tanto sucesso como Herculano, porque poucos estiveram tão integrados à matéria espírita quanto esse professor".
Assim, no capítulo "Uma Visão Científica do Espiritismo", o professor assevera que "a Parapsicologia comprova os fatos que o Espiritismo tem por verdadeiros". Wilson mostra no capítulo subseqüente que, "ao apontar para as duas vertentes da educação: a familial e a institucional, ...Herculano vai valorizar excepcionalmente e com uma razão fortíssima a Educação Espírita".
O capítulo referente ao Centro Espírita é o mais amplo e elucidativo do livro, abrangendo 75 páginas. Aí, com base nas citações extraídas de diversos livros de Herculano, dos quais se destacam "O Centro Espírita" e "Mediunidade", o autor examina as questões referentes: à disciplina no Centro, à conceituação e prática da mediunidade, aos cuidados em relação à vidência, às curas e às desobsessões, ao movimento federativo, à participação política e outras.
A seguir, Wilson Garcia explana a visão do professor sobre a Religião como um setor da cultura. "Do fato de ser o Espiritismo uma religião, ao de possuir uma idéia clara e racional da própria religião, surge para o professor uma realidade que vem em reforço de seu pensamento, em relação à formação de uma consciência espírita mais profunda"... "pretende ele ver o Espiritismo respeitado no seu posicionamento novo em relação à religião, como forma de influir diretamente na transformação cultural do povo".
O autor examina, finalmente, a visão filosófica do homem, a qual, "o Espiritismo o faz de forma excepcional, ao mostrar as duas faces da realidade: a visível e a invisível, e o entrelaçamento que existe entre ambas, com influências recíprocas dos seres dos dois lados". Porquanto, como afirma Herculano, "o bom senso, como ensinou Kardec, é o fio de prumo que nos garante a construção de um Conhecimento mais amplo e mais rico, mas ao mesmo tempo mais preciso".
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Volta ao ÍndiceEsta página foi elaborada em: January 10, 2000