Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2019 Número 1625 Ano 87
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Zilda Gama

agosto/2015

Ela é mineira de Três Ilhas, município de Juiz de Fora. Nasceu em 11 de março de 1878, filha do escrivão de paz, Augusto Cristiano da Gama e de Elisa Emília Klörs Gama.

Elegendo a mediunidade como sacerdócio autêntico, ela brilhou de modo fulgurante, prodigalizando aos homens novos conhecimentos e preparando o terreno para a implantação da verdade.

Muitos foram os testemunhos em sua vida. Jovem, com apenas vinte e quatro anos de idade, órfã de pais, assumiu a direção da casa e os cuidados de cinco irmãos menores. Posteriormente, outros cinco sobrinhos órfãos ficariam também sob sua tutela.

Em Além Paraíba, portão de entrada para o território mineiro, Zilda foi professora primária e diretora de escolas. Dirigiu o Grupo Escolar Salles Marques, no bairro de Porto Novo e o antigo Grupo Escolar Coronel Castelo Branco, no bairro de Ilha Recreio.

Sempre dedicada à instrução e educação, tomou parte no I Congresso de Instrução Primária de Minas Gerais, possivelmente já em Belo Horizonte, para onde transferira residência.

Em 1931, quando no Brasil houve intenso movimento em prol dos direitos femininos, Zilda Gama foi autora de tese, aprovada oficialmente, sobre o voto feminino, no Congresso Nacional. Essa tese influiu na Constituição de 1932, a partir da qual a mulher teve reconhecido o seu direito de votar.

Se a professora mineira quebrou a exclusividade masculina em questões de direitos civis, exerceu o jornalismo profissional, escrevendo contos e poesias para vários jornais de Juiz de Fora, Ouro Preto, São Paulo e Rio de Janeiro.

Entre os periódicos para os quais direcionou suas produções, estavam o Jornal do Brasil, a Gazeta de Notícias e a Revista da Semana, todos do Rio de Janeiro.

Ainda jovem, começou a perceber a presença de espíritos. Recebeu  mensagens de seu pai e de sua irmã, desencarnados, que a aconselhavam e a consolavam nos momentos de provação difíceis pelos quais estava passando.

Em 1916, os benfeitores espirituais a informaram que passaria a psicografar uma novela, notícia que a deixou bastante surpresa. Foi então que se lhe aproximou o Espírito Victor Hugo, escritor francês, um ativista pelos direitos humanos, ensaísta, artista e estadista, que viveu no século XIX.

O fato de o grande Hugo chegar até ela se deve a um fato singular. Em momento oportuno, confidenciou ele a Divaldo Pereira Franco que identificara ser ela a reencarnação de sua amada filha Léopoldine, que desencarnara, aos dezenove anos, em Paris, vítima de um naufrágio, no rio Sena. Estava em lua de mel e o marido igualmente morreu, ao tentar salvá-la.

Victor Hugo soube de sua morte pelos jornais, quando retornava de viagem. Foi um grande baque para ele e a ela dedicou vários poemas.

Foi a manifestação de Léopoldine, nas célebres sessões mediúnicas na ilha de Jersey, que o conquistaram para as realidades espirituais.

A primeira obra, psicografada por Zilda, assinada por Victor Hugo foi Na sombra e na luz, novela verídica que relata a existência triste de um companheiro, na Europa do século XIX, em que, por vezes, o próprio autor de Os miseráveis é personagem.

Posteriormente, veio Do calvário ao infinito, romance que se passa na Rússia do século XIX, narrando a história de almas ligadas entre si que sofrem, expiando crimes cometidos, até a conquista da felicidade.

Seguiram-se Redenção, Dor Suprema e Almas Crucificadas, todas publicadas pela Federação Espírita Brasileira. Zilda foi a pioneira, no país, a receber tão vasta literatura do mundo espiritual.

Outras obras ainda viriam a lume como Solar de Apolo e Na seara bendita.

Aos oitenta e um anos, após décadas de trabalho no campo da mediunidade, Zilda foi acometida de um derrame cerebral, que lhe deixou várias sequelas, exigindo que ela passasse a utilizar uma cadeira de rodas, sendo assistida, a partir de então, pelo sobrinho Mário Ângelo de Pinho.

Zilda Gama viveu quase noventa e um anos. Desencarnou no Rio de Janeiro, RJ, em 10 de janeiro de 1969. Alma de escol dedicou toda sua longa existência ao propósito de difundir no Brasil a Consoladora Doutrina dos Espíritos.

 Fonte: www.feparana.com.br/biografias/outras biografias

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