Jornal Mundo Espírita

Julho de 2019 Número 1620 Ano 87

XX Conferência Estadual Espírita

Entrevista com Adriano Lino Greca

junho/2018

Adriano, você assumiu a Presidência da FEP  há três anos. O que pode nos dizer desta experiência? Quais foram os maiores desafios que você enfrentou?

Acredito que os maiores desafios continuam sendo os da luta contra as nossas próprias imperfeições porque quando estamos bem, tudo acaba caminhando melhor.  Consideramos que uma Instituição como a Federação, é muito amparada sob o ponto de vista espiritual. É uma Instituição mais do que centenária. Fundada em 1902, teve na sua história presidentes como Lins de Vasconcellos, Abibe Isfer, João Ghignone e, ao longo de todo esse tempo, se credenciou a esse auxílio espiritual permanente.

Uma Instituição como a nossa jamais estará entregue à mente ou às ideias de uma só pessoa, e nem pode ser assim. O que nos cabe, na condição de presidente, é estarmos bem sintonizados, em paz para que possamos captar as intuições, as inspirações. No mais, é trabalhar aspectos da liderança, distribuição de tarefas para que a equipe possa produzir.

E como você classifica o Movimento Espírita no nosso Estado?

Nosso Movimento continua crescendo. Se verificarmos dados estatísticos, veremos que o Movimento Espírita no Brasil vem crescendo muito. O Paraná cresce acima da média nacional. Estou falando de números, dados estatísticos que comparam o censo do IBGE, realizado no ano 2000, depois em 2010. Estamos na expectativa do censo de 2020 para que se possa perceber e confirmar essa curva de crescimento. Percebe-se isso no grande fluxo de pessoas às casas espíritas, que estão cada vez mais recebendo novos frequentadores que buscam o auxílio que só o Espiritismo pode lhes dar, ou que o Espiritismo pode lhes dar de forma muito especial.

É justamente essa preocupação com o crescimento da Doutrina Espírita que nos motivou a trabalhar, desde a gestão do Luiz Henrique, que nos antecedeu, com o Projeto de Qualificação do Trabalhador Espírita, para que a pessoa que chega à Casa Espírita encontre uma estrutura tanto de ordem material, mas, sobretudo espiritual e de trabalhadores, humana, em condições de dar conta de atender esse movimento crescente.

Com esse Movimento crescendo cada vez mais, como unificá-lo? E como você vê a questão da unificação no nosso Estado?

A unificação é um conceito que dia após dia as pessoas vão percebendo mais, sobretudo aqueles que estão vinculados ao trabalho federativo, aos órgãos de unificação.

Acredito que o Paraná tem condições muito especiais. Essa experiência à frente da Federação de alguns anos, na condição de 2º vice-presidente, de 1º vice-presidente e agora como presidente, me permite contato com outras Federativas e percebo que o nosso Movimento é muito capilarizado. Temos uma estrutura organizacional que permite que o Conselho Regional Espírita, vou citar um exemplo: a 13ª Região, Foz do Iguaçu, que tem um determinado número de casas espíritas, eleja o seu presidente de URE. Esse presidente é membro de uma cadeira no Conselho Federativo Estadual. Temos trabalhado, incessantemente, essa necessidade de fortalecermos o Conselho Regional Espírita que são as lideranças, os presidentes dos Centros Espíritas, na região.

Quando fortalecermos isso, teremos um representante à altura daquele Movimento, membro do Conselho Federativo Estadual, e as decisões tomadas em conjunto, debatidas, discutidas, retornam e alimentam esse sistema.

Citei Foz, mas, temos essa capilaridade em todo o Movimento funcionando muito bem. Vejo que temos condições muito especiais sob o ponto de vista da unificação em nosso Estado. Claro que esse trabalho é permanente. Temos que prosseguir trabalhando.

Gostaríamos que você deixasse uma mensagem para todos os trabalhadores espíritas do Paraná.

A mensagem não podia ser outra senão a de nos mantermos entusiasmados com a tarefa que Jesus nos honrou, com os cargos que ocupamos, com os trabalhos que estão entregues às nossas mãos, porque isso é uma oportunidade para nós.

Somos nós que precisamos da Federação Espírita do Paraná, que precisamos da União Regional Espírita, da URE, do Centro Espírita.

Somos instrumentos. O trabalhador consciente sabe que é um instrumento da Espiritualidade Superior e que deve se colocar na condição de servidor. Se o Cristo disse: “Estou entre vós como quem serve”, o que vamos querer que não seja fazer isso? Deixemos de lado qualquer desejo de autopromoção, qualquer vaidade e busquemos relembrar os ensinamentos do Cristo que disse com tanta clareza: “Aquele que quiser ser o primeiro seja o servidor de todos.” Se entendermos essa mensagem vamos, com certeza, conquistar o apoio espiritual e a nossa tarefa vai florescer, vai crescer.

Não deixemos o entusiasmo de servir nessa seara maravilhosa e diariamente agradeçamos a Deus por essa oportunidade.

Desejo agradecer também a honrosa oportunidade de participar desta entrevista e ser entrevistado por você, Maria Luiza, que foi minha evangelizanda. Peguei no colo, quero dizer ao Brasil, e criança, vi nascer. Então, realmente temos aqui o fruto do trabalho da Evangelização, servindo à causa. Fico muito feliz de poder ser entrevistado por você.

Parte de entrevista gravada em 18.3.2017, durante a
XX Conferência Estadual Espírita, no Expotrade,
em Pinhais.

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