Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2018 Número 1610 Ano 86
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Wallace Leal Valentin Rodrigues

setembro/2018 - Por Mary Ishiyama

Araraquara, conhecida como Morada do sol. Nenhum outro lugar teria sido tão propício para receber, em seu seio, um homem com o brilho de Wallace.

Nascido a 11 de dezembro de 1924, em Divisa, Espírito Santo, foi para Araraquara, SP, na década de 30, com seus pais Deolindo Valentin Rodrigues e Creusa Leal V. Rodrigues e seis irmãos.

Estudou Ciências Econômicas em Ribeirão Preto, mas seu brilho era para as artes. De personalidade sensível e criativa, nutria verdadeira paixão por Araraquara e desejava transformá-la em influente centro cultural. Para isso, escreveu um texto, em 1964, intitulado Araraquara – Ano 2017, para quando a cidade completasse duzentos anos. Idealizava-a futurista com seu patrimônio histórico preservado, viva e atuante nas artes a ponto de fazer inveja às demais cidades.

Ele foi ator, diretor de teatro e cinema, escritor, tradutor, jornalista, produtor e roteirista. Sua concentração artística se fez mais presente e marcante nas décadas de 50 e 60, período no qual foi criado o Teatro Experimental de Comédia de Araraquara – TECA, de alto nível. Em oito anos, foram apresentados vinte e um títulos, inclusive em outros Estados brasileiros.

As peças eram de escritores como Tennessee Williams, Machado de Assis, Miguel de Cervantes, Giovanni Boccaccio, Maria Clara Machado, entre tantos outros.

Em abril de 1961, estreou o filme Santo Antônio e a vaca, um longa-metragem em 35mm, com o objetivo de contar o que restava do rico folclore dos campos de Araraquara, com trilha sonora e script de Wallace.

A estreia teve direito à concorrida avant-première. A polícia teve que intervir e fechar o trânsito em frente o Cine Odeon (futuro Cine Veneza). Após a sessão, o público aplaudiu em pé. Ficou dez dias em cartaz e foi assistido por cerca de doze mil pessoas. A arrecadação pagou as despesas e o excedente foi destinado a uma casa assistencial da cidade.

Sem qualquer apoio dos órgãos federais ou mesmo das autoridades locais, o filme fez sucesso e foi distribuído por todo o território nacional.

Em 1957, Wallace levou o TECA para o Rio de Janeiro em excursão teatral de dez dias, patrocinada pelo Ministério da Cultura. Recebeu boas críticas na revista O Cruzeiro e nos jornais Correio da Manhã e Última Hora.

Sempre envolvido no meio cultural,esteve na conferência realizada, em 1960, por Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara.

Wallace conheceu o Espiritismo aos dezesseis anos de idade e rendeu-se à clareza e profundidade dos ensinos. A partir daí, o divulgou por toda sua vida.

Conheceu Cairbar Schutel, fundador do jornal O Clarim e da Revista Internacional de Espiritismo. Com a desencarnação de Cairbar, Wallace assumiu o jornal e a revista como redator-chefe, por vinte e cinco anos.

Como escritor produziu: Remotos cânticos de Belém; A esquina de pedra; E, para o resto da vida; Katie King.

Como editor: A vidente de Prevorst; Segue-me; Escrínio de luz; À luz da oração; Mãe – antologia mediúnica; Meu filho vive no além; Os mortos vivem; Coisas deste mundo.

Como tradutor, destacamos Três espíritos do Natal; Sessões espíritas na Casa Branca; Viagem Espírita em 1862; Léon Denis na intimidade e Socialismo e Espiritismo.

Recebeu diversos prêmios. Em1948, o Prêmio Cija com o conto Porta aberta para fora da vida; em 1957, o Prêmio Apolo da Crítica Teatral do Rio de Janeiro, Revelação de Direção; em 1958, Prêmio Paschoal – 1º Festival de Teatro Universitário de Santos.

Em 13 de setembro de 1988, o sol de Araraquara perdeu parte de seu brilho. Wallace voltou para casa, mas não ficou esquecido.

Artistas locais, juntamente com a Secretaria Municipal da Cultura e FUNDART, procurando reviver o Araraquara – Ano 2017 realizaram, de 2 a 9 de dezembro de 2017, a Mostra Wallace Leal Valentin Rodrigues, com avant-première Wallace e a Cidade, realizada no Teatro Wallace Leal, aproveitando-se o evento para homenagear artistas da cidade e alguns convidados.

A seu respeito, escreveu Orson Carrara: Wallace buscava o belo, a cultura, a arte. Alma sensível deixou-se tocar pela Doutrina Espírita, dela fazendo o sol e a luz de sua existência.

 

Referências:

1.CARRARA, Orson Peter. Noventa anos de nascimento de uma personalidade invulgar.  Revista Internacional de Espiritismo, ano 89, n. 10, nov. 2014.

2.CAMPANI, Sérgio Luiz. Wallace, 20 anos. Revista Internacional de Espiritismo, ano 83, n. 09, out. 2008.

3.FUSCO, Flávio T. Saudoso Wallace. Revista Internacional de Espiritismo, ano 71, n. 06, jul. 1996.

4.UMA HOMENAGEM a Wallace Leal V. Rodrigues. Revista Internacional de Espiritismo, ano 79, n. 11, dez. 2004.

5.http://feparana.com.br/topico/?topico=729

Assine a versão impressa
Leia também