Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2019 Número 1625 Ano 87
Sugestão de Leitura Envie para um amigo Imprimir

Voltei

fevereiro/2009

“Antes da passagem, tudo me parecia infinitamente simples!”

 “Voltei” descreve as experiências que surpreenderam o autor em processo de desencarnação. Frederico Figner adota o pseudônimo de irmão Jacob pelas mãos abençoadas de Chico Xavier. Figner, nascido em 1866, na Boêmia, antiga Tchecoeslováquia, era negociante próspero, dono de estabelecimento comercial e industrial no Rio de Janeiro e era espírita atuante , por ocasião da gripe “espanhola”, em 1918, amparava doentes em seu próprio lar, mesmo adoentado e febril, passava grande parte do seu tempo na Federação Espírita Brasileira, como vice-presidente, atendendo a doentes e necessitados que lá iam, em grande número, buscar recursos para situações aflitivas.

Como propagandista da Doutrina, manteve sempre uma seção no “Correio da Manhã” que era lida no país todo. Promoveu a publicação de muitos livros, custeando as edições. Perdeu a filha primogênita em 1920 e desencarnou em 1947 com oitenta anos. Dois anos mais tarde, em 1949, esta obra primorosa é editada pela FEB.

Toda essa experiência e dedicação não foram suficientes para habilitá-lo a um desenlace tranquilo. Narra todo o processo complexo da desencarnação, ao qual todos seremos submetidos, com uma riqueza de detalhes impressionante. O medo, a insegurança, as dores decorrentes do desligamento são minuciosamente mostradas, mesmo tendo sido um dos mais atuantes líderes do Movimento Espírita da época. Afirma, com justa razão, que o fenômeno é complexo, merecedor de especiais considerações.

Enfatiza que durante a desencarnação a preocupação deve ser de todos. O Espírito em transe deve colaborar com equilíbrio e confiança em Deus. Aqueles que acompanham os cortejos fúnebres e os cerimoniais devem manter uma postura de caridade, primando pela oração sincera. O autor teve a oportunidade de perceber e descrever os efeitos negativos causados pelos comentários menos dignos. Elogios incabíveis, posturas agressivas ou debochadas são altamente prejudiciais ao desencarnante. As dificuldades registradas, para vencer as “ondas de forças” que se criavam ao longo dos veículos e grupos, induzia a desarmonia. Ante a necrópole, é orientado pelo bondoso Bezerra de Menezes a “deixar aos mortos o cuidado de enterrar os mortos”, enfatizando que enterros muito concorridos impõem diversas perturbações à alma.

O narrador prossegue descrevendo sua passagem pelas regiões umbralinas que sufocam a esfera dos homens, onde habitam entidades perturbadas e de aspectos comovedores. A contemplação de tais seres era lamentável, a tal ponto afligente, que não foi autorizado descrever o que viu nesse particular. Depois comenta a chegada nas regiões de repouso, onde encontraria a paz necessária junto aos amigos que o antecederam na grande romagem.

Surpreso, continua relatando de forma precisa as situações e os fatos presenciados na esfera dos Espíritos. Mais tarde, ante a aceitação humilde das próprias limitações e a mudança de comportamento, encontrou a luz que lhe faltava.

O irmão Jacob destaca a importância de não sermos apaixonados pela ideia elevada, mas sim realizadores dela no mundo.

Exalta a verdadeira reforma íntima atestando que só os conquistadores de si mesmos, no supremo Bem ao próximo, ganham posição de realce e domínio nas paragens do infinito.

Autor espiritual: Irmão Jacob
Psicografia: Francisco Cândido Xavier
Editora: Federação Espírita Brasileira

Assine a versão impressa
Leia também