Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2020 Número 1633 Ano 88

Você consegue silenciar?

julho/2020 - Por Cezar Braga Said

Silenciar é diferente de fazer silêncio.

Fazemos silêncio quando nos calamos deixando de emitir sons e expressar opiniões. Silenciamos quando temos momentos de quietude interna no pensar e no sentir, a fim de registrar aquilo que raciocinando sem parar não percebemos.

Podemos fazer silêncio como forma de protesto, defesa, implicância, indiferença e mesmo para não nos comprometer.

Silenciar implica em abrir-nos para aprender com o outro, com a natureza e com as situações cotidianas. Tal estado só é possível quando, apesar da idade, do conhecimento e das experiências acumuladas, temos olhos e alma de aprendiz.

Sendo aprendizes no fundo do nosso coração, não temos pressa em dizer quem somos, o que temos, por onde andamos e que saber acumulamos. Não nos move o desejo de competir, contestar, contrapor ou entrar em qualquer conflito a fim de nos sagrar vencedores em uma disputa argumentativa.

Neste silenciar, o observar com atenção e o sentir se tornam mais importantes do que o julgar e qualificar alguém ou alguma coisa.

Passamos a aceitar o que antes nos conduzia a um constante litígio com pessoas, instituições e conosco mesmos. Descobrimos cor, beleza e sentido naquilo que antes nos passava despercebido.

Em Mateus (6:1-7), Jesus nos recomenda discrição, modéstia e humildade na prática do bem, que podemos traduzir também por um silenciar quando fizermos boas obras. É permitir que o coração e a consciência encontrem contentamento, paz e prazer, sem que nenhum alarde ou propaganda seja necessária.

Este estado íntimo de quietude e ausência de pressa, gera gratidão e generosidade. Gratidão diante do corpo, das estações, do trabalho, da família, da grandeza do Universo e até perante as dificuldades que tanto nos ensinam a desenvolver a perseverança, a esperança e a fé.

Generosidade, porque a compaixão nos conduz a um estender braços e recursos a quem precisar, além da gentileza passar a andar um pouco mais de braços dados conosco.

Aprendemos a aguardar com lucidez o tempo do outro, respeitando com mais paciência o ritmo alheio, seus olhares, crenças e limitações.

Silenciar nos confere maior serenidade, paz, concentração e foco.

Ouça seu coração, ouça o outro, ouça a vida, torne-se um pouco mais sábio.

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