Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2019 Número 1625 Ano 87
Momento Espírita Envie para um amigo Imprimir

Viver como se não houvesse amanhã

outubro/2007

O destino de todos os seres vivos é a morte. Morrem flores, plantas, bichos, gente. Até mesmo as estrelas, que nascem em uma explosão de luz, chegam à finitude.

Morremos um pouco todos os dias. Cada anoitecer nos relembra que mais um dia se passou em nossa vida.

E isso nos deveria ser um alerta para os rumos que damos à existência.

Mas por que a morte nos assusta de tal forma?

O sábio se prepara para morrer. Mas para a maioria dos seres humanos, a simples menção da palavra “morte” é um trauma. Não falamos de morte, como se falar disso pudesse atraí-la.

No entanto, preparar-se para morrer é útil. Necessário mesmo. Não se trata de uma atitude mórbida, mas de naturalidade perante o ciclo que rege a vida.

Naturalidade? Sim, pois em nossa vida a morte é uma certeza. Podemos até não saber quando e onde ela virá, mas virá certamente.

Países, idiomas e crenças são diferentes. Mas, paradoxalmente, a grande certeza que nos une a todos é a de que um dia nosso corpo estará morto.

Por isso, vale a pena pensar de modo positivo na morte. Preparar-se para esse momento inevitável.

A psiquiatra suíça Elizabeth Kübler-Ross narra, em seus diversos livros, o sofrimento das pessoas que não se prepararam para morrer ou para dizer adeus aos parentes e amigos.

A médica – que se tornou famosa no Mundo inteiro por seus trabalhos junto a pacientes terminais – observou que a maioria das pessoas traz pendências, assuntos não-resolvidos e traumas que eclodem na hora da morte.

É que não costumamos refletir sobre a nossa própria morte. Sempre a imaginamos muito distante.

E, por isso, vamos adiando a resolução de pendências que poderiam ser solucionadas agora, com calma.

Portanto, vale a pena iniciar uma preparação. Quer uma fórmula simples?

Viva como se fosse o seu último dia. Faça o bem, seja amável e gentil.

Não deixe para amanhã as palavras de afeto, os gestos de amor. Diga à família o quanto você a ama. Deixe os papéis em ordem, os assuntos encaminhados.

Se há mágoas, esqueça, perdoe. Vire a página. Se há assuntos por resolver, esclareça, converse. Enfim, resolva.

Não deixe espaço para que um dia você lamente não ter falado na hora certa.

Viva a vida de forma simples e bela para que, ao encerrá-la, não haja muitos arrependimentos.

O músico Renato Russo tinha uma frase síntese para essa atitude: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.

Afinal, amanhã a morte pode ter vindo, silenciosa, bater à sua porta, ou da pessoa amada. E até o reencontro, então, poderá ser uma longa espera.

Faça como o poeta Manuel Bandeira. Em um de seus mais inspirados poemas, “Consoada”, ele fala sobre o dia em que a morte chegará e vai encontrá-lo preparado.

“Quando a indesejada das gentes chegar,

Talvez eu tenha medo.

Talvez sorria, ou diga:

Alô, iniludível!

O meu dia foi bom, pode a noite descer.

(A noite com seus sortilégios).

Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,

A mesa posta, com cada coisa em seu lugar”.

Possamos, todos nós, aguardar a morte com a alma leve, a consciência em paz, um sorriso de dever cumprido pairando, suave, nos lábios pálidos.

Quando essa hora chegar, o seu dia – a sua vida – terão sido bons? Pense nisso!

 Redação do Momento Espírita.

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