Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2017 Número 1601 Ano 85

Vivência cristã

novembro/2017 - Por Rogério Coelho

Fazei aos homens tudo o que queirais que eles vos
façam, pois é nisto que consistem  a lei e os profetas.
– Jesus – (Mt, 7:12)

Todos os que estamos presos à Terra sob as injunções das  provas e expiações, não estamos  órfãos  da  Divina Paternidade e nem deserdados de Sua misericórdia,  porém,  as  Leis que regem  nossas  vidas  de Espíritos Imortais são inflexíveis, e não suscetíveis de oferecer privilégios, e longe estão de serem parciais.

Criados simples e ignorantes, temos o mesmo ponto de partida e um fanal comum: a perfeição relativa.

O caminho a ser trilhado será mais ou menos extenso, dependendo do livre-arbítrio de cada um,  vez que,  segundo  as inquestionáveis palavras de Jesus[1], a  cada  um será dado de acordo com as suas obras. Ou seja: obedientes e resignados,  encurtaremos   a distância  que  nos separa da meta; insensatos e revoltados alongaremos a caminhada que se tornará, então, árdua, penosa, difícil.

Jesus é o Guia e Modelo a ser seguido e, como tal, faz-se necessário   adestrarmo-nos na ética comportamental cristã, para nossa própria felicidade e segurança.

Assim, quando Pedro questiona sobre o perdão, Jesus lhe diz (em outras palavras) que  ele  deve ser  ilimitado e incondicional. Ele nos ensina o esquecimento de nós mesmos como agente  facilitador  de nosso trânsito  nas  brumas terrestres. Tal condição  ensejar-nos-á  a invulnerabilidade ao ataque de nossos inimigos de ambos os planos da vida, aos maus procedimentos e às injúrias, localizando-nos no arremansado estuário da mansuetude, mansuetude essa que não deve ter medidas e no espírito da qual se alteará uma característica singular e pouco conhecida: a inofendibilidade… Isto nos fará brandos e humildes de coração. Dessa forma, poderemos esperar o perdão do Pai Celestial que solicitamos todas as vezes que pronunciamos a Oração Dominical, e só assim conseguiremos erradicar as consequências funestas ocasionadas  pelos equívocos. É o que entendemos com a assertiva de Simão Pedro[2]: O amor cobre a multidão  de pecados.

Mergulhemos, pois, nas tépidas e acolhedoras águas do Evangelho de Jesus, banhando-nos de luz e amor, a fim de que nossa vida encontre, enfim, o oceano da caridade emancipadora. Mas não falamos da caridade expressa em valores argentários – sem dúvida de muita relevância – mas, da caridade desconhecida e, por isso mesmo, pouco praticada: a de um posicionamento ético-cristão na vida de relação, doando-nos, quanto possível, segundo orienta o Espírito Neio Lúcio[3](…) em boas palavras e gestos pessoais  de conforto   e  estímulo  a  quantos  se  acham  em  sofrimento   e dificuldades;  guerreando  o mal, em todas as  circunstâncias  de nossa marcha na Terra; extinguindo, (…) com incessante atenção, todos os pensamentos inferiores que nos são sugeridos; retraindo-nos  quando em contato com  pessoas interessadas na maledicência, sem, contudo, perder a  oportunidade de exaltar essa ou aquela virtude da vítima ausente; recolhendo-nos à quietude ante a ira enfermiça; recebendo  os insultos alheios à  maneira  de calhaus em barril de mel; não  reagindo  e  prosseguindo  a   caminhada tratando o ofensor com a fraternidade habitual; não  agasalhando  a calúnia  em  nossa  alma, permitindo a perda de seu veneno no silêncio; desfazendo as nuvens de incompreensão, sem alarde, antes que tome feição tempestuosa; sendo zelosos contra a incursão e extensão do mal.

Com tal modus-vivendi e operandi não há o que temer dos tribunais divinos quando da prestação de contas de nossa atual passagem pela Terra.

Não olvidemos – jamais – a santificante batalha do sereno e metódico combate ao mal, em esforço  diário, fazendo  aos homens tudo o que queremos que eles nos façam. Com tal vade-mecum, não nos perderemos nos intricados meandros  da evolução  e, presto, alcançaremos a nossa sublime  e  alcandorada destinação: a perfeição relativa e a felicidade imarcescível, sem mescla.

 

Bibliografia:

  1. BÍBLIA, N. T. Mateus. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais no Brasil, 1988. cap. 16, vers. 27.

2.______. Primeira epístola de Pedro. cap. 4, vers. 8.

3.XAVIER, Francisco Cândido. Jesus no lar. Pelo Espírito Neio Lúcio. 37. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2008. cap. 20.

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