Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87
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Vinho

junho/2019

Importante, ao compulsarmos os textos bíblicos, termos em mente o significado das palavras. O vinho e a viticultura são mencionados pela primeira vez, na Bíblia, no livro de Gênesis, capítulo 9, versículos 20 e 21, em que noticia o plantio da vinha e as desastrosas consequências da ingestão do vinho por Noé.

As vinhas eram plantadas geralmente nas ladeiras bem colocadas, de morros e montanhas, protegidas do gado e das feras, por uma sebe, havendo detalhes em muitos textos, a respeito dos cuidados que lhes eram devidos.

A colheita, entre o povo hebreu, constituía um período de alegria e acontecia entre os meses de setembro e outubro.

As uvas eram levadas para o lagar, geralmente construído na própria vinha. Ele constava de duas partes, entre as quais havia comunicação.

A parte mais alta era para espremer as uvas, com os pés. Na parte mais baixa colhia-se o suco, que era guardado em jarros. Para se transformar em vinho para a fermentação usavam-se odres novos, feitos de peles de animais.

Em muitos textos bíblicos salienta-se que a abstenção total de ingestão de vinho ou outras bebidas fortes era exigida para o exercício de determinadas funções sacerdotais.

Importante ter em conta a abrangência do termo vinho: assim se denominava o suco quanto o produto fermentado. Por isso entender que fosse servido a crianças (o suco).

Por sua composição singular o vinho foi utilizado no passado como medicamento, substância antisséptica, anestésico e até mesmo como método químico para tornar a água potável.

No Novo Testamento, encontramos que, misturado à mirra, constituía um entorpecente, destinado, em especial, aos condenados à crucifixão, a fim de lhes aliviar as dores. Recordamos que Jesus rejeitou a esponja embebida nessa substância, que lhe foi oferecida, ao declarar que tinha sede, no intuito de manter a Sua total lucidez: Então lhe deram vinho misturado com mirra, mas ele não o bebeu.1

De igual forma, possivelmente misturado a certas ervas, constituía medicamento, conforme registra a Parábola do Bom Samaritano: Aproximou-se, enfaixou-lhe as feridas, derramando nelas vinho e óleo. 2

Podemos entender, igualmente, a exortação de Paulo a Timóteo: Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades.3

Nesse particular, como em todos os escritos, sobretudo sazonais, importante se recorra aos costumes, à cultural local da época, a fim de entendermos melhor as orientações, as descrições, fatos apresentados.

 

Referências:

1.BÍBLIA, N. T. Marcos. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais no Brasil, 1988. cap. 15, vers.23.

  1. Op. cit. Lucas. cap. 10, vers. 34.
  2. Op. cit. I Timóteo. cap.5, vers. 23.
  3. BORN, A. Van Den. Dicionário Enciclopédico da Bíblia. Petrópolis: Vozes, 1985. Vinho.
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