Jornal Mundo Espírita

Janeiro de 2020 Número 1626 Ano 87
Genialidade e mediunidade Envie para um amigo Imprimir

Victor-Marie Hugo

fevereiro/2020

Seu contato com as mesas girantes datam de setembro de 1853, quando visitado, em seu exílio na ilha de Jersey, por Mme de Girardin.

As sessões mediúnicas continuaram até outubro de 1855 e os diálogos foram com personagens como Maquiavel, Rousseau, Marat, Molière, Shakespeare, Galileu, Ésquilo e outros que se apresentaram como a Sombra do Sepulcro, Drama e Morte.

Fenômenos se fizeram presentes em sua vida sob múltiplos aspectos: ruídos, pancadas nas paredes, visões, premonições, dadas as suas várias faculdades mediúnicas.

Graham Robb, um dos seus mais conceituados biógrafos, informa que o Espírito A Dama Branca visitava Hugo em seu quarto e veio a ser a inspiradora de alguns de seus incomuns poemas de amor.

Outro comunicante, o Espírito Morte, convida-o a dar uma outra dimensão à sua obra e à sua vida: Vem realizar tua outra obra, vem olhar o inabordável, vem contemplar o invisível, vem achar o improvável, vem transpor o intransponível, vem justificar o injustificável, vem realizar o não-real, vem provar o improvável.

Referindo-se a essa influência, Camille Flammarion afirma em Les Annales Politiques et Littéraires (7.5.1899): Victor Hugo, alguns anos antes de sua morte, conversou pessoalmente comigo; ele jamais deixou de acreditar nas manifestações dos Espíritos. Esta crença inquebrantável, cujas raízes remontam às experiências de Jersey, por ocasião das frequentes sessões com as mesas falantes, foi, para o gigante da literatura do século XIX, a motivação para a vida, para o trabalho e para o amor a seus semelhantes.

Victor Hugo escreveu, em maio de 1885, mês e ano de sua desencarnação: Tudo é radiante em meu Espírito. (…) Dizeis que a alma é apenas a expressão das forças corporais. Então, por que minha alma é mais luminosa, quando essas forças corporais vão em breve abandonar-me? O inverno jaz sobre minha cabeça, mas a primavera eterna invade minha alma! (…) Quanto mais me aproximo do fim, mais escuto em torno de mim as imortais sinfonias dos mundos que me chamam! Quando me curvar para o túmulo, não direi como tantos outros: terminei minha jornada. Não, a sepultura não é um beco sem saída, é uma avenida; ela se fecha no crepúsculo e vem se reabrir novamente na aurora!

Em 1916, retornaria à literatura, através da médium Zilda Gama, que identificou como a reencarnação de sua amada filha Léopoldine, ofertando-nos  os romances Na sombra e na luz, Do calvário ao infinito, Redenção, Dor suprema, Almas crucificadas, publicadas pela Federação Espírita Brasileira.

Depois, em 1971, através de Divaldo Pereira Franco presenteou-nos com oito obras, sendo a primeira Párias em redenção.

 

Referências:

  1. SCHNEIDER, Maria do Carmo Marinho. Victor Hugo e o Espiritismo. Revista Cultura Espírita, ICEB, fev. 2013.
  2. SOARES, Sylvio Brito. Grandes vultos da Humanidade e o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 1975. cap. Victor Hugo.
  3. WANTUIL, Zêus. As mesas girantes e o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 1958. cap. 16.

 

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