Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87

União primeiro

setembro/2014

Olhando posturas de pessoas em algumas organizações espíritas, identificamos uma divisão interna em duas ou mais partes, ou grupos que, constantemente, disputam a administração da Instituição.

Essa disputa leva o grupo vencedor a administrar a obra, alocando nas diversas atividades somente aquelas pessoas consideradas como membros do seu grupo, deixando em segundo plano os demais, mesmo quando portadores de excelentes condições de trabalho, pelo conhecimento e vivência doutrinária. Por outro lado, os membros do grupo perdedor, em várias ocasiões, deliberadamente se afastam das tarefas, como maneira de não colaborar com o adversário, evitando assim, em sua concepção, o sucesso do outro grupo. Há situações em que, maliciosamente, deixam os outros na mão, mesmo se convidados a colaborar com o trabalho, a fim de verem o descompasso dessa ou daquela tarefa, aguardando o momento para dizer: Vejam só como está agora o trabalho… Bastou eu sair para dar no que deu… Se tivesse sido eu ou fulano o eleito para a direção da Casa, tudo estaria diferente…

Isso quando não descambam para as agressões mútuas, veladas, porém reais, da calúnia, da maledicência, do boicote, da omissão, do abandono.

Lastimável e entristecedora essa realidade em algumas searas espíritas, apesar da excelência e da clareza da mensagem que a pura Doutrina contém, a qual cada grupo diz professar e vivenciar.

Porque o coração deste povo está endurecido. E ouviram de mau grado com seus ouvidos, e fecharam seus olhos. Para que não vejam com os olhos e ouçam com os ouvidos, e compreendam com o coração, e se convertam, e eu os cure. (Mt. 13:15)

Esses espíritas reunidos em grupos fraternalmente antagônicos (em várias ocasiões não tão fraternos assim) se parecem com um mendigo de certa cidade do interior do País, que vivia das esmolas que os bons corações lhe doavam e morava em uma gruta, nos arredores da localidade.

Transcorreu o tempo sem mudança alguma. Ele esmolava. Alguns doavam. E ele sobrevivia.

Um dia, ele não apareceu para pedir dádivas. Depois de alguns dias, corações que com ele haviam se afeiçoado resolveram procurá-lo. Foram até a gruta. Lá estava ele. Morto.

Tomados de compaixão, deram-lhe sepultamento digno e resolveram limpar a gruta, dando fim às coisas que ele havia acumulado ao longo dos anos.

No momento da remoção das sujeiras no chão, se depararam com um polpudo tesouro que ali fora deixado por alguém, em tempos recuados, quase à superfície.

E todos concluíram que o mendigo passara a sua vida em constante petitório, dependendo de esmolas, ao mesmo tempo dormindo sobre um fabuloso tesouro que, para encontrá-lo bastaria ter se disposto a fazer uma simples faxina em sua morada.

O Movimento Espírita é detentor de um fabuloso tesouro, que pode sustentar o mundo todo: a Doutrina Espírita.

Alguns já fazem bom uso desse tesouro, em benefício próprio e do próximo. Outros, porém, dormem sobre ele.

Pelo bem geral, se faz desafio de urgência o alcance da duradoura união fraterna entre todos.

O Venerando Espírito Bezerra de Menezes insiste com nosso entendimento, para que compreendamos: Unamo-nos, amemo-nos, realmente, e dirimamos as nossas dúvidas, retificando as nossas opiniões, as nossas dificuldades e os nossos pontos de vista, diante da mensagem clara e sublime da Doutrina com que Allan Kardec enriquece a nova era, compreendendo que lhe somos simples discípulos.(…)

Demo-nos as mãos e ajudemo-nos; esqueçamos as opiniões contraditórias para recordarmos dos conceitos de identificação, confiando no tempo, que é o grande enxugador de lágrimas e a tudo corrige.

Recordemos, na palavra de Jesus, que “a casa dividida rui”, todavia ninguém pode arrebentar um feixe de varas que se agregam numa união de forças.

… a União deve viger em nossos corações.(Aos espíritas, Divaldo Franco, ed. LEAL. Cap. 4)

União primeiro…

Para muitos se faz objetivo buscado com persistência e determinação. Para outros, letra morta.

Por esses outros é que, de certo modo, o Movimento Espírita, é máquina a meio vapor. Para esses que causam embaraços propositais, o alerta de Jesus: Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando. (Mt. 23:13)

Máquina a meio vapor: expressão usada na navegação, significando pequena velocidade da embarcação, adotada por questões operacionais do momento, ou, ainda, para expressar problemas impondo lerdeza, a contragosto ou incapacidade do operador em dar ritmo, de acordo com o potencial do barco.

O Espírito de Verdade, em O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, cap. XX , item 5, recomenda:

Ditosos os que hajam dito a seus irmãos:

“Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra”, porquanto o Senhor lhes dirá: “Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra!” Mas, ai daqueles que, por efeito das suas dissensões, houverem retardado a hora da colheita, pois a tempestade virá e eles serão levados no turbilhão!

A Federação Espírita do Paraná, tendo completado mais um ano de sua profícua existência, conclama, como o vem fazendo nos seus 112 anos: Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra.

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