Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87

União e concórdia

outubro/2017

Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros;
porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm uma mesma
função, assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros.
Paulo, Romanos, 12: 4, 5 e 9

 

O amor é a base sobre a qual devemos edificar o nosso aperfeiçoamento espiritual. Sem amor, no plano dos serviços, nossos esforços serão dolorosos e os resultados diminutos e vãos.

Quando o Apóstolo dos gentios, em uma de suas sublimes páginas de humildade e amor, considera os cristãos como membros de um corpo em Cristo, com funções diferentes, põe em relevo a missão de cada membro no conjunto complexo das atividades que foram distribuídas segundo a capacidade, a habilidade e a responsabilidade de cada um.

Os encargos que apraz ao Senhor confiar aos aprendizes, são mais ou menos delimitados no espaço e no tempo. Usando o seu livre-arbítrio, cada obreiro pode ampliar ou reduzir a grandeza de sua obra; pode malbaratá-la, torná-la má ou mesmo não fazê-la; pode desviá-la do seu rumo, impulsionado por injunções estranhas ou sob o influxo de fatores íntimos ou de forças incoercíveis; pode, enfim, acertar ou errar, dependendo a sua vitória das diligências que fizer para não falir. É uma batalha na senda da vida, em que pode vencer ou ser vencido. Tudo depende do seu esforço próprio e, sobretudo, de humildade, abnegação e espírito de sacrifício.

Os que labutam na difusão do Espiritismo estão distribuídos nos mais variados setores. A complexidade do trabalho ultrapassa os limites da concepção humana. Em cada país, em cada Estado, em cada aldeia ou cidade, no seio dos lares, nas oficinas, nos hospícios e nas prisões, em toda a parte, enfim, o aprendiz espírita tem deveres a cumprir. É um membro do corpo de ação em Cristo e o seu papel na sociedade é de capital importância, por mais ínfima que pareça a sua condição social e por mais obscura e ignorada que seja a sua atuação. Os homens podem ignorar, entre si, os atos que praticam, mas a Lei de Justiça que regula a vida eterna registra tudo e não ignora absolutamente nada.

Apreciando, assim, de relance, as nossas funções individuais, dentro do que dissemos linhas acima, e analisando bem o que cada um de nós tem feito ou está fazendo na propaganda do Espiritismo, não será difícil verificar que constantemente abandonamos o que nos compete fazer em nosso setor para invadir e perturbar o campo de trabalho dos outros. É um velho hábito que precisamos corrigir. Devemos ajudar-nos uns aos outros, buscando cooperar no quadro geral dos serviços, como órgãos conscientes que sabem o que estão fazendo, porque o cérebro, o coração, o fígado, os pulmões, os rins, os olhos, a língua, os ouvidos, os pés, as mãos, todos são importantes na economia orgânica. Qualquer deles que falhe perturbará o corpo inteiro.

O grande Apóstolo teve razão quando exortou os seus contemporâneos. A situação, hoje, após séculos, é a mesma.

A Humanidade é um todo. Quando um membro sofre, os demais sentem o reflexo. Não há felicidade exatamente por isso. A ignorância, mãe da incompreensão, gera os dissídios e as torturas e infelicita os homens. Ora, que os de outros credos religiosos procedam assim, vá, são ignorantes e serão julgados como tais; mas, nós outros, espíritas, que já sabemos o que nos espera, se procedermos como eles é porque queremos permanecer acorrentados aos sofrimentos originários dos maus atos que praticamos. Lutemos, pois, contra os nossos defeitos. Unamo-nos solidariamente na obra comum em que estamos empenhados. Cada um em sua função deverá aprimorar a sua obra, cuidando do asseio do vaso que representa na vida, para que o Senhor Jesus se utilize de nós como instrumentos para a realização de seus desígnios. Só assim teremos paz e a nossa obra resistirá à violência das paixões e das tormentas.

Lins de Vasconcellos
Jornal Mundo Espírita de 24.5.1954

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