Jornal Mundo Espírita

Abril de 2017 Número 1593 Ano 85
Léon Denis 2

Uma viagem através da literatura espírita de Léon Denis

Noventa anos de desencarnação – 1927 – 2017

abril/2017

Ele desencarnou no dia 12 de abril de 1927, em Tours, na França, exatamente na cidade na qual teve o seu primeiro encontro com Allan Kardec, o que lhe marcou profundamente a alma.

A partir de 1910, sua visão começou a diminuir, mas isso não impediu que prosseguisse no trabalho de defesa da existência e sobrevivência da alma. Logo depois da Primeira Guerra Mundial, aprendeu a linguagem Braille.

Em 1925, foi aclamado presidente do Congresso Espírita Internacional (Paris). Nesse Congresso, pretenderam retirar o aspecto religioso do Espiritismo mas Denis se opôs a isso com tenacidade.

Ele trabalhava em seu novo livro O gênio celta e o Mundo Invisível quando foi acometido pela pneumonia, e com a ajuda de duas secretárias, conseguiu concluir a obra.

Ao longo de sua vida manteve estreita ligação com a Federação Espírita Brasileira, tendo sido aprovada por unanimidade a sua indicação para sócio distinto e presidente honorário da instituição (1901).

A sua grande produção na literatura espírita, bem como o seu caráter afável e abnegado, valeram-lhe a alcunha de Apóstolo do Espiritismo.

Quando nos entregamos à leitura de Léon Denis, temos a impressão de percorrer alguns desses lugares pitorescos, coloridos pela suntuosa luz do outono. Os quadros apresentam tons cálidos e palidez agonizante, jogos de sol e sombra, canções de alegria e vozes de melancolia. E, dominando esse panorama de onde sobem os rumores da terra, estende-se o grande céu, tecido de azul e de luz.2

 

Giovana (1880) – fascinante história de amor e espiritualidade, que consegue ser didática, sem perder o encanto do texto literário e o interesse de uma trama bem elaborada.

O porquê da vida (1885) –  ensinamentos úteis, fruto das vigílias, reflexões, de esperanças, de tudo que consolou e sustentou em sua caminhada  a Denis, conforme suas palavras.

Depois da morte (1889) – temas filosóficos, análise de antigas religiões, o surgimento do Espiritismo como uma crença nova apoiada em fatos, capaz de revelar ao pensamento humano o que se passa no além-túmulo.

Cristianismo e Espiritismo (1898) – a perfeita identidade da Doutrina Espírita com os preceitos do Cristianismo puro, a confirmação nas escrituras sagradas de conceitos espíritas, como a mediunidade e a reencarnação.

O Além e a sobrevivência do ser (1901) – relatos de casos comprovados de comunicação dos Espíritos, obedecendo aos cânones científicos do método experimental.

No Invisível (1903) – o Espiritismo experimental e suas leis, os fatos, as grandezas e misérias da mediunidade.

O problema do ser, do destino, da dor (1905) – evolução do pensamento, vida no além, provas históricas da reencarnação, a lei dos destinos, as potências da alma.

Joana d’Arc, médium (publicada, inicialmente, com a denominação de A verdade sobre Joana d´Arc, em 1910. Reapareceu, em 1912, com o novo título) -  um retrato físico e moral da heroína francesa, sua prisão,  processo, suplício, os fenômenos mediúnicos que a cercaram.

O grande enigma (1911) – temas ligados ao Universo e à natureza, demonstrando o porquê da existência do homem e a lei do destino.

O Mundo Invisível e a guerra (1919) – série de comunicações espirituais, no período da Primeira Guerra Mundial, destacando a influência dos Espíritos nos acontecimentos, os horrores da guerra e suas consequências no plano espiritual.

Espíritos e médiuns (1921)  - resumo de estudos sobre a mediunidade.

O Espiritismo na arte (1922) – o belo na arquitetura, pintura, escultura, música, literatura, a beleza se manifestando através do artista encarnado na Terra.

 O gênio céltico e o Mundo Invisível (1927) – origem dos celtas, o druidismo, a experimentação espírita, o Mundo Invisível.

 

Léon Denis, acamado, realizou a revisão do livro. Disse à secretária que o enviasse para a gráfica no dia 15, providenciou os valores a serem pagos.

Recomendou1: Sabes muito bem que eu não quero uma grande quantidade de flores, apenas as sempre-vivas amarelas, insígnia dos espíritas; a sempre-viva é o emblema da imortalidade e a cor amarela é o símbolo da luz.

As sempre-vivas amarelas são usadas, tradicionalmente, na França, para a confecção das coroas funerárias e empregadas em cerimônias fúnebres, mas não excluem o uso de outras flores.

No caso de Léon Denis foram empregadas com exclusividade. Em francês, essas flores têm a denominação de immortelles.

Preocupado com a causa à qual dedicou a sua vida, registrou suas últimas vontades legando ao Sr. Jean Meyer  a propriedade das suas obras figurantes na Biblioteca de Filosofia Espiritualista Moderna e de Ciências Psíquicas, que ele fundou.1

Também os volumes e brochuras em depósito na impressora Arrault, em Tours, assim como os clichês, impressões e acessórios relacionados a estas obras. Se, ao decesso do Sr. Jean Meyer, o funcionamento de sua Biblioteca, acima designada, se encontrar comprometida, minhas obras cairão no domínio público e todos os publicistas poderão reproduzi-las, com a condição de se conformarem escrupulosamente ao texto de cada última edição sob o controle e supervisão de meus executores testamentários.1

Deixou grande parte dos seus bens ao departamento de Assistência Social de Tours e ao Instituto de França (entidade oficial que distribui prêmios, bolsas de estudos, etc.)

Foi um exemplo de fidelidade a seus princípios e de inesgotável bondade.

 

Bibliografia:

1.BAUMARD, Claire. Léon Denis na intimidade. Matão: O Clarim, 1982. cap. X.

2.LUCE, Gaston. Léon Denis – vida e obra. São Paulo: EDICEL, 1978. pt. 5, cap.IV.

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