Jornal Mundo Espírita

Julho de 2020 Número 1632 Ano 88

Uma Nova Estrela nos céus de Belém

dezembro/2019

E a luz resplandeceu nas trevas, e as trevas não a compreenderam.1

Hoje sabemos que é preciso olhos de ver a luz…

E a Luz Essencial nos falou: Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.2

Hoje sabemos que é preciso ouvidos de ouvir…

Jesus sabia que sem o entendimento de quem era Ele e em nome de quem Ele aqui estava, não haveria predisposição dos corações humanos para reconhecê-lO como Mestre das Lições da Luz e como o Enviado do Pai Comum.

Para tanto, não mediu esforços em ensinar as mais sublimes lições, em linguagem simples e com exemplos inesquecíveis, pois lecionava também com Seus feitos extraordinários.

E dEle transpareciam as mais puras intenções, dizendo-nos: Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis. Mas, se as faço, e não credes em mim, crede nas obras; para que conheçais e acrediteis que o Pai está em mim e eu nele.3

E insistia em nossas atenções e reflexão, referindo-se às inúmeras vezes em que nos falava, ensinando, e resistíamos, não crendo. Porém, arrematava Ele, não deixando margens a infrutíferas discussões: As obras que eu faço, em nome de meu Pai, essas testificam de mim.4

Como ignorar um paralítico que voltou a andar, um cego que voltou a enxergar, um mudo que voltou a falar?

Identificar o Pai no Filho. Negar o Filho é negar o Pai.

Incansável, repetia, a cada oportunidade: As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras.  Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.5

E prosseguiu com Suas lições, construindo em nós entendimento capaz de reconhecimento da presença de Deus junto a Ele e aos filhos todos, sem exceção, aclarando que o Pai ama o Filho, e mostra-lhe tudo o que faz; e ele  lhe mostrará maiores obras do que estas, para que vos maravilheis.6

Tal a sublimidade daqueles momentos, onde cada palavra e cada feito se convertia num marco indicativo do Caminho, que João declarou que ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo o homem que vem ao mundo. 7

No entanto, o trabalhado reconhecimento da existência e manifestação de Deus e da presença messiânica do Cristo, adotando-se Seus ensinos como modelo de vida, vinha em benefício de cada um, desde que, em verdade – afirmava Jesus – aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas…8

Superadas as fases do entendimento e do reconhecimento, se apresenta a fase da identificação pela essência, revelada pelo Mestre, ao afirmar-nos que somos a luz do mundo, e que, diante disso, não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte, nem a luz sob o velador.9

E essa nossa identificação com Jesus se expressa no pensar, no sentir e no agir, pois, quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, aconteçam, apareçam, beneficiem, construam.10

Lucas nos assevera e ensina que se todo o nosso corpo é luminoso, não tendo em trevas parte alguma, todo ele será luminoso, como quando a candeia nos ilumina com o seu resplendor.11

A identificação é estado de consciência lúcida, que devemos conquistar, integrando-nos no Todo, em unidade sagrada, como se depreende da assertiva de Jesus: Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim.12

*

Falou-nos o grande apóstolo Paulo: A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas, e vistamo-nos das armas da luz.13

Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz.14

Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas.15

*

Do vazio, fez-se o céu e a Terra e Deus disse: Haja luz, e houve luz.

O princípio de tudo, conforme nos traz a Bíblia, em Gênesis, é bem conhecido no mundo cristão.

Sucedem-se as eras, e naquela noite única se fez uma nova estrela nos céus de Belém, anunciando o nascimento da Luz Viva do Mundo.

Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e eternamente!

A Ele roguemos: Mestre da Verdade e do Bem, da Humildade e do Amor, permite que o astro sublime de teu Natal brilhe, ainda, na noite de nossas almas e estende-nos caridosas mãos para que nos livremos de velhas feridas, marchando ao teu encontro na verdadeira senda de redenção.16

Referências:

  1. BÍBLIA, N. T. João. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais no Brasil, 1988. cap. 1, vers. 5.
  2. Op. cit. cap. 12, vers. 46.
  3. Op. cit. cap. 10, vers. 37 e 38.
  4. Op. cit. cap. 10, vers. 25.
  5. Op. cit. cap. 14, vers. 10 e 11.
  6. Op. cit. cap. 5, vers. 20.
  7. Op. cit. cap. 1, vers. 9.
  8. Op. cit. cap. 14, vers. 12.
  9. Op. cit. Mateus. cap. 5, vers. 14 e 15.
  10. Op. cit. João. cap. 3, vers. 21.
  11. Op. cit. Lucas. cap. 11, vers. 36.
  12. Op. cit. João. cap. 17, vers. 23.
  13. Op. cit. Romanos. cap. 13, vers. 12.
  14. Op. cit. Efésios. cap. 5, vers. 8.
  15. Op. cit. I Tessalonicenses. cap. 5, vers. 5.
  16. XAVIER, Francisco Cândido. Antologia mediúnica do Natal. Por Espíritos Diversos. Rio de Janeiro: FEB, 1982. cap. 29.
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