Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2018 Número 1613 Ano 86

Uma mocidade atuante – um jovem idealista

janeiro/2016 - Por Graça Maria Cruz

Aldrovando Góes conta a saga da Mocidade Espírita Leopoldo Machado, de Santo Antonio da Platina, nos anos de 1950 e 1960, que atuou de forma extraordinária, na divulgação da Doutrina Espírita.

Foi de Aldrovando a ideia de denominar O Moço, o jornal mensal com publicações de mensagens e artigos retirados de livros espíritas, e ações das Mocidades de Santo Antonio da Platina, Cambará e Joaquim Távora. (Jornal Mundo Espírita, julho 2015, p. 19)

Foi também sua a ideia de transformar histórias espíritas, em filmes a partir de desenho animado, uma verdadeira revolução. Para sua efetivação, a Mocidade publicou um anúncio em jornais, buscando desenhistas espíritas voluntários.

Apareceram dois: Messias Melo que, na época, era um dos maiores desenhistas do Brasil,  e  deixou o Projeto após dois meses. Mizael Garbim, da cidade de Mayrink, no Estado de São Paulo, trabalhou durante vários anos, relembra Góes.

A ideia dos filmes surgiu após a leitura de uma reportagem sobre uma empresa dos Estados Unidos e que tinha representante, na cidade de Campinas. Ele foi conhecer os mecanismos da filmagem, que lhe foram repassados.

Surgiu a Áudio Visual, com estrutura montada em Santo Antonio da Platina.

Para a exibição dos filmes, a Mocidade adquiriu um projetor e, com ele, surgiu mais uma ideia de Aldrovando, chamado de Professor Pardal, numa alusão ao inventor, personagem de Walt Disney: disponibilizar os filmes para outras casas espíritas.

Por ser comerciante de uma loja de eletrodomésticos, não lhe foi difícil negociar uma grande quantidade de projetores, por um preço acessível, que revendeu às Casas Espíritas, bem assim os filmes produzidos.

De acordo com ele, em um tempo em que não se falava nesse sistema, foi criado um consórcio, para facilitar o acesso ao material. Também havia venda a prestações. Foram comercializados cerca de duzentos projetores e cinco mil filmes.

Diz Góes: Conseguimos atingir o objetivo de promover a Doutrina Espírita com esses filmes, mais entre as crianças e os adultos não espíritas. Chegamos a exibi-los em escolas do município.

Em 1960, o jornalista e escritor espírita José Herculano Pires, produzia um programa radiofônico espírita, na cidade de São Paulo. Góes o procurou Pires e conseguiu autorização para reapresentar o programa na Rádio de Santo Antonio da Platina e, ainda, revender fitas cassetes do programa.

Herculano Pires nos enviava o programa em fitas de rolos, repassávamos para as cassetes, revendíamos para as Casas Espíritas e para os que tivessem interesse. O resultado financeiro dos filmes e das fitas mantinha os custos dos materiais para as novas produções da Mocidade.

A imaginação dessa Mocidade Espírita não tinha limites. Como havia, na cidade, cinco casas Espíritas, os jovens passaram a abordar os frequentadores, para que houvesse a junção de todas em uma só. Também começaram a promover reformas na estrutura da casa onde se reuniam, para a construção de um anfiteatro, onde encenariam peças teatrais, o que lhes valeu, aliada a outras ações como a promoção de um grande Natal para os carentes, que superou todas as já feitas na cidade, inclusive pelo Lions Clube e Rotary Clube, a expulsão do Centro Espírita. Inconformados, procuraram a diretoria da Federação Espírita do Paraná. João Ghignone e Abibe Isfer se deslocaram a Santo Antonio, e a Mocidade acabou ganhando o direito de retorno à Casa Espírita.

Passados alguns anos, em 1968, repetindo-se o fato, os jovens optaram por constituir a Sociedade Espírita Leopoldo Machado – SELMA.

O empreendimento desejado, a construção de um abrigo para crianças, não chegou a ser alcançado, mas foi adquirido um terreno, onde se construiu a sede da Instituição, que passou a abrigar o laboratório dos filmes.

Uma das ideias do grupo se materializou, quando as cinco casas espíritas de Santo Antonio da Platina fundiram-se na hoje ainda ativa União Espírita Jesus Nazareno.

Aos 76 anos, Góes mantém a imaginação inquieta, através de livros de ciência, reportagens de jornais e revistas e lembra que muitas descobertas da ciência atual estão de acordo com o que o Espiritismo revelou em 1857.

Tem em mente ainda vários projetos, que afirma serão seu legado. Se não for possível concluí-los, outros quem sabe darão continuidade, ou talvez volte em outras encarnações para concluí-los, diz, com a tranquilidade de quem sabe que as existências se repetem.

Gosta muito da palavra serendipity, que representa a descoberta, de forma acidental, de algo que tenha ou desperte muito valor para nós, ou que nos seja útil.

Além de comerciante, Aldrovando Góes foi professor primário, é técnico eletrônico e em fotografias. Um jovem idealista.

Diretoria da Mocidade no período citado na matéria

Presidente – Paulo Zanon

Vice-Presidente – Aldrovando Góes

1ª Tesoureira– Aparecida Poli

2º Tesoureiro – Mário Poli

1º Secretário – Jair José da Silva

2º Secretário – Silvano Poli

Diretor Artístico – Gelmires Rodrigues

Diretor de Patrimônio – Rivail Marques

Bibliotecárias – Luisa Zanon e Dulce Antonia Olivatti

Diretor de Propaganda – Jair José da Silva

Diretores Sociais – Mário Poli e Zilda Marques.

Foto: Graça Maria Cruz

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