Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87
Revivendo Ensino Envie para um amigo Imprimir

Uma manifestação insólita – O piano de Carlos Gomes

novembro/2018

A Folha do Norte, do Pará, deu conta, no seu número de 22 de janeiro último [1922], do seguinte fato:

Pela madrugada de ontem ocorreu fato singular e impressionante na sede da Associação de Imprensa. Alguns motoristas, dos que estacionam em frente ao City Club, contíguo à sede do Grêmio dos Jornalistas, e outras pessoas que por ali passavam, foram tocados de surpresa com a execução ao piano de um trecho musical, partido do interior daquele prédio, que se achava fechado sem que denunciasse a presença de qualquer pessoa no interior.

Impelidos por  tão estranho acontecimento e perplexos pelo esquisito ruído, detiveram-se os curiosos, a princípio estáticos, para depois, calmamente, constatarem a veracidade do singular fenômeno.

Fazia-se música harmoniosa e sedutora.

Na sala da frente da Associação de Imprensa, da qual partiam os acordes maviosos, encontra-se o célebre piano que pertenceu a Carlos Gomes, e que há uns dois anos foi reparado, após sua transferência do Teatro da Paz, onde jazia abandonado, para a sede desse grêmio, que o conservava carinhosamente como uma relíquia preciosa.

O fato, que a todos impressionou, deu lugar a que muitos dos ouvintes supusessem vibrar no organismo desmantelado do instrumento o espírito glorioso do grande músico nacional.

A redação
Revista de Espiritualismo, abril de 1922

 

Carlos Gomes (11.7.1836, em Campinas/SP – 16.9.1896, em Belém/PA) foi um compositor, autor da ópera O Guarani, inspirada no romance do escritor José de Alencar, apresentada em Milão, em 19 de março de 1870.

O sucesso europeu da ópera se repetiu no Brasil. No dia 2 de dezembro de 1870, no aniversário de Dom Pedro II, ela foi apresentada no Teatro Lírico do Rio de Janeiro, quando o compositor viveu intensa emoção e consagração.

Em 1860, compôs a modinha Quem Sabe? (Tão longe de mim distante / Onde irá, onde irá teu pensamento…) cantada ainda hoje.

O Imperador Dom Pedro II o agraciou com a Imperial Ordem da Rosa. Em Milão, foi aluno do compositor Lauro Rossi, que ficou encantado com o jovem aluno.

A partir de 1882, dividia seu tempo entre o Brasil e a Europa. A ópera Lo Schiavo, que por vários motivos não pôde ser representada na Itália, foi levada à cena, no Teatro Imperial Dom Pedro II, no dia 27 de setembro de 1887, em Homenagem à Princesa Isabel.

Antonio Carlos Gomes foi considerado o maior compositor lírico das Américas. Foi o segundo nome mais encenado no Teatro Alla Scala de Milão, atrás apenas de Giuseppe Verdi.

Carlos Gomes faz jus também ao nosso reconhecimento pelo seu grande espírito de brasilidade, que sempre conservou, mesmo no estrangeiro.

Teve sua efígie impressa nas notas de Cr$ 5.000,00 (cinco mil cruzeiros) de 1990 e em moedas de trezentos réis que foram emitidas em 1936 e 1937.

Seu corpo se encontra, hoje, no magnífico monumento-túmulo, em Campinas, sua terra natal, na Praça Antônio Pompeu. A duas quadras dali está o Museu Carlos Gomes, que reúne objetos e partituras do compositor.

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