Jornal Mundo Espírita

Abril de 2021 Número 1641 Ano 89

Uma das maiores desditas para o ser humano

junho/2015

Com relativa frequência, a sociedade enfrenta os flagelos destruidores que assustam, provocando sentimentos controvertidos de sofrimentos e de revoltas, de ansiedades e de medo, de insegurança e de desespero.

São inundações, terremotos, tufões, tornados, tsunamis que deixam um rastro de destruição.

Vivemos, mais uma vez, essa dura realidade, nos dias atuais.

O número de mortos causados pelo terremoto, que assolou o Nepal, há poucos dias, é superior a oito mil, sendo que o total de feridos ronda em torno de 17,5 mil, segundo os últimos dados oficiais.

O mesmo terremoto, de magnitude 7,9 na escala de Richter, provocou avalanche num campo base do Monte Everest, matando pelo menos dez pessoas, incluindo alpinistas estrangeiros.

Por sua vez, a enchente em Salvador, BA, deixou dezenas de mortos.

A cidade de Xanxerê, SC, foi devastada por um tornado. Dois homens morreram e cerca de cento e vinte pessoas foram hospitalizadas, segundo a Polícia Militar. Outro tornado atingiu a cidade de Ponte Serrada, a quarenta e cinco quilômetros.

O vulcão Calbuco, no sul do Chile, retomou sua atividade, depois de cinquenta e quatro anos. Em duas erupções, lançou duzentos e dez milhões de metros cúbicos de cinzas, exigindo a evacuação na região de mais de três mil pessoas.

Milhares sofrem. Governos se movimentam. A população local se socorre e se ajuda, enquanto ao redor do mundo se fazem solidárias as criaturas.

Além da desolação, o grito: Por quê?

A ciência dá suas razões.

Por sua vez, a Doutrina Espírita, conforme Joanna de Ângelis, Espírito, no capítulo denominado Ante flagelos destruidores, do livro Liberta-te do mal, esclarece:

Os flagelos destruidores, porém, são efeitos das Leis da Vida, necessários para a renovação das expressões da evolução, apressando as mudanças que se devem operar sob os desígnios divinos.

Espíritos, gravemente comprometidos com a ordem e o dever, sintonizam uns com os outros e se reúnem em lugares onde as destruições irão ocorrer, desse modo resgatando os crimes hediondos cometidos contra a Humanidade em reencarnações anteriores e que lhes pesavam na economia moral.

Não existindo o acaso, as Divinas Leis elaboram programas de expurgo e de purificação para os infratores que necessitam da experiência dolorosa a fim de se reajustarem no conjunto espiritual.

O fenômeno da morte faz parte do processo da vida, não tendo importância maior na maneira como venha a ocorrer.

 O significado mais expressivo é a atitude de cada qual diante da ocorrência infausta ou esperada, que lhe proporciona o autoaprimoramento e a consciência do dever perante o progresso moral.

Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec aborda a questão, com os Espíritos da Codificação Espírita:

737. Com que fim fere Deus a Humanidade por meio de flagelos destruidores?

“Para fazê-la progredir mais depressa. Já não dissemos ser a destruição uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos, que, em cada nova existência, sobem um degrau na escala do aperfeiçoamento? Preciso é que se veja o objetivo, para que os resultados possam ser apreciados. Somente do vosso ponto de vista pessoal os apreciais; daí vem que os qualificais de flagelos, por efeito do prejuízo que vos causam. Essas subversões, porém, são frequentemente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos.”

E no item 740: Os flagelos são provas que dão ao homem ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e resignação ante a vontade de Deus e que lhe oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se o não domina o egoísmo.

Também encontramos em Obras Póstumas, de Allan Kardec (cap. Questões e Problemas), que […] as faltas coletivamente cometidas são expiadas solidariamente, levando-nos a concluir que há fortes vínculos entre todos os envolvidos e as ocorrências da vida.

Esses posicionamentos espíritas, ao tempo em que nos falam dos comprometimentos de cada um perante as Leis da Vida, explicando-nos o teor das provas a que somos submetidos na existência, incluem os compromissos com o amor ao próximo, à abnegação, à fraternidade, que todos da sociedade estamos atrelados.

Em horas de tanto padecimento, o que mais se clama é por solidariedade.

No que pesem atitudes de flagrante desrespeito humano por parte daqueles que buscam tirar proveito dessas ocorrências, que furtam pertences, de autoridades que não agem como devido, os que temos um mínimo de boa vontade para com o próximo, temos o dever de auxiliar, seja doando pertences, seja nos fazendo presentes prestando socorro, seja orando pelas vítimas, e outras formas de ajuda que se possa prestar.

Joanna de Ângelis, no mesmo texto que acima identificamos, acrescenta:

Acautela-se interiormente, em relação à indiferença no que diz respeito aos sofrimentos do próximo hoje, porque pode ser que ele signifique o teu amanhã.

Faze todo o Bem pelo prazer de ser fiel à Vida, ocorram ou não flagelos destruidores, porque uma das maiores desditas para o ser humano é ter enregelado o sentimento e ser incapaz de amar.

A resposta para cada um dos envolvidos nesses flagelos, no entanto, somente Deus pode dá-la.

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