Jornal Mundo Espírita

Junho de 2019 Número 1619 Ano 87

Um sonho que nos foi ensinado a sonhar

dezembro/2014

Nos dias mais recentes, a imprensa noticia que membros da seita Boko Haram, que se tornou grupo armado em 2009,  raptou duzentas e setenta e seis meninas de uma escola pública, no norte da Nigéria; que na região da Síria e Iraque,  jihadistas do Estado Islâmico estão decapitando e crucificando adultos e crianças por serem cristãs, dando-lhes a única e prévia opção: Islã ou morte.

E há, ainda, a chamada violência urbana, a doméstica e tantos outros tipos de violência, com variadas faces, como o desemprego, a fome, a falta de moradia, a falta de assistência à saúde, o analfabetismo.

Também recebemos boas notícias, mas sonhamos com notícias especiais: orfanatos e velhanatos que se fecharam, por inexistir quem abrigar, uma vez que os lares da Terra abriram suas portas para os abandonados e sozinhos; que a fome foi definitivamente debelada e todos têm o necessário para viver, bem como um lugar decente para habitar; que todas as crianças estão abrigadas por escolas que ensinam e ajudam a educar; que não há quem padeça frio por falta de roupa, ou morra de calor, por falta de amparo; que as uniões afetivas se dão de modo duradouro e não se ouve falar em separações e lares desfeitos; que os pais trabalham, ganham o seu sustento, amam-se e amam seus filhos; que os templos religiosos ficam repletos todos os dias, com crianças, jovens e adultos buscando saber mais sobre o Criador; que a caridade é ensinada e vivenciada em todos os recantos do planeta; que nossas matas, rios e mares têm vida, e vida em abundância; que nosso ar é respirável, sem agentes poluidores; que os hospitais, em sua maioria, se transformaram em ambulatórios, pois que quase não há doentes para internar; que as leis e os governos estão estribados e constituídos segundo os reais valores intelecto-morais superiores de cada um; que a Terra passou a conhecer, a experimentar e a gozar de paz…

É um sonho. Mas um sonho que nos foi ensinado a sonhar…

Foi quando a Esperança em pessoa caminhou pelas nossas estradas, respirou o ar da Terra e recitou um hino completo de exaltação a quem se entrega a Deus e nEle confia.

A emotividade de Jesus desatou o poema das bem-aventuranças, endereçando aos tempos do futuro as regras de ouro para a aquisição da felicidade perfeita.

A síntese extraordinária chegou aos ouvidos da Humanidade como sendo o mais completo discurso de esperança de que se tem notícia.

Bem-aventurados são os mansos e os pacíficos, que atravessam o campo de batalha sem revidar aos golpes da violência.

Bem-aventurados os pobres de espírito, que sabem reconhecer a condição redentora em que se encontram e não disputam as vãs posições do jogo perigoso da alucinação terrena.

Bem-aventurados os que se humilham por amor e submissão às leis, sem permitir-se a indignidade nem a vulgarização moral às circunstâncias em que se encontram.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, não se rebelando ante as condições ignominiosas que lhes são impostas no trânsito carnal.

Bem-aventurados os simples que se contentam com o ar, a paz e o pão da vida, sem os caprichos das ilusões passageiras que ocultam a realidade e não mudam o panorama íntimo.

Bem-aventurados os puros de intenções, que não têm maldades, nem desconfianças, e caminham com entrega total a Deus, fiéis para sempre.

São bem-aventurados os que choram sem reclamação, os que sofrem sem rebeldia…

Cada verso é um símbolo da vitória do bem no sofrimento e do triunfo da luz na treva da ignorância.

Assim o disse Jesus.

Há, porém, o reverso, o que ficou subentendido e não foi enunciado.

O reverso é a aflição demorada que carpirão os orgulhosos e os prepotentes ao darem-se conta da realidade, passada a rápida aventura do corpo físico;

o desencanto e a amargura que assaltarão aqueles que se utilizaram das leis, do poder e das circunstâncias para uso pessoal, enquanto as necessidades e a sujeição os observam ansiosas, carentes;

indescritíveis serão o despertar das consciências e o compreender da razão, por parte daqueles que viviam na fartura, saturados pelo prazer e insatisfeitos diante dos excessos…1

Sabemos que o Reino de Paz e Amor, anunciado por Jesus, um dia dominará a Terra, e dele seremos fieis súditos. Um dia não tão distante, porém também não tão próximo.

É Jesus, tão cantado em prosa e verso, mas ainda tão esquecido dos corações dos homens, que afirmou: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.  (João 14:6).

É Jesus lembrado em mais um Natal.

Como esquecê-lO nos demais dias?

Quem sabe desta feita Ele nasça para nós, em definitivo?

Enquanto a caminho, observemos com cuidado de que lado nos situamos ante a canção das bem-aventuranças: se estamos no verso de luz e paz ou no reverso de sombra e luz.

… E trabalhemos por realizar nossos melhores sonhos.

1 FRANCO, Divaldo Pereira. Viver e amar. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador: LEAL. cap. 11.

 

Assine a versão impressa
Leia também