Jornal Mundo Espírita

Abril de 2019 Número 1617 Ano 87

Um século de semeadura

março/2019 - Por Maria Helena Marcon

Era para ser uma festa surpresa mas, a fim de evitar qualquer emoção em demasia, que lhe pudesse causar algum transtorno físico, ele foi avisado um pouco antes de tudo acontecer.

Os familiares, os amigos, os companheiros espíritas que ombrearam com ele se fizeram presentes. Ninguém perderia algo tão importante: comemoração de um século de existência.

Lúcido, com seu característico bom humor, o corpo magro, um pouco curvado mas impressionantemente ágil no pensamento.

A surdez não lhe permitia ouvir tudo que lhe diziam mas nada mais o impediu de extravasar alegria. Era um menino desfrutando sua grande festa de aniversário.

Os abraços se sucediam, cada um mais demorado que outro. Posou para fotos, muitas fotos com todos e com cada um.

Teve bolo com velinhas, música, baile e ele não se furtou a dançar, no compasso certo, como quem traz a harmonia dentro do peito e facilmente a interpreta corporalmente.

Houve homenagens, oração, agradecimentos familiares exaltando uma vida cheia de nobreza e lições.

A FEP lhe ofereceu um vídeo, relatando sua laboriosa trajetória na instituição. Também uma placa em veludo azul escuro, aludindo aos cem anos de semeadura farta.

Ele agradeceu e recordou, sorrindo, de lances vividos com companheiros que já se foram, as viagens doutrinárias, as amizades fruídas.

Não era um idoso falando saudoso. Era um jovem reprisando emoções.

Foi uma festa emocionante sobretudo porque, com sua forma de ser, tudo que ouvimos a seu respeito de tantos familiares, amigos, pudemos ter certeza de que a sua vida é um exemplo.

Um grande exemplo de nobreza, de trabalho, de ponderação, de alegria e somente nos sentimos gratos por fazermos parte dessa vida.

Foto: Acervo pessoal

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