Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Um homem por trás de um Sesquicentenário

outubro/2019 - Por Mary Ishiyama

Luiz Olympio Telles de Menezes foi um dos maiores jornalistas e um dos pioneiros do Espiritismo em nosso país. Professor primário, estenógrafo, funcionário da Assembleia Legislativa e Oficial da Biblioteca Pública da Bahia. Falava inglês, francês, castelhano e latim. Colaborou com os periódicos: Diário da Bahia, Jornal da Bahia, A Época Literária, como redator e diretor. Escreveu o romance Os dois rivais.

Em 1857, fundou o Conservatório Dramático da Bahia. Foi ali que travou contato com os fenômenos espíritas e, na busca de entendimento, passou a se corresponder com espíritas franceses, entre eles, o Codificador Allan Kardec.

Fundou, em 17 de setembro de 1865, em Salvador, o Grupo Familiar do Espiritismo, o primeiro ligado à Doutrina Espírita, no Brasil.

Em 1866, publicou Filosofia Espiritualista, tradução da parte inicial de O Livro dos Espíritos, tendo sido impressos mil exemplares, que se esgotaram nos primeiros meses. Uma segunda edição foi lançada, em 1867. O Arcebispo da Bahia, D. Manoel Joaquim da Silveira, analisando a obra, fez circular uma Carta Pastoral premunindo os seus diocesanos contra os erros perniciosos do Spiritismo, levando Telles de Menezes, meses depois, escrever-lhe, rebatendo as acusações.

Foi o pioneiro da Imprensa Espírita no Brasil, com o lançamento, em julho de 1869, do Jornal Écho D’Além-Túmulo. Advogava a ideia de que era preciso fazer chegar indistintamente [o Espiritismo] a todos os homens; e o meio material que a Providência sabiamente nos oferece para levar rapidamente a palavra da verdade à inteligência e ao coração de todos os homens, é a Imprensa.

O Écho apareceu por duas vezes na Revue Spirite. Em outubro de 1869:

Novos jornais estrangeiros

O Eco D’Além-Túmulo, monitor do Espiritismo no Brasil, publicado mensalmente na Bahia, em língua portuguesa, em cadernos de 60 páginas in-octavo, sob a direção do Sr. Luiz Olímpio Telles de Menezes, membro do Instituto Histórico da Bahia.

Condições de assinatura por ano:

Bahia ………………………………………………. 9.000 réis

Províncias brasileiras ………………………. 11.000 réis

Estrangeiro …………………………………….. 12.000 réis

Bahia – Largo do Desterro, 2.

E outra vez  em novembro de 1869: Num dos últimos números da Revista anunciamos o aparecimento de uma nova publicação espírita em língua portuguesa, na Bahia (Brasil), sob o título de L’Écho Spirite d’Outre-Tombe (O Eco de Além-Túmulo, monitor do Espiritismo no Brasil). Mandamos traduzir o primeiro número desse jornal, a fim de que os nossos leitores dele se inteirem com perfeito conhecimento de causa.

(…) ao qual nos apressamos imediatamente a endereçar vivas felicitações, pela iniciativa corajosa de que nos dá prova. Com efeito, é preciso grande coragem de opinião para criar num país refratário como o Brasil, um órgão destinado a popularizar os nossos ensinamentos. A clareza e a concisão do estilo, a elevação dos sentimentos ali expressos, são para nós uma garantia do sucesso dessa nova publicação. A introdução e a análise que o Sr. Luiz Olympio faz, do modo pelo qual os Espíritos nos revelaram a sua existência, pareceram-nos bastante satisfatórias.(…)4

Com publicações bimestrais, entre os anos 1869 a 1871, o Jornal contava entre seus colaboradores Ignácio José da Cunha, José Francisco Lopes e Casimiro Lieutaud. Publicava artigos de cunho científico, traduções de artigos da Revue Spirite, mensagens psicografadas por médiuns brasileiros e do Exterior. Uma das mensagens gerou muita polêmica. Psicografada pelo médium M. A. Didier, da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, pelo Espírito Lamennais, afirmava que a religião espiritualista era a alma do Cristianismo. À época, a religião dominante, a católica, enfrentava dificuldades, politicamente enfraquecida, dependente economicamente, os protestantes estavam surgindo e procurando seu espaço bem como a maçonaria e o Espiritismo.

Com essa mensagem, os espíritas tiveram que conviver com a pecha de seita e doutrina do demônio por um bom tempo. Olympio e seus companheiros não se detiveram diante das agressões. A polêmica se encerrou quando o padre Juliano José de Miranda, sabendo que Telles de Menezes era católico de nascimento, deu-a por encerrada, afirmando que Espiritismo e Catolicismo são a mesma Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Luiz Olympio Telles de Menezes desencarnou  no Rio de Janeiro em 16 de março de 1893, aos sessenta e cinco anos.

Em 4 de dezembro de 1966, foi inaugurada, em Salvador, a Rua Professor Telles de Menezes por decisão da Câmara Municipal daquela cidade.

Em 1969, a Filatelia registrou o centenário da Imprensa Espírita no Brasil, por proposta da Federação Espírita Brasileira, em selo que trazia a efígie de Telles de Menezes, enaltecendo-o como Fundador.

 

Referências:

1 MINGHIN, Antonio Tadeu. O pioneiro do Espiritismo no Brasil. Revista Internacional de Espiritismo, ano LXXXVIII, n. 08, set. 2013.

2 PUGLIESE, Adilton. Luís Olímpio Teles de Menezes. Reformador, ano 128, n. 2178, set. 2010.

3 KARDEC, Allan. Bibliografia – Novos jornais estrangeiros. Revista Espírita: Jornal de estudos psicológicos. Rio de Janeiro: FEB, ano XII, n. 10, out. 1869.

4 Op. cit. ano XII, n. 11, nov. 1869.

5 JESUS, Leonardo Ferreira de. Écho D’Além túmulo: imprensa e difusão do Espiritismo no Brasil (1869-1870). (Mestrando em História) – Universidade Federal da Bahia. Trabalho apresentado no XIII Simpósio da ABHR, São Luiz, MA, 2011.

 

Assine a versão impressa
Leia também