Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87
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Um homem no mundo

agosto/2012 - Por Maria Helena Marcon

Ele nasceu em Niterói-RJ e sua trajetória de servidor do Cristo cedo se iniciou. Desde o dia em que adentrou a Mocidade Espírita do Grupo Espírita Leôncio de Albuquerque, a convite do amigo José Luiz Vilaça e, por insistência da mãe daquele, não mais parou.

Era o dia 8 de abril de 1967 e Raul Teixeira tinha dezessete anos. A inspirada coordenadora da Mocidade, Cecília Einstoss,  lhe fez uma pergunta, a respeito da temática do dia, o grande legislador hebreu.

Raul, apaixonado que era pelo personagem, discorreu por uns vinte minutos a respeito. Iniciava ali a sua jornada de bênçãos.

A oratória logo se lhe desenvolveu e começaram as viagens, os convites, tantos que a agenda não mais comportava, sendo passados de um a outro ano.

Estudioso, fez da Codificação Espírita seu alicerce para a palavra e a escrita. Desenvolvendo-se-lhe a psicografia, esperou, paciente, a ordem espiritual para a publicação do seu primeiro livro, que foi editado em 1990. Um livro dedicado ao jovem, escrito por um jovem desencarnado, através de um jovem médium: Cântico da Juventude, de Ivan Albuquerque.

Hoje, as suas obras mediúnicas somam quase quatro dezenas, portando orientações para a madureza, os médiuns, os trabalhadores do Movimento Espírita, os jovens, a criança, o homem em geral, o cidadão.

Prosa, verso, assuntos diversos desfilam, reproduzindo o pensamento de Espíritos como o benfeitor espiritual Camilo, Sebastião Lasneau, Thereza de Brito, Levy, Ivan de Albuquerque, Joanes, Francisco de Paula Vítor, Rosângela Costa Lima, Hans Swigg, José Lopes Neto, e sua própria mãe, desencarnada quando ele era menino, Benedita Maria.

Uma particularidade tem a mediunidade de Raul: receber mensagens de Espíritos quase esquecidos do Movimento Espírita do Brasil e do Mundo, mas que foram e continuam sendo grandes trabalhadores. Raul os detecta e lhes traz as orientações, firmando-as no papel, em abençoado trabalho psicográfico.

Alguns desses registros, ocorridos ao ensejo das reuniões do Conselho Federativo Nacional, em Brasília, em mais de uma oportunidade, emocionaram profundamente os que haviam tido a ventura de conviver com uma ou outra daquelas personalidades. E, então, teciam comentários a respeito do seu papel frente às lides espíritas, devotadas ao trabalho do Bem.

Raul é bastante reservado quando se trata de seus dados biográficos ou de lhe render homenagens. Um tanto difícil, quase, conseguir-lhe algumas informações.

Quero apenas ser um amigo das pessoas e ficaria muito feliz se me vissem assim, disse certa vez a Cezar Said. E, logo adiante, definiu-se: Sou um homem no mundo e não pretendo outra coisa se não isso, continuar a ser um homem no mundo.

E assim é. Consciente do trabalho que realiza, há quarenta e cinco anos, fala a respeito dele sem falsa modéstia: trabalhador consciente do seu valor de divulgação e vivência dos postulados da Doutrina Espírita.

Mas, quem possa ter a ventura de privar de alguns momentos a mais, com ele, logo verificará que não é alguém que somente fala a respeito de Espiritismo.

Comenta as notícias dos jornais quando tem tempo de lê-los, fala da MPB e da sua querida Elis Regina, das coisas dos trabalhos acadêmicos, de cinema, literatura, cultura geral, da sua família, da nossa, rindo das coisas risíveis, agindo, vivendo e se relacionando como qualquer mortal, ou melhor, “imortal”. (Raul, um homem no mundo, Cezar Braga Said, ed. Fráter)

Raul estreitou laços com Yvonne do Amaral Pereira, com o médium Júlio Cezar Grandi Ribeiro, Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco. Nesses dois últimos, em especial, buscou, mais de uma vez, no início das suas atividades, orientações para o direcionamento seguro das suas faculdades.

Em 1980, fundou a Sociedade Espírita Fraternidade, em Niterói e, alargando os horizontes do atendimento aos necessitados,  o Remanso Fraterno, na Várzea das Moças, bairro situado cerca de 25 km do centro de Niterói.

No mês de abril de 1986, em Mirassol d´Oeste, no Mato Grosso, Raul sofreu um acidente, no qual lhe foi revelado deveria ter perdido a vida. Contudo, por intercessão de sua mãe e de outros Benfeitores Espirituais, ele foi informado de que prosseguiria na carne, no trabalho a que se vinha devotando. Era a sua moratória.

Vinte e cinco anos passados, em 16 de novembro de 2011, Raul é convidado a outro grande testemunho: em viagem internacional, com destino aos Estados Unidos, ainda em voo, ele sofre um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que lhe afeta a fala e o movimento do braço direito.

Ao chegar no aeroporto JFK, em Nova Iorque, foi levado ao Jamaica Hospital Medical Center, próximo ao aeroporto, ali iniciando seu longo tratamento, tendo sido depois transferido, na sexta-feira (18 de novembro), para Hospital especializado no Estado de Connecticut.

Posteriormente, no final de semana de 17/18 de dezembro, retornou ao Brasil, indo direto para São Paulo, para prosseguir seu tratamento no Hospital Albert Einstein. Seu tratamento prossegue até os dias atuais, agora em sua cidade, Niterói. As mais recentes notícias nos informam que seu tratamento evolui muito bem. A fisioterapia é diária e a fonoaudiologia, três vezes por semana. A fala continua progredindo, de maneira animadora. O neurologista já identifica significativa melhoria nos movimentos do braço e da mão direita.

Por ora, sua rotina diária está concentrada no tratamento. Raul tem recebido convites para estar presente em várias homenagens que os confrades, muito carinhosamente lhe oferecem, mas não tem condições de viajar e de interromper a rotina imposta pelo tratamento, que o leva, inclusive, a necessitar de repouso físico e mental.

Em todos esses meses, as notícias dos companheiros que convivem mais de perto com ele ou os que, de longas distâncias, se deslocam para visitá-lo, têm sido no sentido de testificar o seu testemunho de verdadeiro espírita: excelente estado de espírito, mantendo seu habitual bom-humor e jovialidade, a par de perseverança e dedicação ao tratamento, fielmente seguindo as orientações médicas.

É a esse amigo que a Federação Espírita do Paraná deseja prestar homenagens, mais uma vez. Grande é a gratidão ao lhe recordar o quanto, particularmente, ofereceu ao Paraná Espírita.

Veio ao Paraná, por primeira vez, em 1974, mesmo ano em que o Espírito Camilo se lhe apresentou, afirmando que, doravante, estaria coordenando as suas atividades. Quando, em 1990, na Capital, após dezenove anos de interrupção, ressurgem as Confraternizações de Mocidades Espíritas, Raul é o coordenador da atividade, que se desenvolveu de 13 a 15 de abril.

Com o tema, Juventude e Espiritismo, cerca de duzentos e cinquenta participantes de todo o Estado integraram-se e se entregaram ao agradável evento. Foi o 1º Encontro Confraternativo de Juventudes Espíritas do Paraná, com realização prevista a cada dois anos, onde, em variadas oportunidades, Raul se fez presente.

Também com Raul Teixeira, se deu o 1º Encontro Estadual de Coordenadores de Juventudes Espíritas, nos dias 18 e 19 de março de 1995, em seguimento ao planejamento da FEP de ação dirigida especificamente aos jovens espíritas do Estado, prosseguindo a reprisar-se em todos os anos ímpares.

Tal como Divaldo, Raul esteve presente desde o 1º  Simpósio Estadual de Espiritismo e a 1ª Conferência Estadual Espírita, acusando-se sua ausência, somente no ano em curso, face seu problema de saúde.

Também foi figura constante nos Encontros Estaduais Espíritas do Interior, nos Encontros de Dirigentes Espíritas – ENDESP e Encontro de Trabalhadores Espíritas – ENTRADESP.

Quantas mães o desejariam como filho, quantos jovens o almejariam como pai, quantos desejaríamos poder desfrutar de sua presença um tanto mais, trabalhar ao seu lado, na Seara Espírita. Mas o temos como o amigo e o conselheiro, o espírita convicto e devotado, que está dando o seu testemunho, dia a dia.

Por tudo isso, pelo que representa para os nossos corações, é que  registramos a gratidão da Federativa, em seu 110º aniversário de fundação e o preito de amizade dos corações que o recordam, entre a saudade e o carinho de todas as horas, desejando vê-lo recuperado, feliz, sorrindo, entre nós.

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