Jornal Mundo Espírita

Junho de 2019 Número 1619 Ano 87
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Um grande discípulo de Allan Kardec: Gabriel Delanne

março/2015 - Por Mary Ishiyama

Após a morte de Allan Kardec, o Espiritismo que ele havia codificado só teve como defensores sérios raros discípulos, cujos tímidos esforços foram embaraçados, em muitas circunstâncias, por uma ciência oficial apegada às velhas fórmulas. 1

No meio desse caos, surgiram dois homens que, sem estardalhaço ou vã publicidade, empreenderam dar ao Espiritismo a base moral indispensável para a sua difusão: Léon Denis e Gabriel Delanne.

Os autores Paul Bodier e Henri Regnault1 afirmam que três homens, na França, mereceram, por seu devotamento à Ciência Espírita, serem chamados de Apóstolos do Espiritismo: Allan Kardec, Léon Denis e Gabriel Delanne.

François-Marie Gabriel Delanne nasceu em Paris, no dia 23 de março de 1857, mês que antecedeu a publicação de O livro dos Espíritos.

Seus pais eram espíritas convictos e praticantes, sendo o pai, Alexandre Delanne, um dos fundadores da Liga Parisiense de Ensino e afeiçoado amigo de Allan Kardec. Sua mãe, Marie-Alexandrine Didelot, portadora de mediunidade ostensiva, colaborou na Codificação.

Sendo Kardec amigo íntimo da família, teve muitas vezes Gabriel pulando em seus joelhos, e o mestre lionês sentia muito prazer em presenteá-lo com brinquedos. Saberia ele que o pequeno se tornaria um apóstolo do Espiritismo?

Desde sua infância, portanto, Delanne foi familiarizado com o vocabulário espírita e cedo assistiu a numerosas e bem interessantes sessões.

Seu pai narrava, feliz, que seu garoto, de sete anos, foi um dia interrogado a respeito da profissão de seus pais. Com encantadora ingenuidade, respondera:

“Papai? Ele é espírita e mamãe também. Ela é uma boa médium. Espero ser qual ela, honrando minha fé.”1

Delanne iniciou seus estudos no Colégio Cluny (Saône-et-Loire), depois no colégio de Gray ( Haute-Saône) e, aos 19 anos ingressou na Escola Central das Artes e Manufatura. A situação financeira de seus pais não permitiu a conclusão de seus estudos.

Certa feita, recebeu uma mensagem da Espiritualidade, cujo teor o faria mais dedicado e disciplinado para com suas pesquisas: Nada temas. Tem confiança. Jamais serás rico do ponto de vista material. Coisa alguma, porém, te faltará na vida. E assim se deu. Começou a trabalhar na Companhia de Ar Comprimido e de Eletricidade Popp, onde esteve até 1892.

Teve uma vida atribulada e difícil, não gozava de boa saúde. Ainda criança teve um abscesso no olho esquerdo que, ao longo do tempo, levou-o à cegueira. Em 1906, a paralisia dos membros inferiores obrigou-o a andar com duas bengalas. Nada disso desestimulou sua missão, continuou as conferências na França e no Exterior, sempre divulgando as ideias espíritas. Em 1918, já não conseguia mais andar, sendo necessário o uso de cadeira de rodas. Não obstante esse sofrimento físico continuou produzindo incessantemente.

Defensor ferrenho do caráter científico da Doutrina Espírita, dedicou a maior parte de seus esforços na luta por consolidar o Espiritismo como uma ciência estabelecida e complementar às outras. Foi presidente da União Espírita Francesa, presidente da Sociedade de Estudos dos Fenômenos Psíquicos, fundador e diretor da Revista Cientifica e Moral de Espiritismo.

Escritor de grande talento, dentre suas principais obras destacam-se: O Espiritismo perante a ciência[1885], O fenômeno Espírita[1896], A evolução anímica[1897],  A alma é imortal[1899], As aparições materializadas dos vivos e dos mortos [1911], A reencarnação[1925].

Nos primeiros meses do ano de1905, pondo em prática a solidariedade espírita, Delanne adotou uma garotinha de sete meses, Suzanne Rabotin, que viveu sempre perto dele.

Todos os dias, antes de dormir, ele orava, suplicando coragem para suportar, sem lamentações, suas constantes dores. Estendia ainda suas súplicas aos protetores invisíveis para uma longa lista de parentes e amigos desencarnados.

Morreu em 15 de fevereiro de 1926, aos sessenta e nove anos de idade. Os funerais se realizaram três dias depois. Seu corpo físico foi incinerado, as cinzas colocadas numa urna e depositadas no jazigo da família, no cemitério parisiense  Père Lachaise, não distante do túmulo de Allan Kardec.

Todo homem de bem não sabe que o é. Delanne, quando questionado sobre suas obras respondia: Nada tenho dilatado. Tudo que há é de Kardec. Apenas tenho feito constatações. Mostrei-as em meus livros e demonstro-as na prática diária. Nada acrescento.

 

Bibliografia:

1.BODIER, Paul e REGNAULT, Henri. Gabriel Delanne, vida e obra, Rio de Janeiro: CELD, 1990.

2.http://www.feparana.com.br/topico/?topico=514

3. http://www.ceakitajuba.org.br/informe-se/personalidades/delanne

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