Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Um centenário… uma evangelizadora

maio/2019 - Por Mary Ishiyama

Maio assinala um importante evento, neste ano, de tantas comemorações expressivas para o nosso Movimento Espírita: o centenário de nascimento de uma pessoa que muito trabalhou, especialmente, pela Evangelização Espírita Infantojuvenil.

Foi em 1919, no dia 21, que nasceu, em Jaguarão (RS), Cecília Rocha, a primogênita de José e Carmem Rocha.

Cecília estava destinada ao ensino. Concluiu o curso de magistério em 1938 e dedicou toda a sua vida à infância e juventude. Buscando se aperfeiçoar, fez pedagogia com especialização em administração escolar. Foi nomeada para o magistério público do Rio Grande do Sul, atuando inicialmente no interior do Estado.

Com trabalho sério e organizado, nas escolas por onde passou,  trabalhou no sentido de integrar a comunidade com a escola e demais instituições, estimulando à atuação como uma só unidade.

Uma de suas características era o diálogo aberto e franco com os alunos, professores e as famílias, buscando preservar e colocar em prática os valores morais.

Procurava dar o melhor para todos os que estavam sob sua guarda tanto no campo moral como no material. Por isso, o espaço físico das escolas, sob sua direção, passavam constantemente por transformações. Ela não media esforços para melhorar as instalações, desde as salas de aula até o jardim e a horta, tornando o ambiente agradável para funcionários, alunos e pais.

Exerceu o magistério de escolas de ensino fundamental, públicas e particulares, no interior e na capital do Rio Grande Sul, até a sua aposentadoria, após mais de trinta anos dedicados à profissão.

Preocupada sempre na melhor forma de alcançar as crianças e jovens pesquisava metodologias utilizadas por grandes nomes como John Amos Comenius, Jean- Jacques Rousseau, Johann Heinrich Pestalozzi, Friedrich Froebel, Maria  Montessori, entre outros.

Para ela, Jerônimo de Praga, discípulo de Jan Huss, sempre foi motivo de profunda reflexão sobre a questão da seleção e importância do conteúdo a ser ministrado para crianças e jovens. Essa era uma das suas preocupações constantes como educadora: o que ensinar, o que oferecer ao Espírito imortal de passagem pela encarnação.

Atuante no Movimento Espírita gaúcho, em 1958, participou de uma Confraternização de Mocidades Espíritas do Norte e Nordeste, em Teresina (PI), representando o seu Estado. Foi ali que conheceu Divaldo Pereira Franco, de quem se tornou grande amiga.

A convite dele, de março a dezembro de 1960, trabalhou na Mansão do Caminho,  em Salvador (BA), como diretora da Escola Primária da instituição contribuindo pedagogicamente para melhorar a educação das crianças internas, ensinando canto, jogral, coral, teatro e, sobretudo, disciplina, baseada na Doutrina Espírita.

Aproveitou esse tempo para realizar palestras e seminários por toda a região, com apoio do amigo baiano.

Durante a década de 70, Cecília atuou na direção da Associação Educacional Mahatma Gandhi, em Porto Alegre e na Escola Primária do Lar dos Pequenos de Jesus, atendendo crianças carentes e classes especiais para alunos deficientes mentais.

Com sua cunhada Dinah Rocha viajou por vários Estados, divulgando a importância do trabalho de preparação de Evangelizadores, tornando-se ambas pioneiras dessa atividade.

Apesar de outros também realizarem essa tarefa, elas se diferenciavam pelo contributo da psicologia infantil e da pedagogia contemporânea, criando textos, histórias, canções, nas quais eram introduzidos os ensinamentos do Espiritismo.

Em 1980, Cecília Rocha transferiu-se para a Federação Espírita Brasileira – FEB, em Brasília, a convite do então presidente Francisco Thiesen. Integrou a Diretoria e foi vice-presidente.

Por 31 anos, ela se dedicou à organização e desenvolvimento da Área de Estudo do Movimento Espírita Federativo, foi coordenadora do Estudo da Doutrina Espírita – EDE, nas Comissões Regionais do Conselho Federativo Nacional da FEB, foi coordenadora do DIJ, da Mediunidade e do Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita – EADE.

Também orientou a elaboração das apostilas que dão suporte didático-pedagógico a essas atividades. Foi autora e organizadora de livros infantis, editados pela FEB e da obra Pelos Caminhos da Evangelização.

Ao lermos sobre a sua vida, fica evidente o seu amor e sua fidelidade à Doutrina Espírita. Ela abriu mão de sua família em nome de uma família muito maior.

Na madrugada do dia 5 de novembro de 2012, aos 93 anos de idade, a mulher que foi inspirada na grande tarefa de evangelizar, pelo Espírito Francisco Spinelli, retornou para casa.

Disse ela: A Evangelização Espírita contribuirá, fora de dúvida, para a formação de um mundo no qual a fraternidade deixará de ser um ideal a atingir para se tornar uma realidade constante na relação entre indivíduos e povos. Haverá um programa melhor do que esse?

A nós espíritas, neste centenário, só nos resta agradecer. Obrigado, Cecília.

 

1.http://feparana.com.br/topico/?topico=678

2.https://www.febnet.org.br/blog/geral/movimento-espirita/conselho-federativo-nacional-movimento-espirita/retorno-a-patria-espiritual-cecilia-rocha/

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