Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2020 Número 1634 Ano 88

Um ano sem Joãozinho

setembro/2020 - Por Maria Helena Marcon

Em setembro de 2019, dia 23, ele partiu, de forma tranquila, própria de seu temperamento.

Lembramo-lo, saudosos. Temos sentido falta de sua palavra em nossas reuniões do Conselho Federativo Estadual – CFE, da qual era membro honorário; falta de suas visitas vespertinas à sede da Federação Espírita do Paraná – FEP.

Lembrar João de Mattos Lima é somar saudades. Ele tinha sempre muitas histórias para contar. Histórias de anos passados, quando, como dizia ele, os homens tinham em mente benefícios para a FEP. Ninguém fazia “cavalo de batalha” em nome disso ou daquilo, mirava-se o bem da Instituição.

Causos ele os tinha às centenas. Contava que a FEP, em anos recuados, não tinha carro para as viagens ao Interior do Estado. Quem tivesse carro próprio, o utilizava nas andanças doutrinárias. No entanto, Maria da Paz Ribeiro viajava para ministrar cursos aos evangelizadores.

Precisando deslocar-se a Londrina e Maringá, ele, Joãozinho, intercedeu junto a Alexandre Sech, do Hospital de Psiquiatria Bom Retiro, que cedesse o veículo do Hospital para ela. Sech lhe disse que seria preciso falar com João Ghignone (presidente), que o enviou para falar com Abibe Isfer (vice-presidente). Nada deteve Joãozinho que, afinal, conseguiu o seu intento. Sorria, recordando que Ghignone e Abibe tinham uma relação de respeito mútuo, o que um falava, o outro autorizava. Feliz, lembrando o fato, dizia: Eu consegui o carro para Maria da Paz ir a Londrina e Maringá, para fazer o seu trabalho. Para mim foi um dia de muita satisfação ter conseguido ajudar uma trabalhadora.

Depois dos noventa anos, dizia não se sentir bem por não ter aproveitado a reencarnação como devia. Reconhecia ter feito muita coisa que não deveria ter feito; por outro lado, não fizera o que lhe cabia ter feito; falara o que não era para dizer e, de outras vezes, não dissera o que se fazia devido. Acrescentava: Sinto que eu deveria ter estudado mais para me fazer mais útil à Doutrina.

Uma vida dedicada à Doutrina e ele assim se expressando. Ele, que ocupou muitas funções na FEP. Participante do Centro Espírita Ildefonso Correia, foi convidado, em 1958, por Honório Melo para trabalhar na tesouraria da FEP. Iniciou como auxiliar do primeiro tesoureiro, depois tesoureiro, integrando a Diretora Executiva. À época, para dar conta de toda a contabilidade, João vinha à noite para a antiga sede, hoje Sede Histórica, depois de vencido o dia de trabalho na Receita Federal.

Elvira Marquesini, mais de uma vez, vinha do Albergue Noturno (situado então à Alameda Cabral), onde serviu por cinquenta anos, para lhe trazer um café, um pequeno lanche.

Foi eleito para o Conselho Deliberativo em 1963 e, a partir de 2013, dadas as dificuldades de locomoção, foi eleito membro honorário. Foi diretor da Grafifep, gráfica da FEP, participou da Comissão de Construção do Hospital, diretor do Albergue durante doze anos. Presidente da FEP em 1986.

Onde esteja nosso querido amigo, esperamos possa receber mais esta homenagem dos corações que ainda por aqui permanecem e buscam lhe seguir os exemplos de dedicação.

Fotos: Ari Almeida

Assine a versão impressa
Leia também