Jornal Mundo Espírita

Julho de 2017 Número 1596 Ano 85

Trabalho e trabalhador – campo vasto, esforço constante

julho/2017

Elevar o nível de conhecimento doutrinário dos frequentadores das Casas Espíritas, bem como disseminar corretamente as ideias espiritistas junto às massas, dentro dos parâmetros do respeito ao outro e à Doutrina, é dos mais graves compromissos a que todo espírita verdadeiro deve vincular-se, sem esquecer que a conduta de cada um de nós é carta do Cristo (II Cor 3:3), constituindo-se num dos mais poderosos meios de propagação dos princípios e ideais espiritistas.

 Sandra Borba Pereira1

 

A Doutrina Espírita e o trabalho

O estudo da Doutrina Espírita amplia nossa compreensão sobre as leis da vida, sobre a imortalidade da alma, sobre o objetivo de cada encarnação. Esclarece-nos quanto à visão de Deus como Pai Criador de tudo o que existe e, em especial, quanto ao nosso papel de cocriadores junto à Inteligência Suprema do Universo, despertando-nos para a responsabilidade e importância em nos tornarmos agentes de transformação onde nos encontramos. É através da nossa mudança íntima e das nossas ações renovadas que colaboraremos para a transformação moral da sociedade em que vivemos.

Da mesma forma, quando a mensagem do Cristo, renovada pela Doutrina Espírita, toca verdadeiramente nossos corações, somos tomados de tamanha alegria e gratidão, que nos sentimos impulsionados a retribuir, de algum modo, todo o benefício que recebemos. Além da busca para a transformação íntima, é bastante natural a vontade em nos voluntariarmos para a assunção de tarefas no abençoado lar que nos acolheu e permitiu o desenvolvimento desses conhecimentos e nobres sentimentos: o Centro Espírita!

E trabalho é o que não falta! A seara é grande e o Mestre precisa de colaboradores para que a Sua mensagem de amor e consolo continue chegando aos corações mais necessitados.

Sendo assim, quando assumimos o trabalho no Centro Espírita, sentimo-nos empolgados com as novas tarefas, cheios de ideias e vontade de realizar. E assim devemos prosseguir, sem esmorecer ante as dificuldades que possam  se apresentar na nossa caminhada, enquanto espíritas-cristãos, nos esforçando em domar as nossas más inclinações e aprendendo, a cada dia, como bem servir com o Cristo.

Este é um grande desafio: aprender a bem servir. Colaborando, com humildade; sendo pró-ativos, mas sem querer impor nossas ideias e vontades; trabalhando com alegria e dedicação, mesmo quando acharmos que as coisas poderiam ser diferentes; assumindo com disciplina e boa vontade toda e qualquer tarefa que nos for confiada, mesmo as que possam parecer mais simples, lembrando que quem não cumpre bem as mais simples tarefas, não pode esperar que as mais complexas lhe sejam confiadas.

 

Compromisso com a doutrina e com o movimento espírita

Quando assumimos o trabalho na Casa  Espírita, estamos assumindo também um compromisso com o Movimento Espírita, representando a Doutrina em todas as atividades em que estejamos envolvidos.

Para aqueles que assumem atividades na área da evangelização espírita da infância e da juventude, especial atenção e cuidado, pois tornam-se modelo e referência para jovens corações, em pleno desenvolvimento de valores e formação de caráter. Estarão sendo observados em todas as suas ações. Dessa forma, pontualidade, assiduidade, disciplina, dedicação, respeito, boa vontade, serão sempre exemplos salutares a serem ofertados às crianças e aos jovens.

Da mesma forma, a qualidade doutrinária deve ser ponto de atenção constante, para que as atividades preparadas para as crianças e para os jovens sejam primorosamente baseadas nos postulados espíritas, em fontes confiáveis, que representem fidedignamente os conteúdos constantes das obras basilares da codificação kardequiana.

Os roteiros de estudo devem ser agradáveis e atrativos, porém, o conteúdo fundamental deve estar embasado nos ensinamentos de Jesus e nos esclarecimentos da Doutrina Espírita, possibilitando oportunidades de autoconhecimento, de aprendizado e vivência de valores que farão de cada um de nós pessoas melhores.

Assim, para o bom êxito da tarefa, o evangelizador deve buscar constantemente o desenvolvimento de habilidades para a condução de trabalhos em grupo, mediação de possíveis conflitos, clareza e conhecimento para a transmissão da mensagem espírita, o que se dará através do estudo constante, individualmente e, fundamentalmente, com a participação efetiva nos grupos de estudo da doutrina espírita, encontros e treinamentos promovidos pela Casa e pelo Movimento Espírita.

O campo para o trabalho é vasto e o terreno ainda é bastante pedregoso. O trabalhador de boa vontade somente se tornará efetivo se conquistar as ferramentas adequadas para o arado, mantiver a semente em boas condições de qualidade e colocar todo amor e carinho durante o plantio.

Não esmoreçamos, pois ainda há muito por fazer e, através do nosso esforço seremos, a cada dia, melhores trabalhadores, rumo à perfeição do amanhã!

 

Bibliografia:

  1. BORBA, Sandra Pereira. Reflexões pedagógicas à luz do Evangelho. Curitiba: FEP, 2009. cap.3. p. 53.
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