Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87
Notícias das URES Envie para um amigo Imprimir

Trabalhadores em ação

março/2008

Luis Maurício Resende é engenheiro mecânico, doutor em Engenharia Mecânica e professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

Atua na Sociedade Espírita Francisco de Assis, em Ponta Grossa e é Presidente da 2ª União Regional Espírita.

1) Em que ano você se tornou espírita?

Nasci em lar espírita, sendo minha única formação religiosa. Porém, mesmo nascido em lar espírita, e tendo enfrentando aulas de evangelização ao longo de minha infância, foi natural que surgissem alguns questionamentos surgissem junto com a adolescência. E o Espiritismo permaneceu como roteiro de conduta e vida ao longo da existência, passando incólume às fases dos questionamentos e comparações, naturais da época da adolescência.

3) Que cidades integram a sua Regional e quantos Centros Espíritas existem nela?

Ponta Grossa, como sede, e ainda Arapoti, Carambeí, Castro, Cruz Machado, Guaragi, Imbituva, Ipiranga, Irati, Jaguariaíva, Palmeira, Paula Freitas, Piraí do Sul, Rebouças, Reserva, Telêmaco Borba, União da Vitória, Socavão, Tibagi, somando ao todo 32 instituições espíritas ao longo dessas 19 cidades.

4) Como você avalia a importância das Uniões Regionais, como instrumento de Unificação em nosso Estado?

O movimento espírita tem uma grande missão, ao ter em si a responsabilidade de divulgar a obra de Kardec, de maneira coerente e consistente com a doutrina por ele estruturada. A par disso, por coerência à sua proposta de liberdade, o movimento espírita não se pauta, e nem deveria, por regras e impositivos hierárquicos, e sim, pelo bom senso e definições em conjunto. É claro que seria muito mais fácil termos uma estrutura mais rígida, que definisse normas e regras a cumprir. Mas ao mesmo tempo, ao se aventurar por alguns caminhos mais fáceis a curto prazo, perder-se-ia a oportunidade do crescimento individual, fruto da experiência, dos acertos, dos erros, do uso do livre-arbítrio. Assim, quando o movimento espírita se propõe dessa maneira  tão libertária, é necessário, se não condição primordial, que todos os seguimentos dessa estrutura conversem entre si, tenham uma relação saudável e articulada, sob pena de errar por falta de coerência. Veja, se cada um de nós, como integrantes e dirigentes do movimento espírita, age pautado pelo nosso bom-senso e coerência (e ainda, não podemos esquecer, influenciados por uma realidade própria regional) e não por regras rígidas e impostas, corremos o risco de, ao agirmos isoladamente, tropeçarmos no nosso bom-senso quando ele não se mostrar assim tão bom… Então, para isso, é necessário que estejamos todos intimamente e fraternalmente vinculados, para a necessária troca de ideias, experiências e aprendizado mútuo. E aí, o papel das uniões regionais é fundamental, pois são elas quem fazem esse alinhavar entre as casas da região, que fomentam e catalisam essa troca de experiências, que trazem referenciais externos às casas, quando essas não buscam por si mesmas.

5) Em sua opinião, o sistema federativo atende plenamente às necessidades do Movimento no Brasil e nos Estados?

A estrutura que hoje o movimento espírita apresenta, com uma federativa nacional, que se vincula às federativas nos estados, que por sua vez se desdobram nas regiões através das UREs ou CREs, e esses chegam até a célula base do nosso movimento, o centro espírita, em tese parece ser ideal. Na prática do dia-a-dia é que aparecem as dificuldades. É necessário ao movimento espírita conversar mais consigo mesmo, explorar recursos que hoje a tecnologia permite para fomentar essa unificação, essa conversa, tais como a Internet. Na verdade nós nos conhecemos muito pouco, sabemos muito pouco o que acontece fora de nossa região. E se conhecemos o que acontece dentro do Estado, é devido à federativa que faz esse trabalho, mas desconhecemos o restante. Então, é necessário desenvolvermos essa unificação e consciência de si mesmo nacional e internacionalmente. Creio que há muito ainda a se fazer e construir nesse aspecto.

 

6) O que mais falta, em seu conceito, ao melhor funcionamento das Casas Espíritas?

Conhecer o Espiritismo. Só o conhecimento profundo da Doutrina Espírita nos proporciona lucidez que nasce da reflexão, fruto do conhecimento das informações espíritas. Vemos o movimento espírita albergando práticas alheias aos seus propósitos, companheiros espíritas abraçando essa ou aquela ideia totalmente incoerente com a base doutrinária do Espiritismo, em um afã de inovar, da novidade, do diferente… e que pouquíssimos sabem a respeito de Kardec. Quantos dos trabalhadores nas nossas casas espíritas estão efetivamente vinculados a um grupo de estudo? Mas é um processo natural de amadurecimento do próprio movimento espírita. Já tivemos grandes conquistas nesse aspecto nas últimas décadas. Hoje é muito difícil a casa espírita que não tenha ao menos um grupo, companheiros valorosos que se esforçam em manter essas atividades de esclarecimento. Mas, como nos alerta Joanna de Angelis, há ainda um imenso campo a joeirar…

 

7) O “Amai-vos e instruí-vos” está sendo devidamente considerado?

No movimento espírita temos a oportunidade de encontrar inúmeros e admiráveis exemplos de exercícios ao amor e à instrução. Em todos os lugares encontramos devotados companheiros à causa do bem, fomentando o amor ao próximo, minimizando a dor alheia, doando-se em nome do desafio de aprender a amar. E não em menor número estão aqueles doando-se em nome da causa a instrução espírita, sejam nas lides da evangelização, dos grupos de jovens, de adultos. Não há como, ao perceber toda essa movimentação ao nosso redor, não se contagiar com o convite ao amor e à instrução que surge a todo momento para todos nós que frequentamos uma casa espírita.

8) É importante a integral fidelidade aos princípios doutrinários, como se depreende das obras básicas de Allan Kardec?

Eu não diria que é importante, ma que é essencial. Se perdermos a referência em Kardec, em que nos basearemos? Por onde caminharemos? Mas para sermos fiéis a uma doutrina, é necessário conhecê-la. Como o Espiritismo não apresenta uma estrutura hierárquica religiosa, como não delegamos a ninguém o conhecimento dos seus princípios, essa é uma função coletiva, que depende de todos. Disto então é natural percebermos que essa fidelidade vai ser proporcional ao conhecimento que o nosso grupo apresenta. Por isso encontramos casas espíritas com um trabalho admirável, dentro dos postulados espíritas, enquanto outras se apresentam de maneira frágil, claudicantes mesmo em termos doutrinários. É o reflexo do quanto conseguem ser fiéis.

9) Você vê avanços significativos em nosso movimento?

Sem dúvida. Hoje o Espiritismo consegue circular com muito mais liberdade e desenvoltura em todos os círculos da sociedade, desvinculando-se de antigos rótulos ou preconceitos de antigamente. A sociedade hoje tem uma ideia muito mais clara e lúcida do que é o Espiritismo, conhece sua proposta, fruto isso tudo, do trabalho do movimento espírita.

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