Jornal Mundo Espírita

Janeiro de 2020 Número 1626 Ano 87
Notícias das URES Envie para um amigo Imprimir

Trabalhadores em ação

outubro/2008

LAIR CARBONERA exerce a profissão de advogado há 28 anos, freqüenta ao Centro Espírita Allan Kardec, de Umuarama, cidade-sede da 9ª URE, atualmente sob sua presidência.

 

1. Em que ano você se tornou espírita?

Tornei-me espírita em 1.982.

 

2. O que o levou ao Espiritismo?

Meus primeiros contatos com a Doutrina deram-se em razão da curiosidade.

Isso porque, um cliente do escritório de advocacia, a quem eu prestava alguns serviços, certa feita, após encerrar o assunto que lhe dizia respeito, me relatou de sua alegria por estar curado de um câncer na perna. Aquela informação me causou espanto porque naquela época, 1.982, não se cogitava de curas de câncer. Inquiri a ele como fora possível a sua melhora, embora expressasse a minha incredulidade, e ele me redargüiu dizendo que fizera um tratamento em um centro espírita, em Umuarama, e porque lá atendia um médium de muito “poder”, o tratamento foi bem sucedido.

É claro que ele me convenceu. Por isso, passei a me interessar no caso. Queria entender como seria possível a cura sem intervenção médica. Assim,  meu cliente me encaminhou ao Centro Espírita Allan Kardec, de Umuarama, onde atendia um médium muito conhecido que, pouco tempo após, desligou-se da mencionada casa espírita.

Passei a frequentar aquele Centro. Aproximei-me do médium e dele me tornei amigo e também seu advogado.  No início, me causavam profunda impressão os relatos dados por pessoas que haviam buscado o tratamento das mais diversas doenças. Queria entender o mecanismo das curas. O fenômeno me impressionava fundo. Li, com avidez, todas as obras da coleção de André Luiz, mas a explicação para o fenômeno ficou sem resposta. Aos poucos, interessei-me pelas belas e profundas razões da Doutrina que, pouco a pouco, me encantava,  como ainda me encanta.

É claro que aquele médium acabou por se afastar da casa espírita na qual atendia. Fundou a sua própria instituição onde atende até hoje.

Entretanto, só a partir do ano 2002 me incorporei aos trabalhos da casa espírita e nela me mantenho com grande alegria.

Atualmente, como presidente da 9a. URE, desenvolvo modesto trabalho para fortificar o Movimento Espírita.

 

3. Que cidades integram a sua Regional e quantos centros espíritas existem nela?

Temos casas espíritas em Umuarama, Guaíra, Altônia, Pérola, Iporã, Francisco Alves, Mariluz e Cruzeiro do Oeste. Na maioria dos municípios não há casas espíritas, tais como Maria Helena,  Perobal, Xambrê, Alto Piquiri, Brasilândia do Sul, Cafezal do Sul, Esperança Nova, Icaraíma, Alto Paraíso, Ivaté, Douradina, Moreira Sales.

 

4. Como você avalia a importância das Uniões Regionais, como instrumento de Unificação em nosso Estado?

As UREs têm importância vital para o crescimento do Movimento Espírita. Os confrades das casas mais distantes se sentem felizes com as nossas visitas, indagam sobre o trabalho da FEP, solicitam o seu apoio, desejam expandir suas atividades com respaldo da federativa, enfim, querem se incorporar ao movimento estadual e nacional, formando um todo coeso e unificado.

 

5. Em sua opinião o sistema federativo atende plenamente às necessidades do Movimento no Brasil e nos Estados?

Tenho convicção que o sistema federativo atende plenamente às necessidades do Movimento em todo o Estado do Paraná, já que em relação às outras unidades da federação não tenho conhecimento. Mas a FEP desempenha o papel de líder em organização, empenho e mobilização do Movimento Espírita em nível nacional. Sua preocupação com a pureza doutrinária, seu pioneirismo em programas de grande alcance para atingir setores não espíritas e sua fidelidade aos postulados de Kardec, elevam a Federativa Estadual a um patamar que muito a enobrece.

 

6. O que mais falta, em seu conceito, ao melhor funcionamento das casas espíritas?

Faltam trabalhadores preparados.  Trabalhadores há, sim, que desejam trabalhar com os braços, mas é reduzido o número daqueles que querem se habilitar para um trabalho menos braçal e mais intelectual.  Na casa espírita na qual não haja quem estude a Doutrina, isto é, se prepare e se muna de recursos intelectuais, não haverá meios de estimular o Movimento e, dessa forma, permitirá que o lado assistencial ganhe força e destaque, deixando que os programas doutrinários, em segundo plano, se aniquilem. Os programas assistenciais ganham a simpatia e reconhecimento da sociedade. Não se pode ser contra o êxito dos programais assistenciais. E, trabalhador estudioso é trabalhador adestrado, preparado, podendo se tornar um líder que aglutine maior número de adeptos e interessados na profusão do Movimento.

 

7. O “amai-vos e instruí-vos” está sendo devidamente considerado?

Creio que o “amai-vos” tem maior aceitação que o “instruí-vos”.  As pessoas têm grande dificuldade em se instruir porque exige-se grande esforço mental. O amar ao próximo nem sempre exige grandes sacrifícios e tem enorme apelo evangélico. Já o esforço para se instruir, que está diretamente vinculado ao preceito  “conhecereis a verdade e ela vos fará livres”, ainda não parece tão importante para grande parte dos espíritas.

 

8. É importante a integral fidelidade aos princípios doutrinários, como se depreende das obras básicas de Allan Kardec?

Sem fidelidade aos princípios da doutrina corre-se o risco de desnaturá-la e desfigurá-la a ponto de torná-la irreconhecível. Todas as doutrinas religiosas sofreram e ainda sofrem com os problemas que decorrem da tolerância com a falta de rigor doutrinário.

 

9. Você vê avanços significativos em nosso Movimento?

Os avanços estão, de certa forma, centrados em uma  faixa social mais intelectualizada. E me parece isso muito coerente porque estudar Doutrina Espírita é mergulhar no estudo filosófico da vida, buscando respostas que ciência alguma pode dar.  Em geral, as pessoas não gostam de filosofar porque isso importa em formatar os próprios conceitos que irão conflitar com os conceitos vulgares, longamente sedimentados.

 

10. Dê sugestões para eventuais melhoras de nossas atividades.

Empenho na comunicação social é um fator importante que a FEP já vem desenvolvendo a contento. A roda já foi inventada e não há muito o que acrescer. Temos que aguardar os resultados que só virão com o tempo.

Assine a versão impressa
Leia também