Jornal Mundo Espírita

Junho de 2019 Número 1619 Ano 87

Torre de Babel

março/2016 - Por Reilly Algodoal

Reencarnacionistas que somos, temos que admitir que não recebemos o mundo tal qual ele é. Não. Nós é que construímos esta civilização da qual fazemos parte desde tempos imemoriais. Nós nos abrigamos em cavernas, vivemos em palafitas, massacramos nossos desafetos e fomos massacrados por eles a golpes de tacape e, mais tarde, a tiros de fuzil. Construímos cidades e civilizações que desapareceram.  Embora desconhecendo o significado da vida, lutamos nela e por ela, sofrendo, superlativamente, na longa jornada em busca de nosso desenvolvimento intelecto-moral. Nesse evoluir sem cessar, vimos de pouco a pouco nos libertando do egoísmo selvagem para ampliar cada vez mais nossa esfera de amor aos semelhantes. E, como consequência, vimos compreendendo e apreendendo paulatinamente as leis Divinas, incorporando-as em nosso consciente profundo. (O livro dos Espíritos, item 621)

Se a vida é um continuum sem cessar jamais, resta-nos saber donde viemos, para onde vamos e o que nos cabe realizar nesta curta romagem.

Dizem os Espíritos Superiores que o anjo começou por ser átomo (O livro dos Espíritos, item 540) e asseveram que estamos lidando com a razão há  quarenta mil anos. (Libertação, André Luiz/Francisco Cândido Xavier, cap. I)

Para onde vamos?  O Ministro Flácus permite-nos vislumbrar os horizontes futuros. Comparados com os Espíritos superiores, assevera ele, não passamos de bactérias impulsionadas pela fome e pelo amor. (Op. cit.)

Onde estamos?  Num planeta azul, dotado de uma natureza exuberante, que bem poderia ser um pedacinho do céu. Todavia, enceguecidos pelo orgulho e pelo egoísmo exacerbados, na ânsia incontrolável de riqueza e poder, transformamos este paraíso em autêntico purgatório.

O certo e irretorquível é que o mal se manifesta, sob múltiplas formas, nos mais diversos segmentos da sociedade, em níveis cada vez mais alarmantes, resultado direto de nossa posição evolutiva.

É bem verdade que a Misericórdia Divina jamais nos deixou sós e desamparados. Legou-nos três faróis imensos para orientar nossos passos da sombra para a luz. O primeiro, revelado por Moisés, convidou-nos à omissão do mal. O segundo, edificado pelo Meigo Nazareno, concitou-nos à ação no bem. O terceiro, erigido por Espíritos Superiores, conforme profecia de Jesus (João, 14: 15 a 17 e 26), proclama: Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI, 5)

Não podemos ser ingênuos. A nossa geração, com os pés fincados na terra, continua a adorar o bezerro de ouro no sopé do Monte Sinai. Muitas religiões coexistem numa autêntica Torre de Babel, cada qual se proclamando como detentora da verdade; seus profitentes, desconhecendo a natureza humana, ávidos de poder, mostram caminhos que levam a lugar nenhum. As diversas doutrinas filosóficas, recusando em admitir a vida antes do nascimento e a continuação da vida além do túmulo, abordam a problemática do homem apenas no dia que passa, não compreendendo que as diferenças individuais repousam nos acertos ou desacertos de vidas pretéritas. Para todos, não importa o preço, o que interessa é sorver o cálice de prazer.

O certo e irretorquível é que a voz de comando de Jesus ainda não foi percebida. Ele se despojou das vestes, cingiu-se com uma toalha e foi lavar os pés dos Apóstolos, exemplificando que a verdadeira missão do homem evoluído é a de auxiliar os menos evolvidos em suas ascensões.

Neste mundo conturbado em que vivemos, nós, os espíritas, permanecemos tranquilos. Sabemos que a atual turbulência é o prenúncio de uma Nova Era, de há muito prometida, inclusive por Pedro: Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça.  (II Pedro, 3:13)

Dia virá, e não está muito longe, em que os dirigentes apreenderão o significado do último diálogo entre Jesus e Pedro:

– Simão, (filho de Jonas), (tu) me amas mais do que a estes?

– Sim, Senhor, tu sabes que te amo.

Alimenta os meus cordeiros.

– Simão, (filho de) Jonas, (tu) me amas?

– Sim, Senhor, tu sabes que te amo.

Apascenta as minhas ovelhas.

– Simão, (filho de) Jonas, (tu) me amas?

– Senhor, tu sabes todas (as coisas), tu sabes que te amo.

Alimenta as minhas ovelhas.

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