Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2018 Número 1613 Ano 86

Todo dia é das crianças

outubro/2018

A Terra recepciona atualmente a quinta geração de profitentes
do Espiritismo, composta de número maior de criaturas que receberão
a responsabilidade espírita pela segunda vez.
Carlos Lomba1

A grande responsabilidade da tarefa de educação de nossas crianças é tema de consenso geral em nossa sociedade. Estudada e debatida constantemente, tendo em vista o reconhecimento em ser essa fase da vida de capital importância para o desenvolvimento do ser humano, contribuindo especialmente para a formação do caráter do indivíduo, como também para o seu desenvolvimento intelectual.

Buscando cada vez mais recursos para bem educar os filhos, esforçam-se os pais em melhor se preparar, participando de cursos preparatórios para a maternidade e paternidade, adquirindo literatura específica que auxilie na tarefa educativa, assistindo vídeos e palestras de especialistas no assunto, debatendo e discutindo com profissionais e também pares, que passam pela mesma experiência do desafio da educação dos filhos.

Em especial, aqueles de nós que somos pais espíritas, temos o alertamento da espiritualidade amiga, desde a Codificação da Doutrina Espírita, sobre a importância da educação das crianças e jovens, bem compreendida como a arte de manejar caracteres2, conforme afirmativa do próprio Codificador, Allan Kardec, assim como em diversas obras complementares que fazem tratativas sobre o assunto.

Da mesma forma,a missão dos pais é claramente explicitada tanto em O Livro dos Espíritos como em O Evangelho Segundo o Espiritismo, trazendo a certeza de que os filhos são confiados por Deus para serem bem encaminhados na senda do progresso a que está destinado todo Espírito.

Codificada a Doutrina Espírita há mais de 160 anos, importante reflexão nos traz o Espírito Carlos Lomba, lembrando que muitos dos Espíritos que reencarnam hoje serão espíritas pela segunda vez aqui no plano terreno. Responsabilidade para esses reencarnantes, que trazem em sua bagagem o conhecimento doutrinário, quevinca a alma de profundas e claras percepções que transpõem a força amortecedora da carne3, ou seja, permanecem norteando a existência do Espírito, mesmo quando mergulhado na matéria densa do corpo físico. Porém, responsabilidade também para os pais e famílias que os recebem em seus lares, trabalhadores do movimento espírita, em especial, evangelizadores de infância e juventude e da sociedade em geral.

Para os pais, responsabilidade aumentada,cientes de que os pequeninos que acolhem em seus braços são, possivelmente, velhos companheiros conhecedores das verdades eternas reveladas pela Doutrina Espírita, e que irão necessitar do seu esforço e dedicação para que consolidem dentro de si esses conhecimentos, solidificando valores e continuando a sua caminhada iluminados pelos roteiros de luz que a revelação espírita oferece.

Responsabilidade em oportunizar a essas crianças um ambiente doméstico harmonizado pelos laços do afeto, do respeito, do esforço contínuo para a vivência dos valores evangélicos, coroado de luzes através da conexão com a espiritualidade superior por meio da prece cultivada rotineiramente dentro do lar. Acesso à prática dos ensinamentos de Jesus e dos postulados espíritas no lar, mas também através da freqüência no Centro Espírita, conduzindo-os às atividades de evangelização específicas para sua faixa etária, assim como exemplificando pelo próprio trabalho nas diversas tarefas da Casa e do Movimento, demonstrando responsabilidade e dedicação para com o tesouro que lhes foi confiado. Ainda, com certeza, no exemplo de sua conduta na sociedade em que estão inseridos, seja no ambiente de trabalho ou no círculo social ao qual pertencem, demonstrando ações compatíveis com os ensinamentos de Jesus.

Desafio também para os evangelizadores de infância e juventude que receberão crianças e jovens que trazem latentes em seu imo esses conhecimentos que precisam ser despertados, cultivados, bem direcionados, para não correrem o risco de deixar a semente adormecida sem que produza os frutos devidos. Trabalhadores que precisarão de muito mais esforço no preparo das atividades a serem desenvolvidas, mas, principalmente, que sejam referências positivas de dedicação, alegria, otimismo e convicção sobre o que ensinam.

Reproduzindo as palavras de Carlos Lomba:

Um exemplo de alguém, uma página isolada, um livro que se dá, um fato esclarecedor, uma opinião persuasiva, uma contribuição espontânea, erigir-se-ão, muita vez, por recurso mais ativo na excitação dessas mentes para a verdade, catalisando-lhes as reações de reminiscências adormecidas, que ressoarão à guisa de clarins na acústica da alma.1

É esse um importante alertamento sobre o valor da ação de cada um de nós junto a essa nova geração de criançasque está, provavelmente, aguardando nossa atenção, nosso estímulo, nosso exemplo para dar seguimento ao trabalho iniciado em encarnações pregressas, rumo à consolidação do aprendizado que lhes propiciará alçar novos voos.

Façamos de todos os dias, o dia especial de atenção e dedicação às nossas crianças!

 

Referências:

1 DUSI, Miriam Masotti et al. Sublime sementeira: Evangelização Espírita Infantojuvenil. Brasília: FEB, 2012. pt. 2, cap. 8, p. 140.

2 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 81. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2001. pt. 3, cap. XII, perg. 917.

3 DUSI, Miriam Masotti et al. Sublime sementeira: Evangelização Espírita Infantojuvenil. Brasília: FEB, 2012. pt. 2, cap. 8, p. 139.

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