Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87
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Testemunhos de Chico Xavier

agosto/2012

O ano em curso assinala a primeira década da desencarnação de Francisco Cândido Xavier. Nada mais oportuno do que enfocarmos uma obra que comenta parte da correspondência do médium mineiro ao então Presidente da Federação Espírita Brasileira – FEB, Antônio Wantuil de Freitas.

Ao desencarnar Wantuil, o acervo que acumulara, ao longo de seus trinta e quatro anos consecutivos como Diretor da FEB, vinte e sete como Presidente, passou às mãos do filho Zêus Wantuil. Livros e papéis foram entregues à FEB. E Francisco Thiesen tornou-se o depositário da vasta correspondência do ex-presidente, onde constavam muitas cartas escritas por Chico Xavier.

Thiesen teve o cuidado de selecionar essas cartas e separá-las em dois grupos. Vez ou outra, alguns trechos dessas missivas foram estampados na revista Reformador, da FEB. Com muito critério, tal procedimento se deu quando identificado como útil aos leitores para elucidar a respeito da linha doutrinária da Federação, para esclarecer fatos históricos da unificação ou para dirimir dúvidas de vulto.

Oportunamente, excertos dessas missivas foram datilografados e enfeixados em um volume. Era seu intuito escrever um livro a respeito. Impediram-no o volume de trabalho administrativo frente à FEB (Thiesen assumiu a Presidência em 1975 e a exerceu até 1990) e a precariedade de sua saúde.

A fim de alcançar seu objetivo, confiou à médium mineira Suely Caldas Schubert a incumbência. Suely era médium, estudiosa da mediunidade, estava familiarizada com a teoria e a prática da Doutrina Espírita e já era conhecida como escritora, pois a FEB publicara seu livro Obsessão/Desobsessão – Profilaxia e Terapêutica Espíritas.

Foram quatro anos de trabalho para apresentar uma parte das cartas, não todas, período em que Suely manteve muitos contatos com o médium mineiro, a fim de dele obter sugestões de valia e explicações para pontos menos explícitos de determinadas missivas.

As apresentadas na obra Testemunhos de Chico Xavier constituem rico filão de ensinamentos, retratando um período de vinte e um anos de intercâmbio entre Chico e Wantuil.

Quem leia a obra, ilustrada ademais, com os comentários de Suely, descobrirá o homem por trás do médium, o homem que viveu para os outros e que recebeu muitas pedradas em seu caminho, muitas calúnias.

Por ser médium, por se dedicar ao bem, todos tinham os olhos postos sobre ele e se permitiam agredi-lo, chamar-lhe a atenção, antes mesmo de descobrir se verdadeiras eram as informações que lhes chegavam. A maioria delas, infundados boatos.

Por exemplo, em julho de 1951, escreve Chico Xavier a respeito dos comentários alarmantes sobre ele ter sido visto em companhia de uma mulher. Um médium chegou a receber uma carta de advertência e lha endereçou. E Chico precisou justificar que a mulher era sua irmã, filha das primeiras núpcias de seu pai, casada com esposo ainda encarnado e mãe de cinco filhos já maiores. E foram vistos tantas vezes juntos, de braços dados, pela capital mineira, por estarem em visitas a médicos e autoridades, na tentativa de buscarem solucionar dificuldades para a viúva de um irmão de ambos.

E Chico relata da centena ou duas centenas de pessoas, que, semanalmente, compareciam às sessões, lá pelos idos  de 1953, sendo um terço delas de céticos e investigadores.  Nos seus escritos, confidencia de como era acusado de ser pago pela FEB para produzir os livros, para fingir-se médium, e das suas dores físicas e morais, pelas tantas calúnias sofridas em silêncio.

Em cartão postal, datado de 23 de dezembro de 1943, o médium de Emmanuel assim registrou a sua humildade: …Façamos de conta que eu sou um pescador, no dizer de um Espírito amigo.  Hei de enviar-te sempre o resultado da pescaria, e examinarás o material, antes de ir ao mercado, não é? Lançarás apenas o que achares de utilidade…

Ele assinala ao Presidente da FEB que lhe envia sua produção mediúnica, para análise e avaliação, a ele cabendo a devida seleção e consequente publicação do que fosse útil, proveitoso para a Doutrina Espírita.

Anos depois escreveria, alertando ao Presidente, acerca de pessoas que compareciam à FEB afirmando: Chico falou, Chico disse, Chico permitiu, Chico quer, pedindo que não levasse nada em consideração. Ele sabia que as pessoas utilizavam o seu nome para justificar determinadas medidas e comportamentos próprios. Ou para se beneficiarem, de alguma forma, do que consideravam ser o prestígio do médium junto à Instituição nacional.

Conforme assinala Suely, a obra não tem a pretensão de biografar o médium. É, contudo, uma forma de conhecer melhor o homem, o servidor de Jesus, o médium.

Chico sofreu, no seu mediunato. Mas, igualmente encontrou as doces alegrias que advêm do exercício sublime do Amor. Enxugou muitas lágrimas. Lágrimas de pessoas que acreditavam ter perdido os afetos e os descobriram vivos, após transporem a aduana da morte.

Devolveu sorrisos a muitas faces: órfãos, idosos, mães de corações despedaçados. Igualmente deixou vasta bibliografia para estudo, consolo, aprendizado.

Recomendamos a leitura da obra aos que desejam saber um tanto mais a respeito desse homem ilustre, que deixou a Terra de forma silente, num dia de festa nacional. Também para os que desejam trilhar os caminhos do atendimento ao próximo, pela mediunidade de variadas formas, sobretudo a mediunidade do Amor.

Leiamos e nos edifiquemos!

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