Jornal Mundo Espírita

Julho de 2020 Número 1632 Ano 88

Superação – O milagre da fé

junho/2020 - Por Maria Helena Marcon

Quando Jesus esteve entre nós, peregrinando pelos caminhos tortuosos dos homens, curou paralíticos, cegos, portadores da enfermidade conhecida como lepra (hanseníase), incluídas ali muitas dermatites, dermatoses persistentes, à falta de diagnóstico mais preciso.

Importante termos em mente que Ele não curou a TODOS os enfermos, paralisados e mesmo obsediados da época.

Esta é a resposta que, de imediato, nos acode à mente, quando o jovem Josh, retornado à vida normal, depois do trágico acidente que o manteve quinze minutos imerso totalmente em águas congeladas e mais quarenta e cinco minutos sem pulso, sem reação, é agredido com perguntas como: Por que, você, sortudo? Minha mãe está morrendo! Ou Por que Deus escolheu você para viver, mas deixou meu marido morrer, há dois anos?

Também nos vêm à mente as palavras de Jesus, ao Lhe ser pedido que retorne à Judeia porque Seu amigo Lázaro está enfermo: Esta enfermidade não é para a morte, mas para a glória de Deus.1

Têm se tornado mais frequentes esses fatos de curas extraordinárias pela fé. É de nos questionarmos se a Divindade, neste período de transição,  deseja chamar a atenção do homem para reconhecer, enfim, a sua verdadeira condição: ser imortal, filho de um Deus amoroso, Pai generoso e do extraordinário poder da oração.

E da Medicina, em especial, para algo que está além dos seus atuais conhecimentos, que se restringem ao corpo físico. Não estaria a demonstrar que, para além da matéria, de que ela trata e para a qual se encontra aparelhada, uma outra realidade existe, palpável, real e que precisa ser levada em conta, respeitada e associada?

Colhemos da psicografia de Francisco Cândido Xavier3: A medicina humana será muito diferente no futuro, quando a Ciência puder compreender a extensão e complexidade dos fatores mentais no campo das moléstias do corpo físico. (…) imagine o campo enorme de observações que nos oferece o plano espiritual, (…) O médico do porvir conhecerá semelhantes verdades e não circunscreverá sua ação profissional ao simples fornecimento de indicações técnicas, dirigindo-se, muito mais, nos trabalhos curativos, às providências espirituais, onde o amor cristão represente o maior papel.

Josh Smith, nascido na Guatemala, foi adotado, aos nove meses, pelo casal Joyce e Brian Smith. O acidente, naquele dia 19 de janeiro de 2015, feriado nacional, dedicado a Martin Luther King Jr., envolveria toda uma comunidade.

O bombeiro Tommy Shine é o responsável principal pelo resgate de Josh, das águas geladas do lago Saint Louis, no Missouri. Junto com outro colega, utilizam varas longas para, cuidadosamente, vasculharem a profundidade do lago. A preocupação é não se moverem em demasia, a fim de não provocarem o deslocamento do corpo para distante de onde submergira. Nada conseguem ver, entre as águas barrentas. A perspectiva é de que não fizessem um resgate, mas simplesmente uma recuperação de cadáver, passados quinze minutos da permanência do menino submerso.

Então, Tommy escuta uma voz, que ele interpreta ser do seu chefe, que o orienta, da borda do lago, em que se encontra, a lhe gritar: Mais para trás, para trás. Ele o faz, de forma prudente e localiza o corpo de Josh, trazendo-o à tona, auxiliado pelo seu companheiro de resgate.

O interessante é que, ao comentar o fato, no Corpo de Bombeiros, descobre que o chefe não falara nada. Seu colega afirma que nada ouvira. Ora, quem falara com ele, então? Quem lhe dissera justamente para onde ir a fim de encontrar o jovem?

Como podiam cogitar ter sido a voz de um Ser Superior? Ele nem acreditava em Deus.

Recordamos o Espírito André Luiz observando uma ambulância que passa célere pelas ruas. À frente, ao lado do condutor, sentava-se um homem de grisalhos cabelos a lhe emoldurarem a fisionomia simpática e preocupada. Junto dele, porém, abraçando-o com naturalidade e doçura, uma entidade em roupagem lirial lhe envolvia a cabeça em suaves e calmantes irradiações de prateada luz.

A curiosidade o faz questionar: Por que é credor de tal companhia? Seria espírita? Um religioso de qualquer outra denominação?

O Espírito Hilário, que acompanha André Luiz, na oportunidade, esclarece que deve ser, antes de tudo, um profissional humanitário e generoso que por seus hábitos de ajudar ao próximo se fez credor do auxílio que recebe. (…) Para acomodar-se tão harmoniosamente com a entidade que o assiste, precisa possuir uma boa consciência e um coração que irradia paz e fraternidade.2

Era o caso de Tommy que pensava somente estar cumprindo seu dever. E o buscava realizar da melhor forma. Expunha sua vida, nas águas geladas e não desistiu, mesmo aparentemente ter se esgotado o tempo que permitiria sobrevivência à vítima. Era um homem bom, dedicado e os Bons Espíritos o assistem.

Quando Joyce chega ao hospital, a equipe médica estava a ponto de declarar o óbito do garoto, considerando seus esforços inúteis por quarenta e cinco minutos: injeção de adrenalina, massagem cardíaca, choques. Sem pulso, pupilas dilatadas e sem reação…

Deixada a sós para se despedir do filho morto, ela ora em voz alta, em quase desespero. Começara, há algum tempo, a frequentar estudos bíblicos, especialmente voltados para o poder de Deus e da oração.

Há poucos dias debatera com as amigas o que seria uma oração com ousadia. Agora, ela entre soluços, quase gritava para Deus por um milagre. E então, de repente, o aparelho começa a registrar os batimentos cardíacos.

Inacreditável. Médico e equipe não conseguem acreditar no que ocorre. Com vistas a tentar manter-lhe a vida, o adolescente é transferido para outro Hospital, a fim de ser entregue ao considerado maior especialista na área de afogados.

Ele não se mostra otimista. A primeira perspectiva é que Josh não sobreviva àquela noite. A ordem da mãe é direta: Doutor, o senhor é o melhor, tem fama mundial, não é verdade? Então, faça o seu melhor pelo meu filho. Deus fará o resto.

Destaque-se a atitude do pastor da comunidade, que oferece seu apoio total à família, numa demonstração de amor e de perdão, pois sabia que Joyce criticava seus sermões e algumas ações que empreendera na igreja.

A história reflete várias situações. Joyce, aos dezoito anos, doara seu primogênito, por considerar não ter condições de criá-lo. Nunca se perdoara por isso e, passara a querer ter o controle de tudo: do marido, do filho, do grupo que frequentava…

A grande lição que a vida agora lhe oferta e ela aprende é que não pode controlar tudo. A situação do filho extrapola o seu controle. Também aprende que, embora a dor que esteja sofrendo, a raiva que a domina pelo estado do filho, não deve descarregá-las em funcionários, equipe médica, amigos, desde que todos estão dando o seu melhor, naquele momento.

Tommy descobre que existe algo além do que os seus sentidos físicos podem detectar.  E Josh, ao despertar, esquecerá a mágoa de ter sido rejeitado pela mãe biológica, terá novas atitudes na escola, nos jogos de basquete, com os próprios pais. Ele tivera a mais clara demonstração de quantos moveram céus e terra para lhe salvar a vida: a equipe de resgate, os policiais, médicos, enfermeiros e funcionários dos dois hospitais, os colegas da escola, os membros da Igreja.

De relevância assinalar a postura da mãe que, no quarto e no corredor, estabelece que não se comente nada de negativo. Somente coisas positivas devem ser ditas, faladas porque Josh está ouvindo. E precisa de todo o apoio, em sua luta pela vida.

Isso nos diz do quanto nos devemos disciplinar quando visitamos enfermos que se encontram em coma ou situações semelhantes. Eles nos ouvem, estão atentos e nossas atitudes poderão auxiliá-los ou perturbá-los.

Dois dias após o acidente, Josh desperta e começa a se comunicar com os que estão ao seu redor. Sete dias depois, é liberado dos aparelhos de respiração e após dezesseis dias, deixa o hospital, andando com os próprios pés.

Sua recuperação desafiou todos os especialistas, os casos históricos e todas as previsões científicas. Mesmo que despertasse, o prognóstico era de que ele seria um vegetal, pelos graves danos neurológicos. Contudo, vinte e oito dias depois do acidente, estava de volta à Escola, em pleno uso das suas faculdades. Nenhum efeito colateral.

A história real da família Smith é narrada no livro The Impossible (O Impossível), escrito pela própria mãe e lançado em 2017. O objetivo, confessa a autora, é levar esperança às pessoas. Não somos a resposta, a resposta vem de Deus. Estamos apenas compartilhando nossa história para que vejam o quão grande é o nosso Deus.

 

Referências:

1 BÍBLIA, N. T. João. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1966. cap. 11, vers. 4.

2 XAVIER, Francisco Cândido. Nos domínios da mediunidade. Pelo Espírito André Luiz. Rio de Janeiro: FEB, 1976. cap. 15.

3 ______. Missionários da luz. Pelo Espírito André Luiz. Rio de Janeiro: FEB, 1973. cap. 12.

 

Ficha Técnica:

Breakthrough

Gênero: Drama, Biografia

Direção: Roxann Dawson

Roteiro: Grant Nieporte

Elenco:  Chrissy Metz, Josh Lucas, Mike Colter, Topher Grace, Isaac Kragten, Dennis Haysbert, Ali Skovbye, Taylor Mosby, Lisa Anne Durupt, Cindy Reiger, Rebecca Staab

Produção: DeVon Franklin, Becki Cross Trujillo, Stephen Curry, Samuel Rodriguez

Trilha Sonora: Marcelo Zarvos

Duração:  116 minutos

Ano: 2019

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