Jornal Mundo Espírita

Junho de 2020 Número 1631 Ano 88

Star Wars – O derradeiro episódio

março/2020 - Por Maria Helena Marcon

Os fãs de ficção científica, que enfoca viagens interplanetárias, múltiplos mundos habitados, assistiram ao derradeiro episódio da saga, quarenta e dois anos depois da estreia do primeiro filme, em 1977. Foram doze filmes, considerando-se as três trilogias e os três spin-offs.

Pela ordem de lançamento, foram:

  • Star Wars: Episódio IV – Uma nova esperança(1977)
  • Star Wars: Episódio V – O Império Contra-Ataca(1980)
  • Star Wars: Episódio VI – O Retorno de Jedi(1983)
  • Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma(1999)
  • Star Wars: Episódio II – Ataque dos Clones(2002)
  • Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith(2005)
  • Star Wars: A Guerra dos Clones(2008)
  • Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força(2015)
  • Rogue One: Uma História Star Wars(2016)
  • Star Wars: Episódio VIII – Os Últimos Jedi(2017)
  • Solo: Uma História Star Wars(2018)
  • Star Wars: Episódio IX – A ascensão Skywalker(2019)

 

Embora as grandes batalhas, com milhares de vidas sacrificadas nos doze filmes, pode-se extrair alguns ensinos relevantes. Isso, para quem deseje ver um pouco além das batalhas, dos efeitos visuais, das trilhas sonoras e figurinos surpreendentes.

Chega-se ao fim e a Força vence, sobrepujando todo o mal, que rui, exatamente quando desaparece Darth Sidious, nascido Sheev Palpatine. Lembra-nos muito bem as lições que aprendemos quando adentramos as descrições do mundo espiritual inferior, que se transforma com a instalação da luz. Isso porque o mal é a ausência do bem, como o frio é a ausência do calor. … Onde não existe o bem forçosamente existe o mal. (…) Só do homem procede o mal.1

O que ressalta, em toda a franquia, é a apresentação de muitos mundos habitados2, com seres diferentes, que falam idiomas diferentes e têm suas respectivas culturas.

Imaginamos, contemplando a abóbada celeste quantos mundos existirão, nesse imenso e infinito Universo em expansão, considerando que o Pai trabalha incessantemente3, criando, portanto, de contínuo, novos mundos.

Mundos situados em diferentes planos de progresso, desde os primitivos, de provas e expiações, de regeneração, aos celestes ou divinos.4

 E algo realmente inimaginável é viajar, alcançando esses mundos, em naves de desenhos arrojados, além da velocidade da luz, o que nos remete à transmissão do pensamento, pelo fluido universal, como o ar transmite o som5. Quanto mais poderá nossa mente, no transcorrer evolutivo?

Ver seres tão diferentes se abraçarem, se auxiliarem ou se digladiarem, por se acreditarem amigos ou inimigos nos dá um panorama da Terra, panorama que ainda hoje vivemos e respiramos. Se transportarmos toda a saga para os limites da nossa Terra, poderemos traduzir de forma simples: as tantas nações, culturas, idiomas, entendimentos diversos a respeito da vida. Pessoas boas importando-se com o semelhante, pessoas más desejando somente o poder, ambicionando subjugar o outro.

A grande mensagem do derradeiro episódio nos diz que quando todos nos unirmos no mesmo sentido, venceremos a treva, o mal, as enfermidades. Teremos uma Terra rica de bênçãos. Exatamente essa a mensagem da grande batalha final, quando o Comandante do lado sombrio se surpreende com o número de naves que se apresentam para o grande confronto, desde que a Força não possuía uma esquadra. Seu oficial lhe informa que se trata simplesmente de pessoas. Pessoas que aderiram à luta, cientes de que as trevas devem ser derrotadas. Pessoas de dimensões diferentes, que nem sequer falam o mesmo idioma, mas alimentam idêntico desejo de felicidade.

Isso nos dá a dimensão do quanto podemos, se desejarmos, atuar positivamente neste mundo, acelerando a grande transformação. Exatamente como nos asseveram os Espíritos6: Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.

Os que acompanhamos episódios anteriores, vimos o filho de Han Solo e Léia Organa se transformando em mensageiro do mal, em anjo da morte, promovendo o terror, sob o comando do Imperador Palpatine, ao ponto de assassinar o próprio pai, em acirrado combate.

A sua queda, ou seja, a sua adesão ao lado sombrio nos diz da fragilidade de nossas almas. Quantas vezes temos assistido companheiros de valor, com conhecimento doutrinário, com horas investidas no bem, serem atraídos para o desleixo, a censura mordaz, a inveja, passando a executar ações no único intuito de agredir os que emitem luz, os que prosseguem firmes nas trilhas do dever e da renúncia.

São os Espíritos imperfeitos, nem todos essencialmente maus. Em alguns há apenas leviandade, irreflexão e malícia do que verdadeira maldade. (…) Outros, ao contrário, se comprazem no mal e rejubilam quando uma ocasião se lhes depara de praticá-lo.7

Nesse episódio, assistimos a sua regeneração. E, da mesma forma, que acompanhamos na literatura mediúnica, os Espíritos familiares se interessarem pelos que permaneceram na Terra, e, tanto quanto possam, e lhes seja permitido, interferir, rogar por eles, igualmente constatamos em A ascensão Skywalker.

É o pai que aparece ao filho, que se mostra cansado das lutas constantes (não é assim mesmo que alguns Espíritos se apresentam em nossas reuniões mediúnicas, assinalando o momento que decidirá de seu futuro?).

É Han Solo que vem afirmar que ele não é nada além de Ben, somente Ben, seu filho. É o convida a recordar o amor com que foi concebido, criado, o que fora e a tornar a ser. É o momento da sua adesão à Força.

O Pastor de nossas almas asseverou que nenhuma das ovelhas que o Pai lhe confiara se perderia.8

Ben Solo sacrificar-se-á, em nome do amor, para que a amada viva, doando suas energias. Sabemos que o fluido vital se transmite de um indivíduo a outro. Aquele que o tiver em maior porção pode dá-lo a um que o tenha de menos e em certos casos prolongar a vida prestes a extinguir-se.9 É dessa forma que ele procede, com a diferença, sempre tendo em vista as licenças cinematográficas, no intuito de tornar mais impactante o fato, que no filme, o doador morre.

E como somente o Bem é real, porque emana de Deus, a Força, Rey terá o auxílio de vários Jedi para a conclusão da sua missão. Jamais estamos sós, é o que aprendemos. Conosco estão, em nossas ações, os Espíritos que nos amam, os que, como nós, desejam que a regeneração suceda, que a Humanidade seja feliz, em sua ascensão para o próximo patamar de bênçãos.

Por isso, ela ouvirá as vozes dos que se encontram na Espiritualidade: Luke, Léia, Obi Wan Kenobi, Yoda. Todas afirmando que ela não está só.

Algo impressionante que o filme atesta é que a descendência não retrata a moralidade. Assim é porque diferentes são as almas ou Espíritos de uns e outros. O corpo deriva do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito. Entre os descendentes das raças apenas há consanguinidade.10

Rey, que se descobre a neta do Imperador Palpatine, com direito ao trono sombrio e a todo o império sith, opta pela Força. É isso que ela deseja e será por isso que lutará, alcançando a vitória.

Terá Luke Skywalker a lhe insuflar renovado ânimo, inclusive reconhecendo que ele errara, ao se exilar, ao abandonar a luta. Um exemplo para termos em mente quando, ante as dificuldades que parecem insuperáveis, quando a maldade, a desonestidade parecem sobrepujar nossos mais anelados ideais, nos sintamos propensos a desistir de tudo.

A análise oferecida por Luke nos conduz à reflexão de nossa própria forma de agir.

Um detalhe que fala de gratidão é a homenagem a Carrie Fisher, atriz que interpretou a princesa Léia Organa, desde que sua desencarnação se deu em 27 de dezembro de 2016 mas que está presente nesse episódio.

Segundo o diretor J. J. Abrams, foram utilizadas cenas que haviam sido gravadas para o episódio VII – O despertar da Força e que não haviam sido utilizadas. Léia era uma personagem muito importante, uma peça crucial do quebra-cabeça. A ideia de concluir a saga sem ela era impossível – afirmou.

 Disse ainda: Algumas pessoas sugeriram escalar outra atriz, que é algo que eu nunca faria. Outros falaram de usarmos computação gráfica para colocá-la de volta, mas eu sabia que não funcionaria de jeito nenhum.

E, assim assistimos a homenagem à atriz, tendo-a presente no filme que encerra a saga.

Gratidão, algo que não devemos jamais esquecer. Gratidão aos que ombreiam conosco, laboram e dão tanto de si, nas tarefas que nos competem, constituindo-nos colunas de sustentação. Não é estranho que, de forma muito rápida, os substituamos, e lhes esqueçamos as décadas de esforço, de trabalho, após sua partida?!

Pensemos a respeito e recordemos mais os nossos pioneiros de caminhada, aqueles que abriram picadas na mata da ignorância, que indicaram caminhos para a nossa própria jornada, que nos facilitaram as tarefas do agora graças ao que estabeleceram como pilares de atividade segura, doutrinária.

 

Referências:

  1. KARDEC, Allan. A gênese. Rio de Janeiro: FEB, 2002. cap. III, item 8.
  2. ______. O livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 1974. pt. 1, cap. III, q. 55.
  3. BÍBLIA, N. T. João. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1966. cap. 5, vers. 17.
  4. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2001. cap. III, item 4.
  5. Op. cit. cap. XXVII, item 10.
  6. KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 1974. pt. 4, cap. I, q. 932.
  7. Op. cit. pt. 2, cap. I, q. 101.
  8. BÍBLIA, N. T. João. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1966. cap. 6, vers. 39.
  9. KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 1974. pt. 1, cap. IV, q. 71 comentário.
  10. Op. cit. pt. 2, cap. IV, q. 207.

 

Ficha Técnica:

Star Wars: The Rise of Skywalker

Gênero: Ação, Aventura, Ficção científica

Direção: J. J. Abrams

Roteiro: Chris Terrio, Colin Trevorrow, Derek Connolly, George Lucas, J. J. Abrams

Elenco:  Daisy Ridley, Adam Driver, Carrie Fisher, Anthony Daniels, Billy Dee Williams, Ian McDiarmid, Joonas Suotamo, John Boyega, Oscar Isaac, Mark Hamill

Produção: J. J. Abrams, Kathleen Kennedy, Michele Rejwan

Trilha Sonora: John Williams

Duração:  141 minutos

Ano: 2019

Assine a versão impressa
Leia também