Jornal Mundo Espírita

Fevereiro de 2021 Número 1639 Ano 88
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Somos seis e Jovens no além

novembro/2014 - Por Marco Antonio Negrão

Dia 2 de novembro comemora-se o chamado Dia dos Mortos. A relação com quem morreu está presente em quase todas as culturas antigas. O cristianismo herdou esse costume principalmente do judaísmo, afirma o Prof. Dr. Volney Berkenbrock, professor de Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora. Os primeiros registros de orações pelos cristãos falecidos datam do século I, quando era costume visitar os túmulos de mártires. Aos poucos, a prática ficou mais frequente. Por exemplo, no livro Confissões, Santo Agostinho (354-430) pede que Deus interceda por sua mãe morta, diz o historiador Prof. Dr. André Leonardo Chevitarese, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

No ano 732, o Papa Gregório III autorizou a realização de ofícios religiosos em memória dos falecidos. No século X, a Abadia de Cluny, em Paris, estabeleceu uma data fixa para essa cerimônia.

A Doutrina Espírita veio mostrar que o Espírito Imortal sobrevive à morte do corpo físico, trazendo o consolo e a esperança àqueles que perderam seus entes queridos. Neste mês, em que o calendário registra a comemoração dos Mortos, sugerimos a leitura de dois livros que demonstram a sobrevivência da alma na sua plenitude.

Em Jovens no Além e Somos Seis (ed. GEEM) constam mensagens de jovens desencarnados. O autor Caio Ramacciotti empreendeu pesquisa a partir dessas mensagens psicografadas por Francisco Cândido Xavier, a partir de entrevistas com os pais de cada um deles, levantando dados que comprovassem a veracidade das informações.

Mais do que a transmissão de sensações, de como chegaram ao Lado de Lá, sentimos neles o anseio de dizer a você que as responsabilidades do jovem não podem ser esquecidas, em função de sonhos temporários; que enfrentaram lá no outro lado da vida a necessidade do trabalho, do estudo e da revisão de muitos conceitos à luz de uma compreensão mais ampla, comenta Caio na apresentação de Jovens no Além.

Ele demonstra que Francisco Cândido Xavier não conhecia detalhes familiares e relata como os pais chegaram até Chico e a Uberaba – em estado de tristeza absoluta com a partida dos seus filhos, sem vontade de continuar vivendo, desanimados para o trabalho, com altas doses de tranquilizantes e descrentes.

Uma descrição impactante é a do pai de um dos jovens desencarnados que (…) retirava a pedra de cobertura do túmulo, penetrava no jazigo e se deitava na gaveta vazia… pois supunha que seu filho tinha medo de dormir sozinho, naquela lápide fria. (…)

Os jovens desencarnados narram que o choro, o desespero, a aflição, os pensamentos desequilibrados os deixavam amarrados. Outra observação importante é que sempre estavam amparados por parentes que os antecederam no retorno à vida espiritual. Tais relatos motivaram mudança radical de atitude dos pais pois, com a certeza da continuidade das ligações afetivas, após a extinção do corpo físico, a partir desse momento, passaram a consolar outros pais que sofreram a perda de seus entes queridos.

Jovens no Além traz dezenove mensagens de quatro jovens:

cinco mensagens de Augusto Cezar Neto, dadas entre janeiro/74 a maio/75;

duas de Carlos Augusto da Silva Lourenço, do período de fevereiro e abril /75;

cinco de Jair Presente, oferecidas entre março/74 a março/75 e

sete de Wady Abrahão Filho, do período de novembro/73 a abril/75.

Em Somos Seis se encontram mensagens de quatro desses jovens e dois outros, que desencarnaram no incêndio do edifício Joelma (fevereiro/74), em São Paulo:

cinco mensagens de Augusto Cezar Neto (julho/75 a março/76);

três de Carlos Augusto da Silva Lourenço (agosto/75 a fevereiro/76);

três de Jair Presente (julho/75 a fevereiro/76);

três de Wady Abrahão Filho (julho/75 a fevereiro/76);

duas de Volquimar Carvalho dos Santos (julho/75);

uma de Wilson Willian Garcia (dezembro/75).

O depoimento de Volquimar serviu de base para roteiro do filme Joelma – 23º Andar.

Em comentários finais do livro Jovens no Além, encontramos que os quatro autores não regatearam esforços para evidenciar que estão vivos – muito vivos – no Plano Espiritual, em comovente apelo aos pais queridos, para que divisassem, no alto dos céus, a presença de uma justiça que jamais poderia permitir a separação definitiva, e em advertência direta aos jovens da Terra para que despertem de ilusões, muitas vezes comprometedoras, diante da certeza de que para todos nós a vida e a morte são etapas naturais, transformações a que estamos sujeitos no longo jornadear entre Plano Espiritual e Terra.

Mostraram-nos, Augusto, Carlos Alberto, Jair e Wady, que aqui como lá a vida é uma só, sendo a morte uma ilusão que criamos para fugir aos imperativos de nossa consciência.

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