Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2018 Número 1613 Ano 86

Só a reencarnação explica

outubro/2018 - Por Rogério Coelho

Não te maravilhes de ter dito: necessário vos é nascer de novo.
Jesus (Jo, 3:7)

A reencarnação salta aos olhos e grita em alto e bom som tanto no Velho como no Neotestamentário…

Analisando os fatos que nos lançam na direção da tese reencarnacionista, nosso confrade Jorge Hessen escreveu um artigo na revista da Federação Espírita Brasileira,  Reformador, do mês de janeiro de 2005, do qual destacamos:

 (…) Howard Gardner, professor da Universidade de Havard, nos Estados Unidos, afiança que não existe inteligência absoluta. Ele mapeou várias formas de inteligência e para demonstrar a multivariedade de expressão intelectual desenvolveu a Teoria das Inteligências Múltiplas, que permite compreender a manifestação da inteligência humana pelas capacidades verbal-linguística, lógico-matemática, visual-espacial, rítmica-musical, corporal-sinestésica, interpessoal, intrapessoal e naturalista dos indivíduos. Já o seu colega, Robert Coles, defende a teoria da existência do que chamou de Inteligência Moral, isto é, a capacidade de refletir sobre o certo e o errado.

O grande embaraço dessas teses é desconsiderar o fato de a inte­ligência ser atributo ou conquista do próprio indivíduo, resultante da soma de conhecimentos e vivências de existências anteriores.  Nesse sen­tido, admitindo-se a reencarnação, as ideias inatas são apenas lembran­ças espontâneas do patrimônio cul­tural do ser, em diferentes esferas de expressão, alguns em estado mais latente como nas crianças-prodígio. Desse modo, ficaria bem mais fácil compreender toda essa complexida­de da mente humana.

Só a pluralidade das existências pode explicar a diversidade dos ca­racteres, a variedade das aptidões, a desproporção das qualidades mo­rais, enfim, todas as desigualdades que alcançam a nossa vista. Fora dessa lei, indagar-se-ia inutilmente porque certos homens possuem ta­lento, sentimentos nobres, aspira­ções elevadas, enquanto muitos ou­tros só tiveram em partilha tolices, paixões e instintos grosseiros.

A influência do meio, a heredi­tariedade, as diferenças de educação não bastam, obviamente, para ex­plicar esses fenômenos. Vemos os membros de uma mesma família, semelhantes pela carne e pelo san­gue, pelo histórico genético e edu­cados nos mesmos princípios, dife­rençarem-se em muitos pontos.

Mais recentemente, o Doutor Richard Wolman, também da Har­vard, incorporou às demais teorias em voga o conceito de Inteligência Espiritual, que seria a capacidade humana de fazer perguntas funda­mentais sobre o significado da vida e de experimentar simultaneamen­te a conexão perfeita entre cada um de nós e o mundo em que vivemos. Não é exatamente o que define a Doutrina Espírita, mas já é um avanço no entendimento integral do indivíduo.

Os fatos nos lançam, inevi­tavelmente, no rumo da tese “reen­carnacionista.”

Se nascem gênios, por que também nascem crianças com sérios distúrbios congênitos como hi­drocefalia, Síndrome de Down, es­quizofrenia, cardiopatias graves, autismos?!  Na reencarnação vemos a Justiça Divina corrigindo os “tiranos, os suicidas, os homicidas, os viciados e libertinos” de vidas passadas.

 É possível que – futuramente – os estudos nessa direção cheguem aos mesmos resultados já afirmados pelo Espiri­tismo, porém, de todo o vasto leque de tentativas de se estudar superdo­tados sem considerar a existência do Espírito, a maior parte tem esbarra­do em resultados ou em dificulda­des em que se faz necessário considerar esta hipótese, sem a qual se entra num beco sem saída.

Sendo Deus justo e equânime em Sua justiça distributiva, Ele não criaria alguns homens inteligentes e outros apoucados…  Só a reencarnação pode explicar o porquê da defasagem existente entre tantos cérebros: cada criatura é o somatório de seus próprios esforços nas sendas evolutivas da vida.

Segundo Kardec, os gênios, na sua maioria denotam, ao nascer, faculdades transcendentes e alguns conhecimentos inatos, que com pouco trabalho desenvolvem. Pertencem realmente à Humanidade, pois nascem, vivem e morrem como nós. Onde, porém, adquiriram esses conhecimentos que não puderam aprender durante a vida? Dir-se-á, com os materialistas, que o acaso lhes deu a matéria cerebral em maior quantidade e de melhor qualidade? Neste caso, não teriam mais mérito que um legume maior e mais saboroso do que outro. 

Dir-se-á, como certos espiritualistas, que Deus lhes deu uma alma mais favorecida que a do comum dos homens? Suposição igualmente ilógica, pois que tacharia Deus de parcial. A única solução racional do problema está na preexistência da alma e na pluralidade das vidas.  O homem de gênio é um Espírito que tem vivido mais tempo; que, por conseguinte, adquiriu e progrediu mais do que aqueles que estão menos adiantados.  Encarnando, traz o que sabe e, como sabe muito mais do que os outros e não precisa aprender, é chamado homem de gênio. Mas seu saber é fruto de um trabalho anterior e não resultado de um privilégio. Antes de renascer, era ele, pois, Espírito adiantado: reencarna para fazer que os outros aproveitem do que já sabe, ou para adquirir mais do que possui.1

 

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