Jornal Mundo Espírita

Janeiro de 2020 Número 1626 Ano 87
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Silvino Canuto de Abreu

fevereiro/2020 - Por Mary Ishiyama

Tudo se torna muito simples quando parte da boca de quem sabe, por isso, em sua casa, sempre havia alguém querendo ouvir Doutrina Espírita. Eram pessoas de todas as origens, profissões e religiões.

A frase descreve muito bem Silvino Canuto de Abreu, nascido em Taubaté, São Paulo, em 19 de janeiro de 1892.

Formou-se em Farmácia e Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Bacharelou-se, ainda, em Direito na Universidade do Rio de Janeiro.

Foi um homem laborioso. Especializou-se em Direito Comercial, Assuntos Bancários e Econômicos, trabalhou no contencioso do Banco Hipotecário do Brasil e da Caisse Commerciale et Industrielle de Paris. Esteve no Oriente estudando in loco assuntos pertinentes à imigração oriental para o Brasil. Foi autor do projeto do Banco do Brasil Comissão do Açúcar, mais tarde transformado no Instituto do Açúcar. Escreveu artigos referentes à Medicina Social. Foi fundador e presidente da Associação Paulista de Homeopatia. Como clínico, jamais aceitou qualquer retribuição direta ou indireta de seus serviços médicos.

Foi membro de várias entidades assistenciais, dedicou-se com afinco ao trabalho em prol da criança abandonada. Fundou no Rio de Janeiro, com outros beneméritos, alguns orfanatos. Foi colaborador da Associação Feminina Beneficente e Instrutiva, uma das mais antigas instituições de assistência à infância, do Estado de São Paulo, fundada em 1901 por Anália Franco. Juntamente com a diretora geral, Cleo Duarte, empreendeu reformas e construções, fazendo dos internatos Anália Franco para meninos e Eleonora Cintra para meninas, estabelecimento único com capacidade para mais de trezentas crianças.

Na Doutrina Espírita foi importante trabalhador e pesquisador. Apesar de haver médiuns na sua família foi levado definitivamente ao Espiritismo pelos fenômenos provocados, em sua própria casa, pelo Espírito Afonso Moreira, que fora amigo de seu pai e manifestava-se assobiando, conversando baixinho, provocando batidas nas portas e janelas, além de aumentar ou diminuir a luz do lampião de gás, comum àquela época. Tais fenômenos duraram aproximadamente cinco meses, após o que o Espírito Afonso Moreira despediu-se.3

Canuto de Abreu realizou, entre outros trabalhos, a tradução direta dos Evangelhos gregos, tomando por base o mais antigo manuscrito do Novo Testamento, até a época. Pesquisou nas Bibliotecas do Museu Britânico, Biblioteca do Vaticano, Biblioteca Nacional de Paris.

Ao longo de sua vida, em inúmeras viagens ao Exterior, conseguiu amealhar livros e documentos raros, formando imensa biblioteca. Durante a Segunda Guerra Mundial, quando os exércitos alemães invadiram a França, tornou-se depositário de alguns documentos históricos, que estavam em poder da Sociedade Espírita, que dirigia os destinos do Espiritismo naquele país.

Sua biblioteca era composta por mais de dez mil volumes. Profundo conhecedor da História do Espiritismo no Brasil e no mundo, escreveu vários artigos para a revista Metapsíquica, órgão da Sociedade Metapsíquica de São Paulo, do qual foi diretor geral, fundindo-se posteriormente à Federação Espírita do Estado de São Paulo – FEESP.

Escreveu a respeito da atuação do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes à frente do movimento espírita no Brasil, artigos publicados, em 1950, em forma de opúsculo, ao ensejo do 2º Congresso Espírita do Estado de São Paulo. Em 1981, editado como livro, na comemoração do Sesquicentenário de Nascimento de Bezerra de Menezes, pela FEESP.

Em 1953, deu início, pelo jornal Unificação, órgão da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, à publicação de uma série de artigos, que compuseram, posteriormente, a obra O Livro dos Espíritos e sua Tradição Histórica e Lendária.

Em abril de 1957, pelo Centenário de lançamento de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, Canuto Abreu publicou a versão bilíngue: francês/português, com o título O Primeiro Livro dos Espíritos.

O Espiritismo muito lhe deve, pelo que fez em favor de sua divulgação, pelo incomparável esforço nas pesquisas e traduções.

Silvino Canuto de Abreu desencarnou em São Paulo, no dia 2 de maio de 1980 no lugar onde mais amava, entre seus livros e documentos.

Como a morte não existe, nas comemorações do bicentenário de Allan Kardec, realizadas em Paris, em outubro de 2004, o grande pesquisador se manifestou através da psicografia de José Raul Teixeira5: (…)Hoje, quando reconhecemos, na Pátria Espiritual, os inúmeros equívocos que costumamos cometer, quando caminhantes da vilegiatura corporal, vale considerar a importância de fazer com que a gloriosa informação da Codificação penetre nossa intimidade, a fim de que respiremos esse portentoso pensamento espírita, convertendo-o em nossa real filosofia de vida, o que nos capacitará para a conquista da felicidade.

Deixo o meu abraço emocionado a todos (…). Desejo paz e muita luz junto à Seara do Espiritismo.

Servidor de todos, agradecido e vibrante,

Silvino Canuto Abreu.

 

Referências:

  1. ABREU, Canuto. O evangelho por fora. São Paulo: LFU, 1996.
  2. __________. Minibiografia. Presença Espírita, Salvador, ano VIII, n. 91, set. 1981.
  3. http://feparana.com.br/topico/?topico=714

4.https://www.autoresespiritasclassicos.com/Autores%20Espiritas%20Classicos%20%20Diversos/Canuto%20Abreu/Canuto%20Abreu.htm

  1. http://www.raulteixeira.com.br/mensagens.php?not=224

 

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