Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87
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Sexo e consciência

outubro/2014 - Por Marco Antonio Negrão

Os problemas desencadeados pelas viciações do sexo, no atual momento da Humanidade, tem suscitado inúmeros trabalhos acadêmicos, que se debruçam sobre o tema, na busca de trazer o conhecimento e o esclarecimento às atitudes percebidas na sociedade moderna.

Quando ouvimos notícias de jovens que se encontram em parques das grandes cidades para usarem drogas e o abuso das forças sagradas do sexo, nos perguntamos o que essa situação e atos desencadearão na vida desses jovens; quais sequelas e consequências ficarão marcadas nesses seres que hoje, na busca dos prazeres passageiros, transgridem regras de convivência e respeito humano a si mesmos.

E nós, como pais que temos a responsabilidade de educar nossos filhos, de os prepararmos para a vida, nos questionamos como podemos bem atender aos imperativos delineados no item 208 de O Livro dos Espíritos:

P. Nenhuma influência exercem os Espíritos dos pais sobre o filho depois do nascimento deste?

R. Ao contrário: bem grande influência exercem. Conforme já dissemos, os Espíritos têm que contribuir para o progresso uns dos outros. Pois bem, os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus filhos pela educação. Constitui-lhes isso uma tarefa. Tornar-se-ão culpados, se vierem a falir no seu desempenho. 

Para atender as perguntas que nós, espíritas, nos fazemos sobre o que a Espiritualidade tem a nos ensinar e a nos esclarecer,  nessa área, é que neste mês sugerimos como leitura Sexo e Consciência, publicado pela LEAL, organizado por Luiz Fernando Lopes.

A obra se divide em quatorze capítulos, ao longo de mais de quinhentas páginas.

Interessante a iniciativa de Luiz Fernando Lopes, educador e mestre em Psicologia pela Universidade de São Paulo, que trabalha com pesquisa e ensino nas áreas de Saúde Mental, Psicologia, Saúde da Família e Educação. Ele se serviu de palestras e seminários proferidos por Divaldo Pereira Franco, no período que compreende a década de oitenta ao ano de 2013, apresentando, de forma organizada, nessa obra de porte, o que abordou o conferencista dentro dessa temática.

Lendo a apresentação da obra pelo Espírito Joanna de Ângelis, já temos ideia aproximada da profundidade das reflexões que o livro nos trará:

 A necessidade de uma ética-moral para a função sexual inspirou algumas religiões a estabelecerem regras castradoras e preconceituosas que geraram, através da História, situações embaraçosas que ainda prosseguem como heranças infelizes de que a sociedade padece, empurrando o comportamento, na atualidade, para a liberação excessiva ou libertinagem, para a castração, ou para tormentos de outra natureza…

Fundamentada na ética do amor, a Doutrina Espírita propõe ao comportamento sexual higiene moral e respeito indispensável ao exercício da sua função dentro de padrões equilibrados, de modo que se constitua elemento proporcionador de saúde e bem-estar, contribuindo seguramente para o desenvolvimento de todos os valores intelectuais e espirituais em que a vida se estrutura triunfante.

O livro está estruturado  em mais de sessenta subtítulos. Excelente recurso de que se utiliza o organizador é mencionar, nas notas explicativas, no rodapé das páginas, outros livros que remetem o leitor à possibilidade de mais aprofundar as reflexões apresentadas.

Destacamos alguns capítulos, a fim de avaliarmos a riqueza dos esclarecimentos de temas delicados.

No capítulo 2, Sexo e Reencarnação, no subtítulo Contraceptivos e planejamento familiar  encontramos: (…) os anticoncepcionais (ou contraceptivos) constituem um dos métodos que se ajustam à nossa necessidade de programar a família, pois a mulher não é uma fábrica de crianças. Ela tem direito ao repouso após a fase gestacional.

Desta forma, à luz da Doutrina Espírita, a utilização de anticoncepcionais é perfeitamente ética, embora Allan Kardec tenha referido que todo e qualquer obstáculo à reprodução torna-se coarctador da reencarnação. O Codificador se reportava ao aborto, já que este era o único método conhecido em sua época para interromper a gestação. Vale lembrar que, na metade do século XIX, não se conhecia cientificamente o mecanismo da fecundação, uma vez que os microscópios pouco desenvolvidos daquela época não permitiam aos pesquisadores analisar a união dos gametas.

Ainda menciona, em nota explicativa, que o tema contracepção é tratado no livro Após a tempestade, de Joanna de Ângelis, no seu capítulo 10.

No capítulo 3, o aborto é tratado em sete subtítulos: Aborto provocado, Aborto devido a estupro, Aborto eugênico, Aborto, células-tronco e fertilização in vitro, Consequências e responsabilidades, Aborto espontâneo, Renovação e resgate.

A respeito de Transtornos Sexuais, enfoca a pedofilia, os complexos de Édipo e de Electra, reservando um capítulo inteiro à Homossexualidade, com oito subtemas, entre os quais Orientação Sexual, Reflexos do Passado e Sublimação.

Outras interessantes abordagens são: O amor em suas múltiplas expressões; Sexo e sociedade; Desafios conjugais; O jovem e a sexualidade; Educação afetivo-sexual, reservando o derradeiro capítulo para apresentar Jesus como Modelo de Sexualidade Integral.

Recomendamos a leitura dessa obra copiosa, de fôlego mas que trata com muita objetividade as reais diferenças entre Sexo consciente e Sexo em desalinho.

O Espírito Emmanuel, pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier, em O Consolador (ed. FEB), em resposta à questão de número 184, assim escreve: Depreende-se, pois, que ao invés da educação sexual pela satisfação dos instintos, é imprescindível que os homens eduquem sua alma para a compreensão sagrada do sexo.

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