Jornal Mundo Espírita

Outubro de 2021 Número 1647 Ano 89

Serão felizes se a praticarem…

maio/2021

Disse Jesus: Amai o vosso próximo como a vós mesmos. Ora, qual o limite com relação ao próximo? Será a família, a seita, a nação? Não; é a Humanidade inteira. Nos mundos superiores, o amor recíproco é que harmoniza e dirige os Espíritos adiantados que os habitam, e o vosso planeta, destinado a realizar em breve sensível progresso, verá seus habitantes, em virtude da transformação social por que passará, a praticar essa lei sublime, reflexo da Divindade.[i]

A nossa relação com o mundo começa por nós mesmos, se estende ao próximo – a família – e se alarga ainda mais com o envolvimento social.

Com toda razão, afirma-se que a família é a célula básica da sociedade. Em uma célula, há muitos componentes, inclusive o material genético – o DNA (Ácido Desoxirribonucleico), o centro de informações, a coisa pensante.

Figuradamente, a família é a célula – vista pelos que olham de fora -, e então, de dentro, nós somos o DNA – os que damos as características à célula.

No âmbito familiar, a harmonia e união são resultados das ações de cada um em prol dos demais.

Os laços de família, na visão espírita, são tecidos dentro de uma lei da Natureza, em que Espíritos se congregam na jornada evolutiva individual e coletiva, com encontros e reencontros programados pelas nuances da reencarnação.

Congraçamento de almas que pede compromissos mútuos de auxílio, amparo, sob a égide da fraternidade, da solidariedade, da igualdade.

Paulo, o Apóstolo dos gentios, ensinava: Mas se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos de sua família, negou a fé e é pior do que o infiel.[ii]

O momento que vivemos tem revelado aspectos positivos, quando o isolamento social nos reconduziu a um convívio mais estreito com os familiares e isso tem sido como um renascimento, um reencontro com os afetos, em clima de carinho.

Há, também, aspectos negativos, para aqueles que retornaram para dentro de casa, mas não encontraram um lar. Voltaram a viver juntos, mas não conseguem conviver uns com os outros.

Egoísmo! É a triste marca da grande família humana.

Por trás do egoísta, se encontra a história de uma família desestruturada e apartada dos sentimentos maternais, paternais, filiais.

A família, que deveria ser o pilar do organismo social, por desatenção aos compromissos espirituais por esse, por aquele, ou por todos do grupo familiar, faz sua derrocada.

Através do meio familial, quer Deus que aprendamos a nos amar como irmãos. O quadro que se vive na intimidade da família ou no contexto social não é fruto das circunstâncias, mas das escolhas de cada um.

Somos dotados de livre-arbítrio. Não existimos simplesmente como num fluxo existencial criado pelo acaso. Decidimos – conscientes ou não – como será nossa existência e o que ela se tornará no momento seguinte.

O relaxamento dos laços de família e a maior parte das desordens que minam a sociedade, advêm da ausência de toda crença no bem, no belo, no nobre, no justo. Falta de fé em si mesmo, em Deus e Suas leis de amor.

O espírita é reconhecido pelas suas mudanças morais para melhor, já realizadas, também, pelo esforço que dispenda em mudar o que precisa ser mudado.

O retorno à harmonia familiar é medida de urgência e depende de cada um de nós.

Família não é só o conjunto pais e filhos. Há a nossa ancestralidade também, pela qual devemos gratidão.

Gratidão aos pais, avós, bisavós e os demais. Foram eles que abriram os nossos caminhos de hoje.

Sonharam, lutaram, sorriram, choraram e costuraram a melhor oportunidade de agora.

Na qualidade de filhos, especialmente os que nos dizemos cristãos, precisamos refletir sobre os comentários de Kardec, ao ensejo do mês em que as mães são homenageadas: Honrar a seu pai e a sua mãe, não consiste apenas em respeitá-los; é também os assistir na necessidade; é proporcionar-lhes repouso na velhice; é cercá-los de cuidados como eles fizeram conosco, na infância.

Sobretudo, para com os pais sem recursos é que se demonstra a verdadeira piedade filial. Obedecem a esse mandamento os que julgam fazer grande coisa porque dão a seus pais o estritamente necessário para não morrerem de fome, enquanto eles de nada se privam, atirando-os para os cômodos mais ínfimos da casa, apenas por não os deixarem na rua, reservando para si o que há de melhor, de mais confortável?3

Quando imperar nos corações humanos a piedade filial e o sentimento da caridade, os velhanatos e orfanatos serão páginas do passado. As mães cuidarão dos filhos das mães que já partiram, como se seus fossem! A harmonia em adotar uns os filhos dos outros, deixará de ser um ato heroico e passará a ser ato comum, levando ao equilíbrio, aconchegando ao próprio coração os que necessitam tanto de um colo, um abraço, um carinho!

A fraternidade, a solidariedade, a igualdade, a união e coesão, no seio da família começa em nossos corações.

Bem fazer para bem viver é a tônica de uma consciência desperta e de um coração humanitário e amoroso!

Disse Jesus: Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.4

 

Referências:

1 KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2001. cap. XI, item 9.

2 BÍBLIA, N. T. I Timóteo. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1966. cap. 5, vers. 8.

3 KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2001. cap. XIV, item 3.

4 BÍBLIA, N. T. João. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1966. cap. 13, vers. 17.

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