Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87

Ser espírita – postura do espírita no seio da sociedade atual

janeiro/2016 - Por José Passini

Ide; eis que vos mando como cordeiros no meio de lobos.  Lc, 10:3

Jesus nunca se afastou do povo, buscando um isolamento que lhe possibilitasse relacionar-se somente com aqueles que demonstravam entender-lhe as lições. Pelo contrário, deixou recomendação aos discípulos no sentido de não criarem lugares isolados do mundo, apartados da convivência diária, na vida em sociedade.

O Mestre não instituiu lugares sagrados, santificados, que levassem o homem a ter dois comportamentos, diferenciando-os de acordo com o ambiente religioso ou profano em que se encontrasse. A esse respeito, quando interrogado pela Samaritana, se deveria orar a Deus no templo de Jerusalém, respondeu: Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. (Jo, 4: 24).

Com esta afirmativa, quis o Mestre lembrar à mulher que estamos sempre em presença de Deus, que os lugares não são sagrados ou profanos em si mesmos. A sacralização ou o abastardamento de um local se dá pela ação das pessoas que ali se manifestam.  Em verdade, a divisão do mundo entre locais sagrados e profanos é que tem levado o homem a ter duas realidades: uma religiosa, onde se comporta respeitosamente, e outra profana, onde sua maneira de agir já não obedece os mesmos princípios.

 O espírita, por conhecer os ensinamentos e os exemplos do Mestre, deve lembrar-se deles, buscando ter, em todos os lugares em que se apresente, o mesmo comportamento sóbrio, ético, fraternal, que mantém no centro espírita.

O mundo está cada vez mais permissivo, mas o espírita sabe que está sempre em presença de Deus, tanto no centro espírita, quanto no campo de futebol, ou diante de uma tela de cinema ou de televisor, assistindo a um filme ou a um programa.

Mais do que nunca, aquele que se julga cristão, mormente o cristão-espírita, agora se sente na contingência da aplicação da advertência de Paulo: Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma. (I Co, 6:12).

Diante da vasta literatura de que dispõe o espírita, no tocante à vida no Além, não lhe será difícil avaliar o que lhe convém. É só imaginar: será que isso é válido em Nosso Lar, em Alvorada Nova, ou mesmo em planos mais baixos, como Campo da Paz, por exemplo? O espírita que realmente ora e medita, procurando adequar seu modo de pensar e de agir de molde a não ter de fazer grandes transformações ao deixar a Terra, não tem grandes dúvidas quanto ao que lhe convém.

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