Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87
Momento Espírita Envie para um amigo Imprimir

Sensibilidade e felicidade

julho/2015

Se alguém lhe dissesse que a beleza e a felicidade estão ao seu lado, radiantes, e que lhe falta apenas sensibilidade para percebê-las, você acreditaria?

Allan Kardec, na obra O céu e o inferno, que comemora cento e cinquenta anos de publicação, em 2015, afirma com propriedade:

Os Espíritos são criados simples e ignorantes, mas dotados de aptidões para tudo conhecerem e para progredirem, em virtude do seu  livre-arbítrio.

Pelo progresso adquirem novos conhecimentos, novas faculdades, novas percepções e, conseguintemente, novos gozos desconhecidos dos Espíritos inferiores.

Eles veem, ouvem, sentem e compreendem o que os Espíritos atrasados não podem ver, sentir, ouvir ou compreender.

A felicidade – acrescenta o professor de Lyon – está na razão direta do progresso realizado, de sorte que, de dois Espíritos, um pode não ser tão feliz quanto outro unicamente por não possuir o mesmo  adiantamento intelectual e moral, sem que por isso  precisem estar, cada qual, em lugar distinto.

Ainda que juntos, pode um estar em trevas, enquanto que tudo resplandece para o outro, tal como um cego e um vidente que se dão as mãos.

Este percebe a luz da qual aquele não recebe a mínima impressão.

Sendo a felicidade dos Espíritos inerente às suas qualidades, haurem­na eles em toda parte em que se encontram, seja à superfície da Terra, no meio dos encarnados, ou no espaço.

O insigne educador e codificador do Espiritismo ilustra a questão, dizendo:

Uma comparação vulgar fará compreender melhor esta situação.

Se se encontrarem em um concerto dois homens, um, bom músico, de ouvido educado, e outro, desconhecedor da música, de sentido auditivo pouco delicado, o primeiro experimentará sensação de felicidade, enquanto o segundo permanecerá insensível, porque um compreende e percebe o que nenhuma impressão produz no outro.

Assim sucede quanto a todos os gozos dos Espíritos, que estão na razão da sua sensibilidade.

*   *   *

Quanto mais sensíveis somos, mais felizes nos tornamos.

Quanto mais sensíveis nos permitimos ser, mais envolvidos com a miséria alheia estaremos, podendo nos tornar agentes do bem em qualquer situação.

A insensibilidade tem nos feito surdos aos gritos de dor do mundo. Alguém grita, em altos brados, ao nosso lado e não temos nem tempo para nos envolver.

A sensibilidade, da qual Allan Kardec nos fala é esta que nos faz ser felizes com o que temos, agradecidos pelas dádivas diárias com as quais a vida nos presenteia.

Enquanto alguns reclamam sistematicamente daquilo que lhes falta e por isso vivem infelizes, os sensíveis agradecem sempre que podem por aquilo que já conquistaram.

*   *   *

A natureza jubilosa é música, a vida que pulsa é música, o amor é música, e todos tocam sem cessar. Ouve quem tem ouvidos de ouvir.

Pare. Ouça. Sensibilize-se. Retire de si essas couraças que ainda o impedem de sentir.

A felicidade aguarda você na distância da sensibilidade.

 

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 3, item 6,
do livro
O céu e o inferno, de Allan Kardec, ed. FEB.

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