Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Sempre os três filtros

abril/2013

Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina. – Paulo. (Tito, 2:1.)

Ao tratarmos da imprensa espírita, estamos tratando de imprensa especializada, pois pensada e feita em nome do Espiritismo e de sua divulgação, sendo dirigida, principalmente, aos seus interessados. Logo, todos os assuntos e notícias, por mais gerais que sejam, quando veiculados pela imprensa espírita, são, ou deveriam ser, abordados à luz da Doutrina Espírita.

Em razão disso, os que laboramos no campo da difusão doutrinária levamos em consideração que o patrimônio inestimável dos postulados espíritas está empenhado em nossas mãos, como relembra-nos André Luiz, Espírito, em seu livro Conduta Espírita, recebido mediunicamente por Waldo Vieira, no capítulo Na imprensa.

E, na mesma fonte, André Luiz ainda diz: A imprensa espírita cristã representa um veículo de disseminação da verdade e do bem.

De certo modo, o simples compromisso com a verdade, com o bem e com o útil, bastaria para sintetizar o regimento de um jornal espírita, tanto quanto é o que bastaria escrever neste Editorial.

Todavia, se apresenta oportuno que teçamos mais algumas considerações a respeito.

O Mundo Espírita completa, neste mês de abril, 81 anos de fundação, nascido por iniciativa de Henrique Andrade.

Nesse intervalo de tempo, tem buscado manter fidelidade à boa palavra, pois, como Victor Hugo, seus redatores também entendem que a palavra, como se sabe, é um ser vivo, e, sem bem selecionada, uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males, na feliz citação de François-Marie Arouet Voltaire.

Por sua vez, Emmanuel, através da mediunidade de Chico Xavier, ensina que todas as tuas frases escritas gerarão imagens nos que te leem. (Fonte Viva, cap. 161).

Temos esse conhecimento e o mantemos como fundamental na tarefa zelosa da redação do jornal.

Naturalmente, ao enaltecer a forma de pensar de cada edição do nosso jornal, estamos dizendo ao leitor como deveria ser sobre o geral da imprensa verdadeiramente espírita que, numa visão ampla, age em consonância com os mesmos princípios.

O nosso desejo é que cada uma de nossas páginas veicule a verdade conhecida, com coisas boas e úteis.

Isso vem ao encontro da recomendação sobre os Três Filtros, atribuída a Sócrates.

Na Grécia antiga, Sócrates (469 – 399 A. C.) era um mestre reconhecido por sua sabedoria. Certo dia, o grande filósofo se encontrou com um conhecido, que lhe disse:

– Sócrates, sabe o que acabo de ouvir sobre um de seus alunos?

– Um momento, respondeu Sócrates. Antes de me dizer, gostaria que você passasse por um pequeno teste. Chama-se Teste dos três filtros.

– Três filtros?

– Sim. – continuou Sócrates. – Antes de me contar o que quer que seja sobre meu aluno, é bom pensar um pouco e filtrar o que vai me dizer.

O primeiro filtro é o da Verdade. Você está completamente seguro de que o que vai me dizer é verdade?

– Bem, não… Acabo de saber neste mesmo instante…

– Então, você quer me contar sem saber se é verdade?

-Vamos ao segundo filtro, que é o da Bondade. Quer me contar algo de bom sobre meu aluno?

– Não, pelo contrário…

– Então, interrompeu Sócrates, quer me contar algo de ruim sobre ele que não sabe se é verdade? Bem, você pode ainda passar no teste, pois ainda resta o terceiro filtro, o da Utilidade. O que quer me contar vai ser útil para mim?

– Acho que não muito…

– Portanto, concluiu Sócrates, se o que você quer me contar pode não ser verdade, pode não ser bom e pode não ser útil, para que contar?

Não escondemos que também está dentre nossas intenções a de que você, leitor, ao final de cada edição, veja-se estimulado a buscar saber um tanto mais sobre o Espiritismo, essa doutrina que leva tantas pessoas a trabalharem em benefício do próximo, que faculta páginas com textos tão cativantes, que nos traz Jesus de volta.

Saiba que, ao melhor conhecer a Doutrina Espírita, mais conhecimento irá desejar, uma vez, então, estar começando a entender a importância do estudo dos valores reais da alma, e que, estudando-os, ouvirá com mais equilíbrio, verá com maior segurança, analisará com redobrado proveito e servirá mais.

Guardemos a certeza de que o Espiritismo veio oferecer o atestado eloquente da Imortalidade, e a consciência dessa Imortalidade arma o indivíduo com resistências para suportar e vencer as vicissitudes de cada dia, sendo, portanto, o Espiritismo, acima de tudo, o processo libertador das consciências, a fim de que a visão do homem alcance horizontes mais altos.

Todavia, o decorrer dos dias ainda nos traz, com certa frequência, desolação e tristeza, problemas e padecimentos variados. Não esmoreçamos diante dessas circunstâncias. Certos de encontrarmos o consolo, voltemo-nos mais ainda a Jesus, em oração, aceitando de vez o convite que Ele nos fez há mais de dois mil anos e que permanece presente para quem tenha ouvidos de ouvir:  Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.  (Mateus, 11: 28)

Ele também nos deu o luminoso mapa da felicidade: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.  (João, 14: 6)

Alegramo-nos em identificar que nesses 81anos, mensalmente, veiculamos junto a milhares de corações, roteiro para a paz duradoura, fiéis aos postulados espíritas, disseminando a verdade conhecida e o bem.

… se o que você quer me contar pode não ser verdade, pode não ser bom e pode não ser útil, para que contar?

Assine a versão impressa
Leia também