Jornal Mundo Espírita

Julho de 2019 Número 1620 Ano 87
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Sebastião Paraná de Sá Sotto Maior – um construtor da educação

novembro/2013 - Por Mary Ishiyama

Quando nos chegam aos braços os filhos não imaginamos quão grandes são ou poderão tornar-se, quanto poderão influenciar outros irmãos pelo caminho, muito menos saber quão belas são suas almas.

Toda história tem um começo. Assim foi no lar de Inácio de Sá Sotto Maior, no dia 19 de novembro de 1864, quando renasceu Sebastião Paraná de Sá Sotto Maior, na cidade de Curitiba, um Espírito que iria influenciar cultural, social, política e espiritualmente nosso povo.

Formou-se em Direito e em Ciências Políticas e Sociais no Rio de Janeiro. Em Curitiba, foi professor catedrático de História Universal, Geografia e Corografia do Brasil, Diretor do Ginásio Paranaense e Escola Normal de Curitiba, exercendo interinamente, a Superintendência Geral do ensino, até 1920.

Sebastião Paraná foi, ainda, Inspetor Público de Curitiba, função não remunerada, sendo uma das atribuições observar que leis e regras fossem cumpridas pelos professores. Àquela época, era comum os professores aplicarem castigos corporais aos alunos, o que ele desaprovava, com todas as suas forças, a ponto de dizer que não se podia dar à escola o aspecto sombrio que vem da opressão e do terror, que o castigo corporal era uma mancha nas escolas.

Em função disso, expediu aviso aos professores da capital, utilizando as bases legais sobre o assunto, junto com o regulamento das obrigações dos professores na escola. Era o ano de 1906, e o regulamento prescrevia: Proibido aplicar qualquer tipo de castigo corporal e que possam prejudicar a saúde e a moral dos alunos, sendo a infração punida com multa.  O professor deveria dar exemplos de polidez e moralidade em seus atos, tanto na escola como fora dela.1

Influenciou profundamente seus alunos, pelo seu conhecimento e postura de mestre honrado e de homem que sabia conquistar corações. Tal foi sua influência sobre a mocidade paranaense, para a qual lecionou, que foi homenageado, com um baixo-relevo de seu perfil em bronze, que se encontra nos jardins do Ginásio Paranaense, em Curitiba.

Foi, também, professor da Universidade Federal do Paraná, Diretor da Secretaria do Interior e Justiça, Diretor do Museu Paranaense e Biblioteca Pública, Deputado no Congresso Legislativo, agente auxiliar do Arquivo Nacional. Integrou a Comissão encarregada de receber trabalhos para o Congresso Internacional de História da América, pertenceu ao Centro de Letras e Academia de Letras do Paraná.  Era sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do Instituto Geográfico Argentino, da Sociedade de Geografia de Lisboa, todas atividades desenvolvidas no Paraná.

Como jornalista, foi Diretor do Jornal A Tribuna, Redator de A República e de O Município. Colaborou, assiduamente, na imprensa paranaense, publicando estudos e crônicas.

Como escritor, deixou as obras: Esboço Geográfico da Província do Paraná (1889); Guia do Comerciante (1903); Os Estados da República (1913); Galeria Paranaense (1922); Efemérides da Revolução de 1930 no Estado do Paraná, Países da América, Corografia do Paraná (1899); O Ensino Secundário do Paraná (1931); Exultação (1923); O alcoolismo e o jogo (1913); e o livro que lhe rendeu Medalha de Mérito por ter batido recorde de edições, nunca antes registrado na bibliografia local, O Brasil e o Paraná (1903), obra didática com vinte e duas edições.

Sebastião Paraná foi um estudioso apaixonado pelas coisas do Paraná e do Brasil. Certa vez, ainda moço, convidado, com insistência, para ocupar, no Exterior, honrosa posição, respondeu, embora empolgado com a oportunidade com que lhe acenavam: Não posso aceitar. O Paraná precisa de filhos que fiquem aqui, uma vez que, em geral, eles saem para lutar pela vida lá fora… 4

Seu amor ao Paraná e as belezas da natureza ficam bem claras no seu Credo Paranista5 :

Creio no Paraná uno, irredutível, indivisível, incorruptível, operoso, alindado pela justiça, nobilitado pelo direito, labutando à sombra da lei, na qualidade de povo politicamente organizado, nobre, altivo, tendo por lema – Ordem, Progresso, Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Eis porque me exalto, porque me ufano do berço onde nasci chorando, onde morrerei soluçando de saudades das torrentes bravas, dos regatos mansos, das corredeiras barulhentas, dos arroios cantantes, que disparam alucinados, retorcidos, espantados, na amplidão solene da pradaria encharcada de sol, carregada de lírios brancos, de ramalhetes agrestes.

Sua vida pautou-se pelo amor ao próximo, atuando, principalmente, através da educação, do conhecimento, da cultura. Foi um dos fundadores da  Federação Espírita do Paraná, em 24 de agosto de 1902, seu primeiro Presidente eleito, de 1903 até 1907.

Profundo conhecedor do Espiritismo, dirigiu grupos de estudo e editou, pela Federativa Paranaense o livro Vade-mécum (Preces e ensinos espíritas), em 1929-1930.

Casou-se com Elvira da Costa Faria Paraná, em 19 de dezembro de 1905.

Em 1932, acometido de pertinaz enfermidade, foi aposentado. Quando seus padecimentos eram intensos, dizia ele, na posse de invejável compreensão e resignação: Aguenta, seu Sebastião. Você agora está vendo o que acontece para aqueles que no pretérito se divertiam colocando seus semelhantes sobre grelhas incandescentes…4

No dia 8 de março de 1968, na residência de seu genro Lauro Schleder, que foi conselheiro da Federação Espírita do Paraná, esse grande homem despediu-se, momentaneamente, de suas tarefas, retornando ao verdadeiro lar, de onde prossegue amando e auxiliando seu amado Paraná.

 

Bibliografia:

1 – http://www.historia.ufpr.br/monografias/2000/joao_luis_silva_bertolini.pdf

2- http://www.academiapr.org.br/academicos/cadeira-2/

3 -Credo Paranista.

4 – http://www.espirito.org.br/portal/publicacoes/abc/cap14.html

5- Paraná, Sebastião. Credo Paranista, A divulgação, v. 9, nov/dez. 1954.

6- Jornal O Estado do Paraná, 29 de novembro de 1964.

7- Jornal Gazeta do Povo, 19 de março de 1967.

8- Nicolas, Maria. Almas das ruas [Cidade de Curitiba]. Curitiba: Impresso oficial do Estado do Paraná, 1969. v. 1.

9- Boletim P.M.C.  v.  1, n. 4, jul/ago. 1942.

Assine a versão impressa
Leia também