Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2017 Número 1601 Ano 85
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Sanson

abril/2016 - Por Mary Ishiyama

Sanson era membro da Sociedade Espírita de Paris e desencarnou no dia 21 de abril de 1862, após mais de um ano de sofrimentos cruéis, conforme nos informa o Codificador, na Revista Espírita do mês de maio do mesmo ano.

Quase dois anos antes, Sanson dirigira a Kardec, na qualidade de Presidente da dita Sociedade, uma carta onde solicitava que, após a sua morte, fosse evocado e o mais imediatamente possível. Isto fazia, reafirmando um desejo que expressara há cerca de um ano. O seu era o propósito de, através dessa espécie de autópsia espiritual  servir no além-túmulo, dando-lhe os meios de estudar fase por fase, nessas evocações, as diversas circunstâncias que se seguem ao que o vulgo chama a morte.

Recomendando-se às preces dos companheiros da Sociedade Espírita de Paris, discorria ainda, na mesma missiva, sobre sua preocupação com respeito à escolha e oportuno momento de sua próxima reencarnação.

Assim, ao morrer no dia 21 de abril de 1862, oito horas após a desencarnação e uma hora antes do enterro, ele foi evocado em uma das salas da Sociedade Espírita de Paris, sendo médium Leymarie, que não o conhecia, fazendo com que a mensagem fosse mais fidedigna.

Enquanto o corpo de carne tombava no túmulo, a voz do Espírito se agigantava ao dizer é uma graça especial de Deus, que permite ao meu Espírito comunicar-se.

Ao ser questionado sobre as realidades que vivenciava, ele disse estar se sentindo feliz, não mais existindo suas dores, que a transição da vida terrena para a espiritual causou certa dificuldade de raciocínio, sentiu o vazio e o desconhecido, não se dera conta de onde estava, mas que naquele presente momento já estava se equilibrando. Com certeza, afirmou, a prece a Deus que fizera antes de entregar-se aos braços da morte lhe dera sustentação e completou: Sou Espírito. Minha pátria é o espaço e meu futuro, Deus, que irradia na imensidão.

Agradeceu ao corpo, que jazia ao lado, ferramenta preciosa que auxilia a purificação do Espírito, e pediu que essas informações chegassem aos seus filhos, pois que tinham má vontade em crer.

Ele sabia que Kardec leria algumas palavras de despedida no túmulo. Então, pediu: Falai, pois, a fim de que os incrédulos tenham fé. Adeus. Falai. Tende coragem e confiança, e que meus filhos possam converter-se a uma crença reverenciada!

À beira do túmulo, Allan Kardec discursou, apresentando o Sr. Sanson como um homem de bem em toda a extensão do vocábulo. Disse ainda que ele era dotado de uma inteligência incomum, desenvolvida por uma instrução variada e profunda. Simples nos seus modos de vida, aplicava a sua atividade intelectual em pesquisas e invenções muito engenhosas que, no entanto, não lhe trouxeram resultados.

Era um desses homens que jamais se aborrecem, porque sempre estão pensando em algo de sério. Conquanto sua posição o tivesse privado daquilo que faz a doçura da vida, seu bom humor jamais se alterava.

Kardec falou, ainda, de uma das grandes virtudes de Sanson, a fé.  A fé espírita consiste na convicção íntima de que temos uma alma; que essa alma, ou Espírito, o que é a mesma coisa, sobrevive ao corpo; que ela é feliz ou infeliz, conforme o bem ou o mal que fez em vida.

Nos dias 25 de abril e 2 de maio do mesmo ano de 1862, outras duas palestras ocorreram, em que, ainda servindo como médium o Sr. Leymarie, o Espírito Sanson respondeu a questões mais delicadas da situação do Espírito após a morte física, dizendo-se  muito feliz por se tornar útil aos seus antigos colegas e ao seu digno presidente.

Nas observações do mestre lionês, as palestras propiciam um elevado ensino na descrição que ele faz do próprio instante da transição e salienta que nem todos os Espíritos seriam aptos a descrever esse fenômeno com tanta lucidez quanto ele. O Sr. Sanson viu na sua morte o seu próprio renascimento, circunstância pouco comum e que devia à elevação de seu Espírito.

Sanson, ex-membro da Sociedade Espírita de Paris – é a forma como o Espírito se identifica, assinando a mensagem Perda de pessoas amadas. – Mortes prematuras (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, item 21), e a que se encontra inserida no cap. XI, item 10, da mesma obra, e que disserta a respeito de A lei de amor, ambas datadas do ano 1863.

 

Bibliografia:

1. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o espiritismo. Brasília: FEB, 1996.

2.FEDERAÇÃO ESPÍRITA DO PARANÁ. Expoentes da Codificação Espírita. Curitiba, 2002.

3. KARDEC, Allan. Sanson: (a história de um espírita). Rio de Janeiro: CELD, 1992.

4. EXÉQUIAS do Sr. Sanson. Revista Espírita, São Paulo: EDICEL, ano V, v. 5, maio 1862.

5. http://feparana.com.br/topico/?topico=440

 

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