Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Romances mediúnicos ou sementeira de obsessão?

dezembro/2010

Dentre as muitas questões que preocupam as principais lideranças do Movimento Espírita destaca-se a enxurrada de obras ditas mediúnicas.

São produtos de mentes excitadas pela vaidade, pelo exibicionismo, com raríssimas exceções.

Seus textos não possuem criatividade literária, correção gramatical, conhecimento doutrinário… Enfim, nada que autentique a presença de um autor espiritual de valor irretorquível, de uma temática que possa construir algo para a melhoria dos que as leem.

São verdadeiros caça-níqueis, objetos de obsessões claramente detectáveis, gerados por mentes enfermiças, absolutamente despreparadas, por falta de equilíbrio e conhecimento da Doutrina Espírita, que são indispensáveis.

Por incrível que possa parecer, o assunto já preocupava o nobre Codificador Allan Kardec, na abordagem crítica que fez, publicando texto na “Revista Espírita”, em dezembro de 1865, que diz, claramente, em forma de advertência: “Aquele, pois, que não estudou a fundo o Espiritismo, em seu espírito, em suas tendências, em suas máximas tão bem quanto em suas formas materiais, também é impróprio para fazer um romance espírita de algum valor…”

Os livros espíritas, cada vez mais vendidos, acabaram por induzir a cobiça de aventureiros na expectativa do ganho fácil.

A Federação Espírita do Paraná – FEP, exercendo estreita vigilância sobre os bens imperecíveis de nossa amada Doutrina, recebe propostas de editores e autores, às dezenas, todos os meses, mas recusa de imediato aquelas que não doam os lucros para instituições de assistência e promoção social. Atendido esse quesito, a FEP as submete ao Conselho Editorial para análise do conteúdo, em seus diversos aspectos, para colocá-las à venda, posteriormente.

Sabemos que há uma trama das trevas por trás desse processo.

Quanto mais livros de valor discutível estiverem nas estantes, menos as obras de Kardec, Chico Xavier, Divaldo Franco, Yvonne Pereira, Léon Denis, Raul Teixeira e outros consagrados e aceitáveis intérpretes, serão vistas e adquiridas, protelando a aquisição da cultura espírita, com graves consequências para tantos que chegam ao solo abençoado do Espiritismo, com extrema boa vontade, mas totalmente despreparados.

“Afastai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” advertiu-nos o Cristo, sob divina indignação.

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