Jornal Mundo Espírita

Novembro de 2020 Número 1636 Ano 88

Revolução silenciosa

abril/2014

E a Mensagem que desce do Céu para a Terra, a fim de demorar-se incorruptível e valiosa no seio da Humanidade, requer o veículo que a corporifica,  urna impressora que a preserva, semeando-a através dos tempos, na gleba dos espíritos encarnados. – Lins de Vasconcellos[1]

A respeito da imprensa espírita, diz-nos Lins de Vasconcellos, o sertanejo que se fez baluarte espírita da unificação e da divulgação do Espiritismo no Brasil, no livro Crestomatia da Imortalidade, recebido mediunicamente por Divaldo Franco, que nos serve de base para este texto, cujos escritos destacamos, em itálico:

Arrebentando as amarras do obscurantismo e da noite medieval, a Imprensa fez fulgir, em plena treva da ignorância, o farol do esclarecimento, e ainda hoje é baluarte da Verdade e da Vida, embora muitas vezes malsinada pelos campeões da impiedade e do egoísmo.

Embora tenha surgido por volta de 868 o primeiro livro de autoria de Wan Chieh, só em 1423 apareceu na Europa uma xilogravura com duas linhas impressas sob a efígie de São Cristóvão.

Enquanto isso, imperando a barbárie em plena estagnação intelectual, nas ruínas do mosteiro de Santo Arbogasto, em Estrasburgo, lentamente Gutemberg opera a fundição de tipos móveis, caprichosa e insistentemente, imprimindo com eles bíblias e saltérios. Em 1453 empreende a revolucionária impressão da Bíblia de Mainz, com 42 linhas… Foi o início da revolução que abalaria os alicerces da ignorância e do medo.

A saga da imprensa espírita no Brasil vem sendo escrita nas páginas da História, em capítulo das  boas notícias, desde julho de 1869, quando Luiz Olímpio Telles de Menezes lançou o primeiro jornal espírita brasileiro: O Echo D’Além-Túmulo.

Outro marco histórico cabe à revista Reformador, fundada por Augusto Elias da Silva, em 1883, no Rio de Janeiro, e até hoje editada pela Federação Espírita Brasileira – FEB.

O Jornal Mundo Espírita completa 82 anos, engajado em semear a boa semente que produz o pão de sustento do Espírito à hora do desfalecimento. Henrique Andrade, em 1932, idealizou esse órgão doutrinário de propaganda espírita, e, com o Comandante João Torres e Benedicto de Souza, proprietário de uma gráfica, fundou o Jornal Mundo Espírita que, com a devida autorização do seu fundador, anos depois, Lins de Vasconcellos o adquiriu e trouxe para Federação Espírita do Paraná, que se tornou responsável por sua circulação.

Outros vários periódicos se somam, nessa revolução silenciosa em prol de um mundo melhor, a partir das transformações de cada coração humano.

De certo modo, não se trata da construção de um mundo novo, mas o de formar o entendimento das razões do nosso existir na Terra, do telefinalismo Divino para todos, que é a felicidade real, e da função desse mundo nesse contexto. Alcançado esse desiderato, de modo simples, espontâneo e natural, em estando o homem de bem consigo mesmo e com Deus, tudo o mais estará transformado para melhor, independente de paisagens e locais físicos.

Ensina-nos Emmanuel, Espírito, pela notável mediunidade do inesquecível Francisco Cândido Xavier[2]:

Reclamam o ouro do solo, o pão do celeiro, o linho usável, o equilíbrio da carne, o prazer dos sentidos e a consideração social, com tamanha volúpia que não se recordam da posição de simples usufrutuários do mundo em que se encontram, e nunca refletem na transitoriedade de todos os patrimônios materiais, cuja função única é a de lhes proporcionar adequado clima ao trabalho na caridade e na luz, para engrandecimento do espírito eterno.

Registram os chamamentos do Cristo, todavia, algemam furiosamente a atenção aos apelos da vida primária.

Percebem, mas não ouvem.

Informam-se, mas não entendem.

Nesse campo de contradições, temos sempre respeitáveis personalidades humanas e, por vezes, admiráveis amigos.

Conservam no coração enormes potenciais de bondade, contudo, a mente deles vive empenhada no jogo das formas perecíveis.

São preciosas estações de serviço aproveitável, com o equipamento, porém, ocupado em atividades mais ou menos inúteis.

Não nos esqueçamos, pois, de que é sempre fácil assinalar a linguagem do Senhor, mas é preciso apresentar-lhe o coração vazio de resíduos da Terra, para receber-lhe, em espírito e verdade, a palavra divina.

Por reconhecer que ao Espiritismo compete a tarefa indeclinável de espalhar nova luz sobre a Humanidade inquieta e atormentada, como bem elucida Vianna de Carvalho[3], Espírito, a fim de que se conduza pelos caminhos certos da senda evolutiva, o Jornal Mundo Espírita se mantém firme e destemido em sua tarefa, buscando bem servir aos propósitos de Deus na Terra.

Ao registrar homenagem à sua existência, face mais um ano de veiculação, registramos, também, homenagens à Imprensa Espírita, em geral, cujos objetivos são comuns, formando fileira com cristãos decididos.

Mais uma vez Lins de Vasconcellos: A Imprensa Espírita, que hoje é antídoto eficaz ao anarquismo e à dissolução dos costumes, que é pábulo nutriente e linfa refrescante, guia seguro para toda hora, não prescinde do espírita que lhe pode oferecer os recursos indispensáveis à subsistência, na coletividade.

Por isso, não sejamos indiferentes a esse programa de divulgação doutrinária, inspirado pelos Maiores do Mundo Espiritual e mantido com inauditos sacrifícios por alguns poucos seareiros decididos.1

 



[1] FRANCO, Divaldo Pereira. Crestomatia da imortalidade. Por Espíritos diversos. Cap. 41.

[2] XAVIER, Francisco Cândido. Fonte viva. Pelo Espírito Emmanuel. Cap. 48.

[3]FRANCO, Divaldo Pereira. À luz do Espiritismo. Pelo Espírito Vianna de Carvalho. Cap. 13.

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