Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87

Revolução no conhecimento

Antônio Moris Cury

janeiro/2017

Há quase cento e sessenta anos, precisamente no dia 18 de abril de 1857, um sábado de primavera em Paris, França, veio a lume O livro dos Espíritos, a mais importante obra do Espiritismo.

O lançamento foi um sucesso, e não apenas por se tratar de um novo livro disponibilizado a um público ávido por leitura, particularmente nos meios intelectuais franceses e europeus, mas, sobretudo, pelo seu extraordinário conteúdo que registrou por escrito e de forma sistematizada a existência do Mundo Espiritual, do Mundo Invisível, trazendo magníficos relatos, provas, argumentos, raciocínios e repetidas comprovações de que a vida é uma só, desdobrada, porém, em várias existências, isto é, encerrada a existência terrena, o corpo físico se decompõe e se transforma ou é cremado, mas o Espírito, o ser pensante da Criação, dele sai e é encaminhado para o Mundo Espiritual ou Invisível, de onde proveio, com a sua vida prosseguindo naturalmente.

Com excelente detalhamento, ficou demonstrado que, uma vez criado por Deus, o Espírito [o verdadeiro Ser] passa a ser indestrutível, terá sua individualidade preservada e viverá para sempre!

Sem sombra de dúvida, o lançamento de O livro dos Espíritos representou verdadeira revolução no conhecimento humano terrestre, uma vez que, para dizer-se o mínimo, importante repetir para enfatizar: registrou a existência do Mundo Espiritual por escrito e de modo sistematizado. Além disso, basta lê-lo com acurada atenção para concluir que nele há esclarecimento, explicação, orientação, consolo e especialmente a certeza, trazida pela convicção que dele resulta, sem qualquer imposição, de que viveremos para sempre e, portanto, mais que nunca, é de todo conveniente que alteremos nossa postura e compostura  para melhor,  tornando-nos pessoas de Bem, voltadas para o Bem e para a sua prática, úteis onde quer que nos encontremos, cumpridoras da parte que nos compete fazer para, ainda que modestamente, auxiliarmos no avanço moral do planeta em que nos encontramos.

Neste ponto, muitíssimo importante reproduzir o que afirmou àquela época o Professor Hippolyte Léon Denizard Rivail [Allan Kardec] com a clareza e precisão de sempre:

O Espiritismo não é obra de um homem. Ninguém pode inculcar-se como seu criador, pois tão antigo é ele quanto a Criação. Encontramo-lo por toda parte, em todas as religiões, principalmente na religião Católica e aí com mais autoridade do que em todas as outras, porquanto nela se nos depara o princípio de tudo que há nele: os Espíritos em todos os graus de elevação, suas relações ocultas e ostensivas com os homens, os anjos guardiães, a reencarnação, a emancipação da alma durante a vida, a dupla vista, todos os gêneros de manifestações, as aparições e até as aparições tangíveis. Quanto aos demônios, esses não são senão os maus Espíritos e, salvo a crença de que aqueles foram destinados a permanecer perpetuamente no mal, ao passo que a senda do progresso se conserva aos segundos, não há entre uns e outros mais do que simples diferença de nomes.

Que faz a moderna ciência espírita? Reúne em corpo de doutrina o que estava esparso; explica, com os termos próprios, o que só era dito em linguagem alegórica; poda o que a superstição e a ignorância engendraram, para só deixar o que é real e positivo. Esse o seu papel. O de fundadora não lhe pertence. Mostra o que existe, coordena, porém não cria, por isso que suas bases são de todos os tempos e de todos os lugares. Quem, pois, ousaria considerar-se bastante forte para abafá-la com sacarmos, ou, ainda, com perseguições? Se a proscreverem de um lado, renascerá noutras partes, no próprio terreno donde a tenham  banido, porque ela está na Natureza e ao homem não é dado aniquilar uma força da Natureza, nem opor veto aos decretos de Deus.

Que interesse, ademais, haveria em obstar-se a propagação das ideias espíritas? É exato que elas se erguem contra os abusos que nascem do orgulho e do egoísmo. Mas, se é certo que desses abusos há quem aproveite, à coletividade humana eles prejudicam. A coletividade, portanto, será favorável a tais ideias, contando-se-lhes por adversários sérios apenas os interessados em manter aqueles abusos. As ideias espíritas, ao contrário, são um penhor de ordem e tranquilidade, porque, pela sua influência, os homens se tornam melhores uns para com os outros, menos ávidos das coisas materiais e mais resignados aos decretos da Providência. 1

Eis aqui uma pequena amostra do que essa magnífica obra contém, que, diga-se de passagem, merece ser lida e estudada de capa a capa.

Nela há um cabedal de conhecimentos que a todos interessa, é um manual de viver bem e com dignidade, um verdadeiro tesouro colocado à nossa disposição para análise, reflexão, amadurecimento e aplicação prática dos seus ensinos [que são os ensinamentos de Jesus, o Cristo, interpretados à luz da lógica, do bom senso e, sobretudo, da razão] em nosso dia a dia, em nosso favor, em favor de nossos familiares, de nossos amigos, das pessoas com quem nos relacionamos e até mesmo daquelas que cruzam os nossos caminhos.

Não por acaso, uma das bandeiras do Espiritismo é a de tornar melhores os que o compreendem. 2

Avancemos, pois, lendo e estudando O livro dos Espíritos, agora e sempre.

 

Referências bibliográficas:

1.KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. 93. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2013. Conclusão, item VI, 3º, 4º e 5º parágrafos.

2.­­­­­­­­________. Revista Espírita, São Paulo: EDICEL, jul. 1859. ano II. Discurso do encerramento do ano social (1858-1859).

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